Nota oficial da Imperatriz Leopoldinense reforça crítica contida em samba enredo

Publicado em 13/01/2017 17:26
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Quem assina é Luizinho Drumond, presidente da escola, que responde a processo por formação de quadrilha e exploração do jogo do bicho. Chegou a ser considerado foragido após a Operação Dedo de Deus. Drumond também foi arrolado na investigação sobre a morte do ex-mestre de bateria da agremiação. Para saber mais quem é Luizinho Drumond leia notícia de O Globo de 2012. (post final)...

A escola de samba Imperatriz Leopoldinense divulgou nesta sexta-feira nota oficial sobre a polêmica do samba enredo com críticas ao agro. No texto, produzido com a intenção de se explicar, a escola reforça as críticas que fez. "A produção [agropecuária] muitas vezes sem controle, as derrubadas, as queimadas e outros feitos desenfreados em nome do progresso e do desenvolvimento afetam de forma drástica o meio ambiente e comprometem o futuro de gerações vindouras. Os resultados, como sabemos, são devastadores e na maioria das vezes irreversíveis", diz um trecho da nota.

Sobre a ala "Fazendeiros e seus agrotóxicos", que é o principal motivo da polêmica, a escola diz que não teve a intenção de generalizar, mas "importantes pesquisas científicas apontam os diversos males que o agrotóxico traz para o solo, para o alimento e consequentemente para a saúde de quem o consome". A nota não cita quais são essas "importantes pesquisas" nem relativiza a afirmação generalista. 

"Em nenhum momento atacamos o setor do agronegócio e seus trabalhadores", diz ainda a nota da Imperatriz. A escola alega estar sendo vítima de uma "campanha difamatória" das entidades do agro que têm divulgado notas de repúdio ao enredo.

Os carnavalescos da Imperatriz Leopoldinense não percebem a razão do incômodo do agro com o enredo da escola. Por isso eles reproduziram as causas desse incômodo na nota oficial que tenta desfazê-lo. Elas estão aspeadas nos três primeiros parágrafos deste post.

Eu acredito sinceramente que a Imperatriz não teve a intensão de agredir o agro. Não teve a intensão de agredir, mas agrediu. Agrediu porque tratou o agro de forma preconceituosa no enredo. Preconceitos que estão no enredo e foram reproduzidos com ênfase na oficial divulgada hoje.

Junto com a nota divulgaram também um vídeo no qual o carnavalesco se refere ao homem do campo como "caipira", afirmam que o setor "vestiu carapuça" com o termo belo monstro, diz que o setor não soube interpretar o enredo da escola, tenta a velha segregação entre nós e eles ao afirmar que "quem é do bem ficará do lado da escola".

Aliás, a despeito do que diz a escola de samba, não existe conflito por território no Parque Indígena do Xingu que fica a mais de 1.000 km de distância rio acima da hidroelétrica de Belo Monte. (por Blog Código Florestal). 

Veja a íntegra da Nota Oficial da Imperatriz e tire suas próprias conclusões:

"O carnaval é uma festa popular e o desfile das escolas de samba na Marquês de Sapucaí, considerado o maior espetáculo a céu aberto do mundo, é um patrimônio da cultura brasileira. Um dos principais atrativos turísticos da cidade do Rio de Janeiro, o carnaval carioca atrai visitantes de diversas regiões do Brasil e do mundo inteiro.

A festa emprega milhares de trabalhadores nos mais diversos setores, gerando desenvolvimento e oportunidades de negócio, além de injetar dinheiro em nossa economia. Só no carnaval de 2016 foram arrecadados mais de 3 bilhões de reais, segundo dados da Empresa de Turismo do Rio de Janeiro – RIOTUR .

Seja nos ranchos, nos blocos, nos salões ou na Avenida, o carnaval, mesmo terminando na quarta-feira de Cinzas, desperta sonhos e paixões nos foliões. As escolas de samba são um capítulo à parte, um espaço democrático que liga os todos os cantos da cidade e celebra a diversidade. E falar de diversidade é falar da Imperatriz Leopoldinense.

