Fusão entre Bayer e Monsanto pode prejudicar produtores rurais, dizem especialistas

Publicado em 24/05/2016 07:23
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A possível fusão entre Bayer e Monsanto, gigantes produtoras de insumos para a produção agrícola, pode gerar prejuízos para os produtores rurais brasileiros. É o que sugerem as fontes ouvidas pela GLOBO RURAL nesta segunda-feira (23/5).

A principal queixa é sobre o oligopólio de grandes empresas, que diminui a concorrência e pode influenciar diretamente os preços de seus produtos. “A concentração piora [se houver a fusão]. A concorrência entre Bayer e Monsanto era positiva para os agricultores. Com a fusão, seria ruim, justamente agora que a Bayer estava crescendo em biotecnologia”, explica Glauber Silveira, da Câmara Setorial da Soja.

Ele complementa dizendo que a possível fusão é “frustrante”. “Quanto menos empresas, pior é. Não tem competição. Deveria ter o surgimento de mais empresas, assim como o fortalecimento das que existem, e não empresas grandes desse tamanho. Me dá medo”.

Endrigo Dalcin, presidente da Aprosoja-MT, segue a mesma linha de raciocínio. De acordo com o executivo, o produtor não vê com bons olhos o controle de mercado. Para ele, a nova empresa que surgirá com a fusão pode tirar ou manter tecnologias no mercado dependendo da ligação comercial. "O problema é a centralização das empresas de biotecnologia. São produtos diferentes numa empresa só, o que deve gerar problemas de mercado, e também nos preço. Se houvesse mais empresas disputando, seria mais interessante”, aponta o executivo.

Mesmo com esse possível monopólio, Dalcin elogia a empresa alemã de químicos. “A Bayer é uma boa empresa, tem boas relações com os produtores, só temos ressalvas sobre o tamanho da empresa", diz, referindo-se à possível fusão.

A postura mais amigável da Bayer também foi apontada pelo advogado especialista em agronegócio Néri Perin como um possível ganho da fusão. A união pode beneficiar agricultores que produzem suas próprias sementes e que lutam na justiça contra o pagamento de royalties à Monsanto. “A princípio, não tem alteração [no processo judicial], já que a Bayer seria sucessora das ações contra a Monsanto. Isso só muda se a Bayer tiver um perfil igual ao da Monsanto em dialogar com a classe agrícola", diz, lembrando que a Bayer tem um perfil mais voltado para a parceria com agricultores, enquanto a Monsanto sempre assumiu a postura mais impositiva, o que gera conflitos. "Acredito que o diálogo seja mais tranquilo com a Bayer”, opina.

Leia a notícia na íntegra no site Revista Globo Rural.

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Fonte: Revista Globo Rural

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