Hoje luz fica 33% mais cara: gasolina a R$ 3 e etanol sobe em 16 Estados

Publicado em 02/02/2015 18:58 e atualizado em 03/02/2015 04:00
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Conta de luz pode ficar até 33% mais alta a partir desta terça-feira

 

CPFL abre a temporada de reajustes nos preços da energia este ano, num cenário que aponta para a disparada das tarifas

A temporada de reajuste das tarifas de energia elétrica começa nesta terça-feira com cinco distribuidoras do grupo CPFL, uma da Energisa e uma cooperativa rural. Os pleitos das concessionárias, que atendem mais de meio milhão de consumidores, variam de 10,99% a 33,71%, podendo ser maiores ou menores conforme análise da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). As ações da CPFL subiram 7,84% nesta segunda-feira de olho nos reajustes e outras recomposições.

Inicialmente, a projeção do mercado era de que a tarifa de energia do País subisse entre 25% e 30% neste ano, mas algumas previsões já estão sendo revistas para cima por causa de fatores extras. A Federação das Indústrias do Rio (Firjan), por exemplo, calculava um aumento médio de 27% das tarifas do setor industrial em 2015. Agora, espera-se algo em torno 35%, podendo chegar a 40%, afirma o gerente de Competitividade Industrial e Investimentos do Sistema Firjan, Cristiano Prado.

Segundo ele, a mudança de projeção deve-se ao repasse das cotas da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que não deverá ter aporte do Tesouro, como ocorreu no ano passado, e será repassado para a tarifa. A definição dos valores que serão cobrados em 2015 será votada nesta terça-feira a reunião da diretoria da Aneel. O número preliminar divulgado para o orçamento é de R$ 23 bilhões. Embora a diretoria da agência afirme que o valor será bem menor, há quem diga que poderá chegar a R$ 26 bilhões.

Na Tendências Consultoria Integrada, a previsão de aumento também está com viés de alta por causa dos custos adicionais da CDE. “Nossa previsão era de 27%, mas alguém terá de pagar a conta da CDE, que não havíamos incorporado nesse porcentual”, afirma a analista Adriana Molinari.

Estadão

Definição dos valores que serão cobrados em 2015 será votada nesta terça-feira a reunião da diretoria da Aneel

As projeções também não consideram o valor que os consumidores pagarão mensalmente no sistema de bandeira tarifária (representa acréscimo de R$ 3 a cada 100 quilowatt-hora consumido) - ou seja, o impacto no bolso do brasileiro será ainda maior se não economizarem no consumo, afirma o gerente de regulação da Safira Energia, Fábio Cuberos. Nos cálculos dele, com a bandeira tarifária, o aumento na conta de luz poderá subir de 26% para 34%. Fontes do setor, que preferem não se identificar, afirmam que a Aneel quer dobrar o valor de R$ 3 que começou a ser cobrado no mês passado.

Uma notícia que pode atenuar os aumentos em 2015 é o alongamento do prazo de pagamento dos empréstimos bancários feitos no ano passado para cobrir o rombo das distribuidoras. Segundo o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, o governo negocia a ampliação do pagamento de 24 para 48 parcelas. Isso diluiria o reajuste ao longo do tempo.

Ainda assim, os aumentos deverão elevar a tarifa média para acima de R$ 500 o megawatt hora (MWh) em algumas classes de consumo - deixando definitivamente para trás os benefícios da MP 579, que reduziu as tarifas, em média, em 20% em 2013. Considerando os dados médios da Aneel e um aumento de 30% projetado pelo mercado (que pode ser maior), a tarifa da energia para o consumidor residencial brasileiro poderia alcançar R$ 540 o MWh e o comercial (e de serviços), R$ 517 o MWh. O do industrial ficaria em R$ 430 o MWh - pelos dados da Firjan, seria a quarta maior do mundo.

“Num cenário de baixo crescimento econômico como o atual, as empresas não conseguirão repassar esse custo. Isso significará menor competitividade, menor investimento e menor contratação de mão de obra”, diz Prado. Na avaliação dele, porém, no curto prazo, não há o que fazer. “As companhias terão de apostar em eficiência energética para melhorar sua conta, na troca de equipamentos e lâmpadas, além da instalação de geradores para horário de pico, quando a energia está mais cara.” 

 

Combustíveis sobem nos postos com alta do PIS/Cofins

Em São Paulo, litro da gasolina fica acima de R$ 3 na maioria dos postos; consumidores reclamaram do aumento

 

O aumento na tributação para combustível elevou o preço nas bombas de gasolina de boa parte dos postos de São Paulo. Com a alta na alíquota do PIS/Cofins e a restituição da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), prevista para maio, o preço do litro foi elevado em R$ 0,22 para a gasolina e R$ 0,15 para o diesel. O preço do litro da gasolina ultrapassou os R$ 3 na maioria dos postos visitados pelo Estado. Em um posto na Avenida Rio Branco, no Centro, o litro da gasolina foi de R$ 2,899 para R$ 3,099. Em outro na Zona Oeste de São Paulo, o repasse também foi de R$ 0,20, chegando a R$ 3,199. Já o diesel e o etanol aumentaram R$ 0,10, para R$ 2,849 e R$ 1,999, respectivamente.