Considerada uma das escolas de samba mais tradicionais do carnaval carioca e uma das maiores campeãs da Era Sambódromo, a Rainha de Ramos – como é carinhosamente chamada por seus torcedores e comunidade –, tem na sua essência um compromisso com a cultura. Os enredos sobre a formação do povo brasileiro estão enraizados em nossa história. Aliás, gostamos muito de contar boas histórias.
Orgulhamo-nos de nossa trajetória de grandes enredos com temática cultural, inclusive fomos a primeira agremiação a fundar um departamento cultural, prática posteriormente adotada por todas as nossas co-irmãs, cujo propósito é preservar nossas raízes e memórias. Colecionamos desfiles inesquecíveis e sambas que são considerados verdadeiros clássicos do carnaval, que nos renderam prestígio, reconhecimento de importantes setores da sociedade e, claro, muitos campeonatos.

Temos a marca do pioneirismo em nosso pavilhão, conquistamos oito vezes o título de campeã do carnaval carioca no Grupo Especial, além de importantes prêmios nacionais e internacionais. Nestes quase 60 anos de fundação e de bons serviços prestados à cultura brasileira, a Imperatriz Leopoldinense teve em seu quadro grandes mestres do carnaval, já celebrou importantes vultos de nossa rica Literatura, juntou o erudito com o popular, uniu o sagrado e o profano, cantou a nossa mestiçagem e a fé de nossa brava gente brasileira espalhada por todos os rincões deste país de dimensões continentais.

O homem do campo é presença constante em nossos desfiles e exaltamos por muitas vezes na Avenida o solo brasileiro, este chão abençoado por Deus onde tudo que se planta, dá. No carnaval de 2016, ano em que, vencendo preconceitos, homenageamos a dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano, adentramos no universo rural, trouxemos algumas riquezas do estado de Goiás e dedicamos um setor inteiro de nosso desfile à agricultura, por entendemos a importância deste segmento para nossa economia.

Comprometida em dar voz à diversidade, a Imperatriz Leopoldinense, que já cantou em carnavais anteriores o descobrimento do Brasil e celebrou as raízes africanas através da figura e do legado de Mandela, decidiu levar para a Marquês de Sapucaí em 2017 o enredo "Xingu - o clamor que vem da Floresta", de autoria do carnavalesco Cahe Rodrigues.
Vamos falar da rica contribuição dos povos indígenas do Xingu à cultura brasileira e ao mesmo tempo construir uma mensagem de preservação e respeito à natureza e à biodiversidade.

Segundo relato da própria população que vive ali, a região do Xingu ainda é alvo de disputas e constantes conflitos. A produção muitas vezes sem controle, as derrubadas, as queimadas e outros feitos desenfreados em nome do progresso e do desenvolvimento afetam de forma drástica o meio ambiente e comprometem o futuro de gerações vindouras. Os resultados, como sabemos, são devastadores e na maioria das vezes irreversíveis.

Acreditamos que, para além do entretenimento, o carnaval e a escola de samba – levando em consideração que os olhos do mundo se voltam para nossa festa – têm um compromisso com o social e o desenvolvimento sustentável.

Após a divulgação de nossas fantasias, algumas delas denunciando o uso irresponsável de agrotóxicos, fomos alvo de uma intensa campanha difamatória. Embora não seja nossa intenção generalizar, importantes pesquisas científicas apontam os diversos males que o agrotóxico traz para o solo, para o alimento e consequentemente para a saúde de quem o consome. Este é apenas um aspecto do nosso rico e imenso enredo, mas desde então temos recebido críticas e inúmeras notas de repúdio dos mais diversos setores do agronegócio.

Até em função de certa confusão registrada em algumas dessas falas, ressaltamos e esclarecemos que no trecho de nosso samba “o Belo Monstro rouba a terra de seus filhos, destrói a mata e seca os rios” estamos nos juntando às populações ribeirinhas, às etnias indígenas ameaçadas, aos ambientalistas e importantes setores da sociedade que se posicionaram contra a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte. Não é uma referência, portanto, ao agronegócio, como alguns difundiram. Os impactos negativos desta obra ao meio ambiente serão imensuráveis, estão constantemente nas pautas de debates, são temas de discussões recorrentes em audiências públicas e foram amplamente divulgados pela imprensa nacional e estrangeira.

