O governo Dilma falhou na política econômica; Quem vacila diante de uma conclusão assim tem apenas de conferir os resultados...

Publicado em 10/10/2014 06:32 419 exibições
Falhou... (no Blog de Celso Ming, no Estadão desta sexta-feira)

O governo Dilma falhou na política econômica. Quem ainda vacila diante de uma conclusão assim tem apenas de conferir os resultados. Não os medidos pelos critérios do mercado financeiro, sempre suspeitos, como diria a presidente Dilma, mas pelos do próprio governo.

Entre os objetivos de todos estes anos estava o crescimento sustentável da atividade econômica em torno dos 3,0% ao ano. O que o governo está entregando é um avanço médio de apenas 1,6%. Nesse cálculo vai incluída a projeção de 2014 que não promete mais do que um crescimento de 0,3%, como acaba de apontar o Fundo Monetário Internacional (FMI).

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A inflação na meta (de 4,5% a cada fim de ano) apresentou até agora um piso de 5,84% e o risco de estouro da meta de 6,5% neste ano – mesmo com o represamento do câmbio e dos preços administrados.
A cada começo de ano, o governo prometeu conseguir um superávit primário (sobra de arrecadação para pagamento da dívida) de 2,1% a 3,1% do PIB, mas a única vez que entregou 3,1% foi em 2011 e, ainda assim, à custa dos truques contábeis conhecidos. Em 2014, as projeções indicam algo muito próximo de zero.

O investimento era para ser acelerado a partir do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Mas as Contas Nacionais apontaram todos estes anos para baixo. E não vamos colocar nesse balanço nem as incertezas no suprimento de energia elétrica, que paralisam a ampliação da atividade produtiva, nem a perda de competitividade da indústria.

Agora sobram essas desculpas inconsistentes sustentadas pela equipe econômica. O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, por exemplo, sugere como recurso contra a erosão do poder aquisitivo do consumidor provocada pela inflação, não políticas de estabilização, mas a substituição da carne bovina por ovo e carne de frango. Que comam brioches.

Além de repisar que o crescimento raquítico do PIB se deve à crise externa, o ministro Guido Mantega aponta a desaceleração do crédito como explicação para a retração das vendas da indústria, como se a queda do crédito não fosse desejada pela política monetária do Banco Central ou, então, como se o Banco Central estivesse marcando gol contra.

O insatisfatório cacife eleitoral apresentado pela presidente Dilma no primeiro turno das eleições está diretamente relacionado às más escolhas de política econômica que desidrataram o orçamento do trabalhador. Desgastada pelos maus resultados, a equipe econômica do governo não exibe credibilidade para defesa do que está aí.

Não é o demitido Mantega nem o flexível Tombini que são designados para dar explicações, mas o agora licenciado ministro-chefe da Casa Civil, o economista Aloizio Mercadante, que Dilma manteve afastado das decisões econômicas nestes quatro anos. Ele vem com a revelação de que “um país não se reduz a uma moeda”, como se o contra-ataque à inflação fosse um objetivo pouco importante.

É olhar em torno e concluir que não há no governo gente mais qualificada para convencer o eleitor sobre as excelências da administração Dilma, créditos que sobram apenas nos discursos.

CONFIRA:

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Saíram as primeiras previsões para a próxima safra, que ainda nem começou a ser plantada. Para a Conab, a produção deve ficar entre 194 e 201,6 milhões de toneladas. Em 2014, a Conab projeta 195,47 milhões de toneladas de grãos e o IBGE, 193,5 milhões.

É estrutural
Nesta quinta-feira, o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, advertiu que os problemas econômicos da Europa não são cíclicos; são estruturais e exigem reformas de base. Do ponto de vista da política econômica do Brasil, significa que não dá para ficar esperando pela recuperação.

Unidos pelo repúdio, por FERNÃO LARA MESQUITA - O ESTADO DE S.PAULO

O divisor de águas, afinal, é "social" ou é ético? Ha duas maneiras de ler o resultado do primeiro turno. O que nos disse esse PT que dispensa a contribuição dos fatos para compor sua versão da realidade com o bombardeio de "reclames" do gênero daqueles em que os pratos de comida de uns se esvaziavam na proporção em que os dos outros se enchiam é que não apenas faz sentido que a "Bélgica" vote maciçamente em Aécio e a "Índia" vote maciçamente em Dilma - tanto mais quanto mais para baixo estiver o eleitor no IDH -, como que não há outro caminho nesta nossa "Belíndia", onde, por definição, o bolo não cresce e cada um só pode aumentar seu quinhão à custa do dos demais, senão uma submeter a outra, pela força se houver resistência.

A mesma receita que o partido reconfirma com sua política de alinhamento automático com todas as ditaduras que cavalgam essa mesma falácia na arena internacional.