Muitos consumidores reclamaram da nova tributação. “Como eu sou frentista, eu já estava esperando”, disse Alex Antonio, de 30 anos, que abastecia seu carro com gasolina. Ele, que mora no Jardim Ângela, na Zona Sul, gasta cerca de R$ 600 por mês com combustível. “Infelizmente, não tem o que fazer, a gente depende do carro para vir trabalhar.” Ele conta que desde sábado, no posto em que trabalha, clientes já perguntavam sobre o aumento.

Em alguns locais, no entanto, o ajuste foi feito de forma “homeopática”. Em um posto em Santana, Zona Norte de São Paulo, gasolina, álcool e diesel foram elevados em R$ 0,10 o litro. Porém, o gerente Adelmo Souza, ao entrar em contato com o proprietário do posto, foi informado de que no dia seguinte (terça-feira) o litro da gasolina receberia um novo ajuste de R$ 0,10.

JF DIORIO/ESTADÃO

Alta da alíquota do PIS/Cofins provoca aumento de R$ 0,22 por litro na gasolina

“Não sei porque eles resolveram fazer em duas etapas. Mas o etanol e o diesel não vão mais subir”, disse Souza. “No fim das contas, aqui vai aumentar R$ 0,20 o litro da gasolina, mas já ficamos sabendo que tem lugar aumentando mais de R$ 0,30.”

Embora ele afirme que muitos consumidores já tenham chegado de sobreaviso da mudança, alguns foram pegos de surpresa. Foi o caso do eletricista José Gilson da Silva, de 41 anos. “Como não queria completar, abasteci só R$ 20 hoje cedo, que normalmente já dá para sair da reserva, mas desta vez não saiu”, disse.

No meio da tarde, retornou ao mesmo posto, e então percebeu que o preço havia aumentado. “Geralmente gasto R$ 125 para completar o tanque, e desta vez, mesmo com os R$ 20 colocados hoje cedo, deu R$ 120”, disse ele, que mora em São Miguel e trabalha em Santana.

Alguns postos ainda não repassaram o reajuste, mas pretendem fazê-lo ainda nesta semana. “As distribuidoras já aumentaram à zero hora do dia 1°. Quem fez o pedido hoje já recebeu com preço novo, mas a liberdade de subir ou baixar o preço é do dono do posto”, afirmou José Alberto Paiva Gouveia, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sindipetro). “O preço é livre. Se ele tem estoque, ele segura o preço para ganhar cliente.”

Ele disse que, mesmo que alguns postos possam ganhar alguma margem com o novo preço, o setor é contrário à nova tributação. “Para nós, quanto mais barato, mais se consome, e quanto mais se consome, mais a gente fatura.”

Gouveia justificou o aumento de preços do etanol, que não sofreram nova tributação, com uma alta do mercado já na semana anterior. “Com o etanol, não é uma posição de governo, é do setor: o usineiro é que sobe ou não o preço do etanol”, disse. “O que aconteceu foi que alguns estabelecimentos ainda não haviam feito o reajuste na semana passada, e deixaram para fazer o repasse junto com a gasolina.

Etanol hidratado fica mais caro ao motorista de 16 Estados

SÃO PAULO  -  Os preços do etanol hidratado, que é usado diretamente no tanque dos veículos, subiram aos motoristas na maior parte dos Estados brasileiros entre 25 e 31 de janeiro na comparação com a semana anterior. Conforme levantamento da Agência Nacional de Petróleo (ANP), o biocombustível ficou mais valorizados nos postos de 16 Estados no intervalo. 

Leia a matéria na íntegra no Valor Econômico.

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Fonte: Valor Econômico + Estadão

4 comentários

  • Vilson Ambrozi Chapadinha - MA

    Já pensaram se a oposição tivesse assumido esta massa falida? Era ele de novo até a morte .Eu sempre acho que a colheita deve ser dada há quem plantou.

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  • salvador reis neto santa teresa do oeste - PR

    quebraram a petrobras e a e nos quem paga a conta como sempre!!!!

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  • Dalzir Vitoria Uberlândia - MG

    Caro Telmo,parabéns pelo seu comentário abaixo mas quem nós pensamos que fosse está roubando muito mais que o MALUF...o Maluf é bagrinho perante os rombos atuais...

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  • Telmo Heinen Formosa - GO

    Bom dia! Um dia um líder manhoso, conhecido pela esperteza, decide que vai buscar petróleo em lugares pouco convencionais. Começa uma campanha para dizer que o petróleo está lá, que é uma riqueza que apenas aguarda ser retirada, que nossa história mudará quando o resultado das exportações aparecer, que isso e aquilo. Mesmo sendo contestado por gente do ramo, o sujeito convence a população que investir nessa busca é um excelente negócio, acena com a distribuição de royalties e... parte para a ação.
    Algum tempo e vários bilhões de dinheiro público depois, a conclusão é uma só: a operação é técnica e economicamente inviável.
    Contabilizada a perda, tudo volta ao que era antes e não se fala mais nisso.
    E o dinheiro público? Ah, esse não volta mais...
    O nome do líder visionário é Paulo Maluf, a história é a da Paulipetro e aconteceu entre 1979 e 1982.
    Você achou que eu estava falando de quem?
    Fonte: https://www.facebook.com/luciano.pires?fref=ts

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