Em nenhum momento atacamos o setor do agronegócio e seus trabalhadores. A sinopse de nosso enredo está disponível para consulta pública em nossos canais oficiais de comunicação. Mesmo depois de todos os esclarecimentos prestados por nosso carnavalesco aos mais diversos veículos de comunicação, temos sido atacados com críticas injustas e até com ofensas ao samba, importante matriz de nossa cultura, e ao carnaval, a maior festa popular do planeta.

Por fim reforçamos que o nosso enredo não versa contra esta importante cadeia produtiva de nossa economia nem desqualifica os seus incansáveis trabalhadores. Como poderíamos exaltá-los de forma grandiosa num carnaval para em seguida criticá-los no outro?

A nossa mensagem é de preservação, respeito, tolerância e paz. Todos os que acreditam nesses valores estão convidados a celebrar conosco.

Salve o verde do Xingu, viva o carnaval, a Imperatriz Leopoldinense e todos os trabalhadores do Brasil!

Luiz Pacheco Drumond
Presidente

Assista também ao vídeo do carnavalesco da escola, Cahê Rodrigues: 

 

 

A réplica é do presidente da Aprosoja RS - Luis Fernando Marasca Fucks

O SAMBA DO BOTEQUIM – Nota da Aprosoja/RS sobre a Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense 

      Quem escuta ou lê o samba enredo da Escola Imperatriz Leopoldinense, desapercebidamente, não vê qualquer alusão ao produtor rural ou setor agrícola brasileiro. Como o próprio momento do carnaval, o tema trata a questão indígena de maneira deslumbrada, exaltando o mito do “bom selvagem”. Segundo o verbete Wikipedia, esse é um estereótipo no pensamento europeu da Idade Moderna, com indígenas nus, de fácil trato e natureza pródiga, que nasce do contato com as populações das Américas. Em suma, o mundo indígena é tudo de bom e as heranças culturais, o desenvolvimento e a qualidade de vida do mundo ocidental são o ocaso a ser combatido.
      Nesse contexto, o produtor rural ou o homem do campo, de preferência aquele considerado capitalista*, representa a primeira linha de impacto do aparato politicamente correto**. Por trás do setor primário, há um universo de indústrias e serviços, dos mais variados ramos, os quais indiretamente dão o aporte para a altíssima eficiência da agropecuária nacional. Sim senhor, o Brasil é muito eficiente em sua agropecuária! 
      Todos que estão na cadeia do agro são atingidos pelas calúnias e desinformação. Ressalta-se, porém, que o produtor rural é o alvo prioritário. Portanto, generalizar como o fazem, no samba enredo e alegorias, não é correto e equivaleria a afirmação de que todos os sambistas são intelectuais oportunistas de ocasião e beberrões de profissão, além de constarem na folha de pagamento da contravenção do jogo do bicho. 
      À parte do que plumas, purpurinas e paetês demonstram, alegoricamente na passarela, o samba-enredo que adotou o politicamente correto como carapuça trás em si várias mensagens subliminares, as quais deixariam qualquer militar de alta patente em estado de alerta. Uma delas é a alusão à “Aliança dos Guardiões da Mãe Natureza”, assembléia realizada em Paris e supostamente “encabeçada” pelo iluminado Cacique Raoni, cerceada do mais variados lobbies que englobam Ong’s, governos Europeus interessados na soberania compartilhada da Amazônia e artistas famosos (estes últimos, grandes papagaios globalistas ou inocentes úteis, como disse Lênin). Também se refere ao sonho de uma “nação indígena” que na verdade, é a pura intenção de criar um estado independente dentro do estado brasileiro, com congresso próprio e sob a tutela da ONU. A respeito disso, nos relatou com gravidade o já falecido e mais famoso indigenista do Brasil, Orlando Villas Boas *.
      Portanto, a fantasia carnavalesca da Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense é o “revival” de uma ação perniciosa e de longa duração, também chamada de guerra de quarta geração, capitaneada por nações estrangeiras que visam o domínio de uma região desabitada do Brasil.  Para tanto, valem-se da desinformação junto à população através de ong's e fundações, financiados por grandes grupos internacionais e até mesmo, governos e partidos estrangeiros. Sabotam, assim, os vários planos de desenvolvimento do país, tais como construção de estradas, hidrelétricas, hidrovias, ferrovias e empreendimentos agropecuários.
 