Mas esta eleição provou que, se existe um país manipulável porque vive na insegurança econômica extrema e tem prioridades mais urgentes que distinguir a verdade da mentira ou pensar além da sobrevivência até amanhã, convive com ele outro que, por cima dos matizes ideológicos em que se divide internamente, pode olhar para mais adiante e responde com avalanches de indignação às que lhe têm sido atiradas desaforadamente à cara, como confirma o contingente antipetista que chegou às urnas maior do que partiu.

Por que a relação desse Brasil com o PT que sobrou (depois da debandada da esquerda honesta) se vai tornando tão radicalmente insuperável? Porque, sendo esse PT essencialmente um produto desse mesmo Brasil com mais capacidade de discernimento, não poderá jamais convencê-lo de que não está mentindo a cada vez que mentir.

Para atrair o Brasil que vive da assistência à miséria, à margem da economia real, e continuar acenando-lhe com "uma melhora geral da economia" e uma "redução da desigualdade" que o IBGE não confirma o PT que sobrou terá de continuar mentindo, e cada vez mais à medida que suas mentiras forem piorando o ambiente econômico e empurrando os indicadores mais para baixo. E quanto mais mentir, maior será a indignação que colherá no Brasil que não só não engole suas mentiras, como, principalmente, se sente cada vez mais ameaçado pela temerária realimentação do ódio de classes para os quais elas inevitavelmente nos empurram.

O resultado que as urnas de domingo colheram reflete um movimento de autopreservação desse Brasil que, tudo indica, ainda não se completou. Pois, ao assumir a mentira como linha mestra de sua campanha, o PT que sobrou não está apenas confessando falido o "projeto" com que tenta vender-se ao outro, está declarando guerra ao Brasil com discernimento, posto que esse caminho não tem volta: ou o País inteiro regride ao estágio de que ainda não conseguiram sair os grotões - como foi feito nas ditaduras que o PT nos aponta como exemplos e se trata de fazer nos rebentos "bolivarianos" que nos cercam, calando a imprensa (e até o IBGE) e substituindo os debates legislativos dos representantes eleitos pelo povo pelos decretos das Organizações Não Governamentais Organizadas pelo Governo (ONGOGs), ditas "movimentos sociais", conforme prescrito no Decreto 8.243, baixado pela "presidenta" - ou confina esse PT ao nicho reservado aos dinossauros políticos que, em todo o resto do planeta, foram à extinção no ano 89 do século passado.

É isso que tem mantido unidas a esquerda e a não esquerda honestas e democráticas que, somadas, ainda são maioria na sociedade brasileira.

É normal e saudável que haja divergências a respeito do que se deseja para o País e que isso mude, na visão dos mesmos grupos, em diferentes momentos da conjuntura nacional e internacional. Mas até para que isso possa continuar sendo assim tem de haver uma concordância de todos a respeito do que não se deseja para o País, qualquer que seja a circunstância. E esse limite é o da preservação da democracia representativa (de todos os brasileiros, não só de alguns).

É sobre esse ponto que mostram estar de acordo os brasileiros todos que votaram sob o signo do antipetismo e, felizmente, tanto Aécio Neves quanto Marina Silva parecem ter entendido perfeitamente que é disso que se trata.

A "polarização entre PT e PSDB" em que insistia Marina é um falso problema. Ela existe no mundo inteiro, sob siglas variadas, com a diferença de que, quanto mais alto o IDH, os extremos entre as partes em disputa se vão aproximando do centro e a alternância no poder entre elas se vai tornando menos turbulenta. Aqui mesmo já estiveram muito menos afastados um do outro do que a distância para a qual voltaram a ser empurrados pelo sistemático processo de subversão de significados que o PT que sobrou conseguiu instalar nas escolas e universidades brasileiras, estas que vão despencando em queda livre pelos rankings internacionais de qualidade em função dessa violência.

O próprio Lula entendeu em 2002 que para eleger-se teria de comprometer-se com a democracia e com o modelo econômico civilizado, por acaso implantado no Brasil pós-Sarney pelo PSDB. A grande "novidade" que Marina Silva prometia, para além do repúdio moral à mentira generalizada como modelo político, era recolocá-lo no lugar de onde foi expulso pelo voluntarismo arrogante e mal articulado de Dilma Vana Rousseff.

Tudo o mais - as dosagens de assistência aos necessitados, desde que com os indispensáveis dispositivos de saída obrigatórios como provas de boa-fé para diferenciá-los das execráveis operações de compra de votos e exploração da miséria dessa "política" de fato "velha" aliada ao PT que sobrou -, como tem dito Aécio e como tem dito Marina, se mantém ou até se expande, se for o caso. O Brasil pode tranquilamente arcar com isso. Com o que não pode mais arcar, por um minuto que seja, é com o resto do pacote de aparelhamento do Estado e compra de poder à custa do futuro do Brasil do PT que sobrou e da legião dos indecorosos bilionários vendedores de "governabilidade" abraçado à qual ele tem a caradura de nos falar em "mudança".

*Fernão Lara Mesquita é jornalista e escreve emhttp://www.vespeiro.com

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Fonte:
Blog Celso Ming (Estadão)

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