Brasil deve atender demanda mundial por alimentos e agroenergia, destaca Roberto Rodrigues

Publicado em 27/03/2015 16:22
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O ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues esteve em Jataí na última quinta-feira (26/6) e deixou o seu recado: “O mundo quer proteína e energia. O Brasil tem condição da atender essa demanda. Mas, para isso, precisamos, acima de tudo, de ordem”. Em palestra realizada durante o 2º Encontro Regional de Produtores, organizado pela Rede Sucesso de Comunicação, o professor e coordenador da Fundação Getúlio Vargas (FGV) falou para cerca de 400 produtores e empresários. O encontro, que contou com a participação do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner, promoveu debates sobre o cenário atual e futuro para a política e a agropecuária no Brasil.

Roberto Rodrigues iniciou sua apresentação lembrando que, dado o crescimento da população mundial, será preciso ampliar a produção de alimentos em 60% até o ano de 2050 e o Brasil será o responsável por 40% do total desse incremento. “E, ainda assim, há quem afirme que não podemos fazer uso da água, de adubos, de defensivos ou ampliar a área plantada. Este é um discurso que não fecha e precisamos atentar para o fato de que nenhum país do mundo tem uma política coerente voltada para isso”, alertou o ex-ministro. Rodrigues destacou que a meta para 2020 seria ampliar a produção em 20%. Para ele, o Brasil tem condições de promover esse aumento, mas outros países do mundo, entre eles os Estados Unidos, a China e a Rússia, não tem essa condição.

Além das dificuldades que o restante do mundo enfrenta para produzir alimentos, Roberto Rodrigues lembrou que mais difícil ainda será para esses países produzir agroenergia. “Com tecnologia e investimento, qualquer país pode produzir alimentos. Mas agroenergia, não. Isso depende da terra, da planta e do sol. O Brasil, e outros países da América Latina, têm condições de produzir essa fonte de energia, exportar para o mundo todo e, finalmente, criar uma nova ordem geopolítica mundial voltada para o agronegócio”, projetou.

Foi diante das discussões acerca do cenário de crises política e econômica que o ex-ministro destacou a máxima necessidade do Brasil por ordem. Para ele, entre as estratégias necessárias para a sustentação da agropecuária e o consequente fortalecimento da economia brasileira estão investimentos em infraestrutura e logística, crédito, políticas comerciais, tecnologias, articulações institucionais, organização estratégica e comunicação. “Historicamente, o Brasil construiu um mito de que a produção rural é coisa fácil e que o produtor rural é um matuto, chorão e até caloteiro. Essa marca trágica deixa muito claro que nós temos que nos comunicar melhor”, alertou.

Perspectiva
Roberto Rodrigues informou que a perspectiva de crescimento econômico para este ano é de 0,8% e isso exige que todo produtor e empresário aja com bastante cautela. O ex-ministro destacou que, entre as dificuldades a serem enfrentadas pelo setor produtivo estão redução do crédito, queda de preços e aumento dos custos, o que achatará as margens de lucro. “O produtor precisa manter a confiança, porém deve deixar as barbas de molho, guardar dinheiro e investir somente o necessário”, orientou. “As questões internas estão inibindo saltos da agropecuária, mas isso vai passar. Porém, precisamos trabalhar duro, nos organizar e nos comunicar melhor”, defendeu ainda o ex-ministro.

Para José Mário Schreiner, presidente da Faeg, a articulação do setor produtivo é fundamental para impedir que o segmento que tem garantido o crescimento do país não seja ainda mais prejudicado pelas dificuldades econômicas atuais. “A agropecuária é o setor da economia que mais evoluiu nos últimos anos, que mais criou e incorporou tecnologia, mas, muitas vezes, não é reconhecido como deveria”, afirmou.

Nesse cenário, o vice-presidente institucional da Faeg, Bartolomeu Braz Pereira, defendeu que uma das alternativas para o produtor enfrentar a crise é se organizar e atuar coletivamente. “Nós temos que fortalecer as nossas entidades de classe. Temos que unir toda a cadeia para conseguirmos sair muito mais rápido dessa situação”, avaliou Bartolomeu, que também é presidente da Associação de Produtores de Soja de Goiás (Aprosoja).

Iniciativa
O presidente da Faeg destacou ainda a importância da realização de evento como o Encontro Regional de Produtores para o fortalecimento do agronegócio. “Parabéns ao Grupo Sucesso pela organização do evento, do qual o Senar e a Faeg muito se orgulha em ser parceiro. É nossa missão zelar e levar informação ao produtor rural, que é responsável pela atividade do setor que tem sustentado o nosso país”, elogiou.

O Encontro foi realizado em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural em Goiás (Senar Goiás) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), com patrocínio da Syngenta. A agroindústria aproveitou a ocasião para premiar produtores da região que apresentaram os melhores resultados na produtividade de soja. “O evento foi muito bom para aprendermos sobre o futuro da agricultura. Receber o Prêmio Produtividade foi muito gratificante. Receber o Roberto Rodrigues valoriza os produtores e é muito gratificante”, avaliou um dos produtores premiados Wolnir Maggioni.

Na TV
Após a palestra, foi realizado um debate entre José Mário Schreiner, o presidente da Faeg; Bartolomeu Braz Pereira, vice-presidente institucional da Federação e presidente da Associação de Produtores de Soja de Goiás (Aprosoja Goiás); Arthur Toledo, presidente da Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) e o diretor da Syngenta, Cláudio Linhares, além do ex-ministro Roberto Rodrigues. Na ocasião, produtores tiveram a oportunidade de fazer perguntas e ponderar as colocações dos componentes da mesa. O debate será transmitido pelo programa Sucesso no Campo, da Rede Sucesso (afiliada da TV Record em Jataí) na manhã do próximo domingo.

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Fonte: Faeg

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