Luis Fernando Marasca Fucks
Pres. APROSOJA RS

* - À semelhança do marxismo econômico, o marxismo cultural (ou Politicamente Correto) considera que os trabalhadores e os camponeses são, à priori, “bons” e que a burguesia e os capitalistas são “maus”. 
** - O politicamente correto é propaganda comunista, com propósito para persuadir, convencer e humilhar. Quando as pessoas são forçadas a permanecer caladas diante da mentira mais óbvia ou ainda, obrigadas a repetir elas mesmas a mentira, perdem o seu senso inquisidor. São correntes os conceitos de perversidade polimórfica, tolerância repressiva e teoria crítica, desenvolvidos por Herbert Marcuse na Escola de Frankfurt.

https://www.youtube.com/watch?v=dA2AcSNHR6U

DRUMOND, INVESTIGADO EM ASSASSINATO

Saiba quem é Luizinho Drumond, presidente da Imperatriz Leopoldinense, nas informações levantadas pelo jornal O Globo em 2012.

 

COMENTÁRIO DE MÔNICA CORRÊA // AQUIDAUANA - MS 14/01/2017 21:02

Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós! 


Recentemente o tema do samba-enredo da Imperatriz Leopoldinense para o carnaval 2017 levantou grande discussão no meio agrícola (1,2). O tema principal na letra do samba (3) é o enaltecimento dos indígenas do Xingu como guardiões da floresta, os quais vivem em total harmonia neste meio. Harmonia esta que foi quebrada com a chegada do caraíba (homem branco) que trouxe a cobiça e a destruição de matas e rios. O samba termina com o refrão:
"Salve o verde do xingu? a esperança
A semente do amanhã? herança
O clamor da natureza
A nossa voz vai ecoar? preservar!"
A mensagem é clara. O Brasil pré-descobrimento era o paraíso na terra ("o paraíso fez aqui o seu lugar") e seus primeiros habitantes, puras almas celestiais, as únicas capacitadas a preservar este paraíso. Dentre as alas apresentadas pela escola para este samba estão: "Fazendeiros e seus agrotóxicos", "doenças e pragas" e "olhos da cobiça".
Tendo em vista as inúmeras manifestações de repúdio e criticas realizadas por instituições ligadas ao agro, o carnavalesco da escola concedeu uma entrevista (4) defendendo o enredo e alegando que a critica é pontual aos que desrespeitam a floresta e que em nenhum momento a intenção era agredir o agronegócio como um todo. Também afirmou que o tema principal do enredo é a exaltação aos povos indígenas, sua luta pela sobrevivência e sua floresta.
A única conclusão que se tira é que se intenção não era de criticar o agronegócio, o enredo e as alegorias foram muito mal elaboradas. Seria difícil acreditar em tamanha falta de sensibilidade advinda de um setor onde a comunicação de ideias é pivô central do oficio. De maneira completamente contraditória a declaração dada pelo carnavalesco, a escola divulgou orgulhosamente em sua pagina oficial no facebook (5) um artigo em que o Prof. de literatura da UFMT celebra a atitude de colocar o "agronegócio na mira" durante o enredo de 2017. Em suas palavras o agronegócio.. "além de não produzir postos de trabalhos na proporção da quantidade de terras que ocupa, está sempre atolado em pesados agrotóxicos, comprovadamente, provocadores de adoecimentos de populações e de mortes de rios, incluindo o comprometimento de lençóis freáticos." Demonstrando desde já a vocação da Imperatriz Leopoldinense em se utilizar de mentiras para sua promoção e desmentindo a narrativa apresentada pelo carnavalesco durante a já referida entrevista.
Mas porque essa crítica incomodou tanto os produtores e instituições ligadas ao setor? Afinal, em anos anteriores o agronegócio já foi usado como tema de samba enredo de maneira positiva. Nada mais democrático que aceitar as criticas, certo? Na minha opinião as respostas para essas questões se dão pelos seguintes fatores:

