Dilma classifica como infeliz declaração de secretário sobre troca de carne por ovo

Publicado em 14/10/2014 07:33 1519 exibições
Dilma também afirmou que a questão da inflação tem sido tratada com "demagogia" na campanha eleitoral.

BRASÍLIA (Reuters) - A presidente Dilma Rousseff classificou como "infeliz" a sugestão do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland para que os consumidores consumam frango e ovos ao invés de carne, como forma de evitar a alta dos preços da carne bovina.

"Acho errada a afirmação do secretário de política econômica, acho infeliz. Mais do que errada, acho infeliz", disse a presidente a jornalistas nesta segunda-feira no Palácio da Alvorada.

Apesar de criticar a declaração, Dilma minimizou os efeitos dela na campanha, já que o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, explorou a afirmação de Holland no programa eleitoral obrigatório.

"Eu acho que foi uma frase infeliz, só isso. Uma frase extremamente infeliz", respondeu.

Dilma afirmou que "jamais" daria esse conselho. "Porque eu acho que as pessoas têm direito de comer carne, de comer frango e comer ovo", argumentou.

"Uma das grandes vitórias do meu governo e do governo Lula foi tirar o Brasil do mapa da fome e colocar a carne, o frango e o ovo e as proteínas em geral na mesa do brasileiro", acrescentou.

Dilma também afirmou que a questão da inflação tem sido tratada com "demagogia" na campanha eleitoral.

Ela negou que a declaração de Holland e a manutenção do ministro da Fazenda, Guido Mantega, no cargo, mesmo já tendo anunciado que ele não prosseguirá num eventual segundo mandato, sejam sinais de que a área econômica esteja sendo descuidada.

A presidente afirmou ainda que a questão da inflação é alvo de debate demagógico na disputa eleitoral.

"Sabe que tem muita demagogia em eleição, todo mundo sabe que tem", disse ao ser questionada sobre quais eram suas "novas idéias" para combater a inflação.

"Com os dois choques que nós tivemos na área primeiro de alimentos e de energia produzidos pelo problema climático e não faltou nem alimento e nem faltou energia elétrica. Não tem como fazer a mágica de impedir que haja seca", argumentou Dilma.

"Teve um aumento no preço de energia. Isso afeta o preço dos alimentos... chama choque de oferta. Nesses casos é temporário, passa", disse.

"Nós não faremos jamais controle de preço", afirmou.

 

REFORMA POLÍTICA E COMBATE À CORRUPÇÃO

A presidente voltou a defender a necessidade de uma reforma política no país e apontou essa reforma como a mudança fundamental para combater a corrupção no país.

"Não acredito que será possível uma reforma política sem participação popular. Para mim é precondição que haja manifestação popular, um plebiscito", afirmou.

Segundo ela, os principais pontos da reforma devem prever o fim do financiamento empresarial das campanhas, o fim das coligações proporcionais e a necessidade de paridade de gênero para disputas legislativas.

Dilma afirmou ainda que não acredita ser possível discutir o fim da reeleição no país sem um projeto claro de qual seria o novo sistema, com governos de cinco anos ou mais tempo.

"Eu aceito discussão (sobre o fim da reeleição), só que não aceito discussão que não esteja claro todos o termos... quero saber a quem interesse e por que interessa", disse a presidente.

Seu adversário tem dito ser favorável ao fim da reeleição e a mandatos de cinco anos para presidentes da República.

APOIOS

A presidente relativizou ainda os apoios partidários recebidos por Aécio, como o do PSB.

Dilma lembrou que há lideranças do partido que não apoiarão o tucano, como o ex-presidente da legenda Roberto Amaral, e disse que será assim também com militantes mais ligados "à tradição do PSB".

"Sabe quando a gente sabe quem é que teve mais apoio? Só tem um jeito de saber, é no dia 26 de outubro, quem ganhar ou perder", resumiu a presidente.

