Mercado de açucar: UMA TUNGADA DE BILHÕES

Publicado em 22/02/2015 07:00
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por Arnaldo Luiz Correa, da Archer Consulting

O mercado de açúcar em NY fechou a semana em baixa de 0.43 centavos de dólar por libra-peso no vencimento março de 2015, ou seja, quase 10 dólares por tonelada, em linha com o anúncio do governo indiano de extensão do programa de subsidio de 64 dólares por tonelada para 1.4 milhão de toneladas a serem exportadas pelo país até setembro de 2015. Muito açúcar sendo oferecido para embarque imediato, sem compra.

Não se constitui em nenhuma novidade que grande parte dos problemas hoje vividos pelo setor sucroalcooleiro reside na ausência de política energética. Por muito tempo o setor sofreu calado com o congelamento imposto ao preço da gasolina que reduziu de maneira dramática a participação dos combustíveis renováveis na matriz energética brasileira. É só olharmos as estatísticas e percebermos que o auge do consumo de etanol no país foi alcançado em dezembro de 2009 quando 54.5% dos veículos usavam esse combustível contra apenas 42% nos dias de hoje.

Naquele ano, o preço médio da gasolina importada estava R$ 0,15 por litro mais barato do que o preço congelado pelo governo, o que favoreceu a competitividade do etanol. Estou defendendo o subsídio, então? Nada disso. O que pretendo demonstrar é que toda vez que ocorre um preço artificial no mercado existe grande chance de se distorcer a realidade e dar sinais equivocados aos agentes. O preço da gasolina internamente estava mais caro do que o mercado internacional aumentando artificialmente a competitividade do etanol. Evidente que ninguém no setor iria reclamar dessa situação.

Ocorre que a mesma situação virou-se contra o setor nos anos seguintes. Os preços da gasolina continuavam congelados (aliás, diga-se, desde setembro de 2005) e com o petróleo se recuperando no mercado internacional não houve repasse para o mercado interno. Ou seja, nos quatro anos que se seguiram, de 2011 até 2014, o governo via Petrobrás importava gasolina a um preço bem mais alto do que ela chegava ao consumidor. Isso custou, grosso modo, nesse período, R$ 32.6 bilhões. Dinheiro que sangrou a Petrobrás e cuja conta indiretamente é paga pelo contribuinte.

Nesses quatro anos (2011-2014) o consumo total de etanol no Brasil foi de 82.62 bilhões de litros, divididos em 45.50 bilhões de litros de hidratado e 37.12 bilhões de litros de anidro. Se o preço interno da gasolina seguisse o mercado internacional, o etanol certamente manteria sua competitividade, sem necessidade de artificialismos e poderia manter a participação na matriz energética que alcançara no final de 2009.

Quanto custou ao setor o alijamento forçado pela política governamental? Se a tivéssemos mantido nesse período, o Brasil teria consumido 35.62 bilhões de litros adicionais de hidratado, com uma redução de 5.74 bilhões de litros de anidro e 30 bilhões de litros de gasolina A que deixariam de ser importadas. Para o setor somente, pela perda na receita estimada do etanol usando o preço médio dos quatro anos foram R$ 34.5 bilhões. Isso, sem contar que para atender a essa demanda constante, hoje teríamos que ter pelo menos mais 15 usinas moendo 5 milhões de toneladas cada uma, que teriam provocado um investimento de US$ 15 bilhões, gerando milhares de empregos diretos e indiretos.

A Petrobrás perdeu R$ 32.6 bilhões vendendo gasolina mais barata. O setor perdeu receita estimada de R$ 34.5 bilhões por ter perdido mercado em função dos preços artificialmente baixos da gasolina e o país perdeu investimentos de pelo menos US$ 15 bilhões na construção de novas usinas. A soma dos dois primeiros, mais tangíveis, é de R$ 67.1 bilhões, valor muito próximo da dívida do setor (que hoje é de R$ 76.96 bilhões).

Hoje, a situação é inversa. Para fazer caixa frente ao rombo fiscal, o governo reintroduz velhos impostos e o Brasil tem a gasolina mais cara do mundo. O setor sucroalcooleiro caminha sobre fino gelo pois a competitividade do etanol de novo baseia-se em preços artificialmente altos. Assim caminha o governo: sem planejamento algum, apenas com remendos aqui e acolá sem objetivo de médio e longo prazo.

Não se conhece na história do Brasil um governo que tenha destruído tanta riqueza e primado pela mediocridade e soberba como a atual administração. Levaremos décadas para consertar os estragos causados por Dilma e sua trupe de incompetentes.

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Arnaldo Luiz Corrêa

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Fonte: Archer Consulting

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