1 ? Os profissionais envolvidos com a produção agrícola estão cansados de serem acusados indiscriminadamente por crimes que não cometeram. Acredito que este seja o ponto central de indignação. Desmatamento ilegal, racismo, trabalho escravo, poluição e genocídio indígena são apenas alguns dos crimes que são todos os dias expostos na mídia como sendo consequências diretas do agronegócio. A resposta a essas falsas acusações já foram discutidos em diversas oportunidades no âmbito da importância econômica, social e ambiental (6, 7, 8) e não vamos focar neste debate. 

Porém afirma-se também que o agro é o causador do "genocídio indígena" (9). O uso da palavra genocídio aterroriza qualquer cidadão comum que conhece a violência que se espalha pelo pais. Seriam os indígenas vitimas mais frequentes de assassinatos que os brasileiros não índios? Vamos aos números. Em 2015 foram registrados 59.627 mil homicídios no Brasil (10) sendo 137 destes contra indígenas (11). Considerando a população brasileira não-índia de 203.570.1561 (12) e a indígena de 880.4932 habitantes (13) chega-se aos valores de 15.6 e 29.2 assassinatos para cada 100 mil habitantes para índios e não-índios, respectivamente. Ou seja, mata-se quase duas vezes mais não-índios do que índios no Brasil. Além disso, a secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública do Mato Grosso do Sul afirma que, no período entre 2006 e 2013, 92% dos homicídios contra indígenas no estado tiveram outros indígenas como autores (14). Os números não parecem contar a mesma história que os carnavalescos e os professores de literatura martelam a torto e a direito nas cabeças dos cidadãos médios. 

Mas alguém poderia também argumentar que os produtores rurais estariam invadindo áreas indígenas e expulsando esses da suas reservas. Seriam essas alegações verdadeiras? Segundo o mesmo relatório anteriormente citado desenvolvido pelo CIMI (11), em MS no ano de 2015 houveram 2 casos de invasões possessórias contra terras indígenas, todas essas invasões com o objetivo de exploração de madeira ilegalmente. Também em todos esses casos, a madeira foi comercializada pelos próprios guardiões da floresta (11, 15). Segundo as reportagens ambos os casos foram solucionados e os criminosos autuados (muito provavelmente somente os não-indígenas). 

Aproximadamente no mesmo período de um ano entre agosto de 2015 (16) e setembro de 2016 (17), 34 propriedades rurais, todas compradas legalmente e tituladas pelo Estado brasileiro, foram invadidas por indígenas nesse mesmo estado. O numero total de propriedades invadidas hoje chega a 122 sendo que algumas dessas invasões ocorreram a mais de uma década. Nenhuma resolução por parte do governo, condenações ou qualquer forma de resolução do problema foi apresentado durante a ultima década. Todas essas propriedades tiveram as famílias dos proprietários e funcionários expulsas, muitas tiveram seus pertencem destruídos, roubados e sofreram agressões físicas. 

Falo isso por experiência própria. O Brasil realmente precisa ser estudado. Nós provavelmente somos o único lugar no mundo em que um grupo acusado de praticar genocídio, morre e sofre mais violência advinda do grupo que supostamente esta sendo perseguido. Ou melhor, provavelmente somos o único lugar do mundo em que esse tipo de acusação é amplamente aceita sem que ninguém exija dados empíricos que sustentem essa linha argumentativa.


2 ? Muito além do que uma exaltação da cultura dos povos indígenas, a pauta representa um posicionamento político claro e contrário ao modelo atual do agronegócio como um todo. Afinal a cobiça trazida pelo homem branco, na ideia desses sambistas, obviamente só existe em sistemas de explorações agrícolas que visem o lucro. Além disso, reforça a falsa narrativa de que ser a favor do agronegócio é ser contra o desenvolvimento dos povos indígenas e consequentemente da conservação ambiental. Nada mais falso e preconceituoso. Graças as tecnologias geradas através do estimulo do lucro nossos níveis de produtividade e produção crescem a cada ano sem a necessidade de abertura de novas áreas de floresta. Caso estivéssemos utilizando as mesmas técnicas produtivas dos guardiões da floresta para manter a produção atual, não restaria um metro quadrado de solo para se fazer conservação ambiental.

