No ESTADÃO: Ministro da Agricultura diz não acreditar na participação dos irmãos

Publicado em 28/11/2014 06:02 e atualizado em 29/11/2014 07:03 854 exibições
Em nota divulgada nesta quinta, Neri Geller lamentou a presença de familiares entre os investigados pela PF por envolvimento em esquema de venda ilegal de terras para reforma agrária

O Ministério da Agricultura sustenta que o ministro Neri Geller (PMDB-MT) não está envolvido no esquema de aquisição ilegal de terras da União, destinadas à reforma agrária. Em nota, a pasta disse que ele “lamenta a presença de familiares entre os investigados e diz não acreditar na participação dos mesmos em qualquer irregularidade.” 

Referindo-se aos irmãos, o ministro negou, ainda, ter “associação jurídica ou outro tipo de sociedade com os envolvidos no processo”. O advogado Edy Piccini, que representa Milton e Odair Geller, disse nesta quinta-feira, 27, que estava viajando a Cuiabá para se inteirar das acusações. Só “depois” poderia falar a respeito, o que não aconteceu até a conclusão desta edição. 

Ex-deputado federal, o ministro foi secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e ascendeu ao cargo em março, com a saída de Antônio Andrade (PMDB-MG), que deixou a pasta para concorrer a vice-governador de Minas nas eleições deste ano. Ele não deve ser mantido após a reforma ministerial para o segundo mandato da presidente Dilma. 

Geller soube da prisão dos dois irmãos ao retornar de uma viagem aos Emirados Árabes, onde representou o vice-presidente, Michel Temer (PMDB), na inauguração de uma fábrica da BR Foods. A família do ministro é assentada do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no município de Nova Mutum, no oeste de Mato Grosso. Os Geller produzem soja na região. 

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, afirmou nesta quinta aoEstado que o ministério está colaborando com a operação. “O Incra tem prestado todo o auxílio técnico à Polícia Federal”, disse. O Incra informou que vai afastar os servidores envolvidos. 

Segundo o ministro, o Incra já tem ajuizadas ações para recuperar terras ocupadas ilegalmente. Rossetto não falou das suspeitas contra irmãos do ministro. Eles tiveram prisão decretada pela Justiça por suposto envolvimento no esquema. “Soube da operação à tarde”, declarou. Os dois são proprietários de terras e teriam se beneficiado do esquema ilegal, conforme investigação da Operação Terra Prometida.  

Conforme a PF, 35 pessoas foram presas nesta quinta-feira. Do total, nove foram presas porque no cumprimento de mandados de busca a apreensão a PF encontrou porte ilegal de armas. O advogado dos irmãos do ministro, o criminalista Edy Wilson Piccini, afirmou ao Estado que estava se deslocando para Cuiabá para saber quais são as acusações  contra seus clientes. 

Esquema. De acordo com as investigações, com o objetivo de se obter a reconcentração fundiária de terras da União destinadas à reforma agrária, fazendeiros, empresários e grupos do agronegócio faziam uso de sua influência e poder econômico para aliciar, coagir e ameaçar parceleiros para obter, ilegalmente, deles lotes de 100 hectares, cada um avaliado em cerca de R$ 1 milhão. Estima-se que 80 fazendeiros fazem parte do esquema. A fraude pode alcançar o montante de R$ 1 bilhão, em valores atualizados.

"Com ações ardilosas, uso da força física e até de armas, compravam a baixo preço ou invadiam e esbulhavam a posse destas áreas. Em seguida, com o auxílio de servidores corrompidos do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), integrantes de entidades de classe, servidores de Câmaras de Vereadores e de Prefeituras Municipais buscavam regularizar a situação do lote", diz a PF em nota sobre a operação.

Andre Dusek/Estadão Ministro da Agricultura disse não ter nenhum negócio com seus irmãos e demais envolvidos em esquema de venda ilegal de terrenos para reforma agrária

Tags:
Fonte:
O Estado de S. Paulo

RECEBA NOSSAS NOTÍCIAS DE DESTAQUE NO SEU E-MAIL CADASTRE-SE NA NOSSA NEWSLETTER

3 comentários

  • Paulo Roberto Rensi Bandeirantes - PR

    Sr. João Olivi, a pérola do dia, vocalizada por um anjo: “NUNCA FIZ NADA DE ERRADO”.

    Esta “pérola” foi dita na reunião do diretório nacional do PT, em Fortaleza, por João Vaccari Neto. É lógico que ele nunca fez nada errado, mas dentro da sua percepção do que é certo ou errado. Tenho absoluta certeza que ele está dizendo a verdade.

    Aquele que apresenta distúrbio mental grave em que o enfermo apresenta comportamentos antissociais e amorais sem demonstração de arrependimento ou remorso, incapacidade para amar e se relacionar com outras pessoas com laços afetivos profundos, egocentrismo extremo e incapacidade de aprender com a experiência, estas características da personalidade do individuo, tem um nome: PSICOPATA !

    Será que estamos sendo governados por uma aristocracia petista, ou por uma... ARISTOCRACIA DE PSICOPATAS ?

    ....”E VAMOS EM FRENTE” ! ! !....

    0
  • Telmo Heinen Formosa - GO

    Quando se vê "ERROS" jornalisticos, policiais e judiciais nos assuntos que você domina, pode apostar com toda certeza que "eles" cometem os mesmos ERROS nos assuntos que você não domina. Isto é um dos fatores "enormes de grande" que ajudam formar conceitos de impunidade. O que acontece? As pessoas discutem de manhã até de noite ou de madrugada sobre o mérito das questões... todavia, porém, contudo, entretanto o resultado das ações será válido apenas se, cumprido o Rito Processual. Eita Brasil, ziu!, ziu!, ziu!, ziu! que mais parece um Brejil...

    0
  • amarildo josé sartóri vargem alta - ES

    Amigo João Batista. Tudo deve ser investigado. O que penso sobre as pessoas citadas em supostos envolvimentos a verdade deve aparecer e amplamente divulgada. Como em todos os casos recentes de corrupção que estão em evidencias: Pasadena, Petrobras e seus inúmeros empreendimentos aqui no Brasil e fora do país, lisura no ultimo processo eleitoral, o que a sociedade percebe é que quanto mais mexe, mais lama podre aparece, essa coisa não tem e nem vai ter fim. Uma coisa é certa (Santo nessa história não existe). Além das punições civis e criminais dos envolvidos, tem o mesmo peso e igual valor, o retorno dos montantes que foram surrupiados da nação em benefício de poucos e corruptos aos cofres públicos, para aí sim, serem utilizados em beneficio da população que realmente precisa. Se os envolvidos ocupam cargos públicos, devem ser imediatamente exonerados, punidos e principalmente devolver o que não lhes pertence, coisa que sinceramente não acredito.

    0