Afinal, podemos exportar alimentos sem provocar inflação? Por Carlos Cogo

Publicado em 07/09/2016 12:59 e atualizado em 08/09/2016 07:34
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Em nove dos últimos 10 anos, a inflação dos alimentos no Brasil superou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), índice oficial do IBGE. Por que isso ocorre? Invariavelmente, a culpa tem sido colocada no clima. Explicação simplória demais. O clima não poderia ter provocado inflação de alimentos acima do índice geral por quase uma década inteira. De forma pontual, ora o clima provoca alta dos preços dos alimentos, diante das quebras das safras, ora provoca baixas – quando permite reduzir custos de produção e eleva a produtividade. 

O Brasil é hoje o segundo maior exportador global de alimentos, atrás apenas dos Estados Unidos. Projeções consensuais da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e Embrapa indicam que, durante a próxima década, assumiremos o posto de maior exportador global de alimentos. Então, estaria nas crescentes exportações de grãos, carnes, açúcar, café, dentre outros, a culpa da inflação dos alimentos? 

Se isso fosse verdade, os EUA, maior exportador global de alimentos, não teriam uma inflação anual de 0,3%. Vale destacar que o peso dos alimentos na inflação brasileira é de 25%, contra 11% a 14% nos países da União Europeia, EUA ou no Japão. A renda per capita maior nestes países reduz o peso dos alimentos na composição da inflação. A inflação geral e de alimentos decorre de uma conjugação de fatores, que podem atuar simultaneamente ou não, incluindo as altas taxas de juros, aumentos de preços administrados (energia, combustíveis etc.), incrementos de custos de produção e a indexação – processo no qual a alta de preços passada impulsiona os preços futuros.

Leia a notícia na íntegra no site Zero Hora.

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Fonte Carlos Cogo

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