3 ? Os verdadeiros culpados nunca são nomeados. Se o agronegócio não tem relação com a situação atual dos indígenas brasileiros. Então o que explicaria as desigualdades existentes entre essas populações e o resto do Brasil? A resposta para esta pergunta não é simples nem direta, mas podemos tomar como exemplos outros grupos étnicos ao redor do mundo para elaborar um raciocínio. Uma das características que define um povo é de possuir uma determinada cultura. Uma cultura, como aponta Thomas Sowell (18), não consiste apenas em costumes, valores e atitudes mas também habilidades, talento e um modo especifico de vida que diretamente afetam os desempenhos econômicos, o que é chamado de capital humano pelos economistas. Os germânicos por exemplo carregaram e mantiveram sua cultura em todos países que emigraram desde Austrália, Brasil, Rússia ou Estados Unidos. Dentre as habilidades trazidas por esses imigrantes estava a de produzir pianos, o que os levou a serem os primeiros produtores de piano na América além da Austrália, França, Rússia e Inglaterra. Ou seja padrões de comportamentos repetidos ao longo do tempo em diferentes cenários geográficos e políticos gerando consequências semelhantes. Além dos alemães diversos outros grupos étnicos apresentam comportamento semelhante. Como os Chineses em vários países do Sudeste Asiático e no ocidente; os libaneses no Oeste da África, Austrália e Américas; os judeus na Europa, Oriente Médio e Austrália e Indianos em todos os continentes habitados do globo. Muitos desses chegando ao pais de destino em condição de pobreza extrema, sem habilidade de se comunicar utilizando a língua local e nenhum conhecimento da região. 

Nos Estados Unidos no começo do século dezenove a maioria dos imigrantes libaneses começaram a vida como vendedores ambulantes. Após alcançado algum avanço econômico, muitos abriram suas próprias lojas. Essas se constituíam em empreendimentos que demandavam o trabalho da família toda e ficam abertas de 16 a 18 hrs por dia. As casas geralmente se localizavam ao lado da loja ou no andar superior. Grandes marcas hoje mundialmente conhecidas como Levi Strauss, Macy?s e Bloomingdale?s criada por imigrantes Judeus e Haggar e Farah por libaneses, tiveram seu inicio como vendedores ambulantes no nível mais baixo da escada econômica. E em todos esses exemplos esses grupos apresentaram significativos avanços sociais e econômicos, muitas vezes superiores aos da população residente, em poucas gerações. Dada as diferenças culturais levadas e mantidas por esses grupos para cada local que estes emigraram, não existe razões para esperar desempenhos econômicos semelhantes entre eles muito menos com as populações existentes nos país de destino destas ondas migratórias. Na ESALQ-USP, eu estimaria com segurança que todos os anos pelo menos dois alunos naturais de Holambra são admitidos para o curso de Eng. Agronômica. Um desempenho impressionante para uma cidade com uma população tão modesta (13.375 hab). 

A conclusão que se tira desses fatos é clara, mas impossível de ser engolida pelos defensores do multiculturalismo. Resulta que, ao aceitar que o modo de vida e os costumes de um povo resultem em impactos na capacidade de produção de riqueza, leva invariavelmente a conclusão que existam culturas que favoreçam mais a ascensão social do que outras. No caso dos indígenas, seria um sacrilégio para os intelectuais defensores do multiculturalismo afirmar que o modo de vida e seus hábitos afeta o seu desempenho econômico e que partes do seu comportamento precisariam mudar para que ocorressem avanços sociais. Ou seja as causas do problema continuam mas o resultado tem que ser diferente. E se o resultado não é diferente a culpa é do resto da sociedade. Nenhum individuo pode ser culpado por ter nascido em uma determinada circunstancia de atraso social ou econômico, mas também nenhuma sociedade deve ser automaticamente assinalada como a causa ou a cura dessas determinadas diferenças (19). Obviamente crimes absurdos cometidos no passado ocorreram e não devem ser esquecidos. 