(Reportagem de Jeferson Ribeiro)

Contra 'ovo' de Aécio, Temer diz que pobres compram 'iogurte e chocolate'

Vice-presidente da República cobra empenho por Dilma de prefeitos e parlamentares do PMDB durante almoço em churrascaria de São Paulo

Felipe Frazão
A presidente e candidata à reeleição, Dilma Rousseff, e o vice, Michel Temer, durante evento na cidade de Jales, no interior paulista

A presidente e candidata à reeleição, Dilma Rousseff, e o vice, Michel Temer, durante evento na cidade de Jales, no interior paulista (Ivan Pacheco/VEJA.com)

A disputa eleitoral pela Presidência da República foi parar de vez na mesa dos brasileiros. Depois de o candidato do PSDB, Aécio Neves, dizer na TV que o governo Dilma Rousseff (PT) recomendou aos consumidores “trocar a carne por ovo ou frango” para combater a inflação, o vice-presidente da República e candidato à reeleição, Michel Temer (PMDB), reagiu nesta segunda-feira: “Não vamos levar em conta uma ou outra frase que diz a ‘economia vai mal’. Vai mal como, se os pobres que foram para a classe média ainda vão ao supermercado e compram frango, iogurte e chocolate para os seus filhos? Parece que não é nada, mas é fundamental para o país”.

O debate surgiu após o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, sugerir que a população troque a carne por ovos e frango diante do aumento da inflação. Nesta segunda, Dilma disse que a frase foi "extremamente infeliz". O tucano Aécio Neves tem usado a declaração à exaustão em sua campanha eleitoral de rádio e televisão.

Temer rebateu a crítica de Aécio durante reunião com prefeitos, parlamentares e líderes do PMDB em São Paulo. Ironicamente, o encontro-almoço ocorreu em uma churrascaria da capital paulista. Cerca de 600 correligionários e aliados ouviram apelos de Temer por mais dedicação nas últimas duas semanas de campanha, principalmente, nas periferias das grandes cidades do Estado – onde Marina Silva tirou votos de Dilma e comprometeu o desempenho petista.

"Para que mudar o governo?" – "Quando tem disputa eleitoral, os adversários dizem: o governo está errado, o programa X está errado, o programa Y está errado, o programa Z está errado. E ao contrário, o que eu vejo é todos dizerem 'os programas estão certos, nós vamos aprimorá-los'. Ora, se não vão mudar os programas, para que mudar o governo?", disse Temer.

No primeiro turno, Temer teve problemas para fazer o partido pedir votos para Dilma em São Paulo. Ela terminou com 25,8% dos votos válidos, enquanto Aécio teve 44,2% no eleitorado paulista. O candidato derrotado do PMDB ao governo do Estado, Paulo Skaf, se negou a fazer campanha pela petista e também não conquistou apoio dos prefeitos peemedebistas de cidades do interior paulista – a maioria deles declarou voto no governador reeleito Geraldo Alckmin (PSDB). Skaf não participou da reunião.

“O governo vai depender muito do PMDB, vai depender muito da nossa vitalidade, do nosso equilíbrio e moderação, mas especialmente da nossa força eleitoral. Esta unidade do PMDB nos dá força e esta força tem que ser revelada unitariamente aqui em São Paulo. A força tem que se revelar não apenas nas casas legislativas, mas durante as eleições. Caso contrário, as pessoas dizem que o PMDB está dividido, cada um atirando para um lado", afirmou.

A presidente Dilma mandou um recado em vídeo gravado com agradecimentos aos prefeitos e parlamentares do PMDB paulista. Dilma também listou números de obras e programas do governo federal no Estado. "São Paulo é um aliado indispensável nesta luta. Nem todos os paulistas têm a consciência de tudo o que já fizemos e vocês têm um grande papel no nosso esforço constante de informar e defender as nossas realizações", pediu.

Maquiavel

'Troca de carne por ovos' vira trunfo de Aécio contra PT

Propaganda do PSDB explora frase do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, sugerindo trocar carne por ovos ou frango para fugir da alta de preços

Propaganda do PSDB explora frase do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, sugerindo trocar carne por ovos ou frango para fugir da alta de preços (Reprodução/YouTube/VEJA)

Uma mulher entra num açougue e pede um quilo de carne. O atendente entrega uma cartela de ovos. Sem entender nada, a mulher reforça: "Mas eu pedi carne!". O atendente diz que o governo pediu que a população trocasse carne por ovo para reduzir a inflação: "A senhora vai trocar a carne pelo ovo?". Ela reage: "Não, vou trocar de governo". Desde a semana passada, a propaganda tem sido repetida à exaustão pelo candidato Aécio Neves (PSDB) à Presidência da República para atacar sua adversária petista, a presidente-candidata Dilma Rousseff. A peça foi produzida depois da frase infeliz do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, sugerindo alternativas para fugir da alta de alguns preços: trocar carne por ovos ou frango.

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Reuters + VEJA

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