Porém, condenar um cidadão ou grupo a pagar uma "divida histórica" com a qual estes não tem nenhum tipo de ligação é cometer outro crime para tentar redimir o passado. No Brasil intelectuais, indigenistas, ONGs, FUNAI, militantes do PSOL, sambistas e professores de literatura acreditam que o único fator limitante para o pleno desenvolvimento das comunidades indígenas é a terra e que mantê-los enjaulados em zoológicos humanos conhecidos como reservas é o melhor para que esses não sofram contaminação de nossa degenerada cultura ocidental. Além disso, uma completa rede de assistencialismo é naturalmente necessária para tentar remediar os erros do passado. Não podemos também nos esquecer da imputabilidade penal que obviamente é necessária para que não cometamos ainda mais injustiça. 

Pronto! Agora sim temos a receita completa do fracasso: isolamento + dinheiro sem trabalho + diminuição das responsabilidades jurídicas. A cereja do bolo vem para garantir o desastre: um bode expiatório para a causa dos seus problemas! A cereja obviamente fornecida por estes mesmos intelectuais iluminados que naturalmente sabem mais que os próprios indígenas o que é melhor para o futuro deles. Difícil imaginar qual sociedade não entraria em colapso diante da mesma situação. 

Theodore Dalrymple (20) descreve com propriedade como a propagação do estado de bem estar social, o relativismo cultural e a eliminação do conceito de responsabilidade por seus atos vem afetando a vida dos menos privilegiados na Grã-Bretanha. Paradoxalmente, os maiores prejudicados são os mesmos indivíduos que os criadores destas ideias dizem ou pretendem defender. Mas obviamente, assim como no Brasil, para estes intelectuais é muito mais importante o falso preenchimento do seu ego do que a real analise da consequência de suas ideias.


4 ? Quem cala consente. Diante de toda argumentação levantada, evidencia-se a necessidade do repúdio a atitude da Escola de samba Imperatriz Leopoldinense. Nós, integrantes do agronegócio brasileiro nos sentimos orgulhosos do nosso papel no desenvolvimento econômico e social do nosso pais. Mas também sabemos que nada é perfeito, e que existem criminosos em todos setores, inclusive entre os indígenas e produtores rurais. Porém é necessário ressaltar o efeito que a grande maioria exerce é muito mais relevante que as exceções. E por isso condenamos falsas generalizações como esta. Temos a total convicção que estamos no caminho certo e somos reconhecidos ao redor do mundo por nosso trabalho. Não nos calaremos diante de calunias e difamações e estaremos sempre abertos ao debate honesto de ideias.

Referencias
1)http://www.noticiasagricolas.com.br/?/185126-carnavalesco-d?
2)http://www.beefpoint.com.br/?/escola-de-samba-imperatriz-l?/
3)http://www.carnavalesco.com.br/?/imperatriz-2017-samb?/18043
4)http://blogs.canalrural.com.br/?/contra-o-agro-ou-nao-carn?/
5)http://www.folhamax.com.br/op?/tempestade-no-carnaval/110970
6)http://www.beefpoint.com.br/?/agronegocio-sustenta-maior-s?/
7)http://markestrat.org/?/vai-agronegocio-marcos-fava-neves.p?
8)http://opiniao.estadao.com.br/?/geral,agrotoxicos-sao-neces?
9)http://oglobo.globo.com/?/o-ideologo-do-agronegocio-o-genoc?
10)http://oglobo.globo.com/?/mapa-da-violencia-2016-mostra-rec?
11)http://www.cimi.org.br/?/relatorio20?/relatoriodados2015.pdf
12)http://pesquisa.in.gov.br/imprensa/jsp/visualiza/index.jsp?
13)http://www.brasil.gov.br/?/populacao-indigena-no-brasil-e-d?
14)http://www.agrolink.com.br/?/indigenas-sao-autores-da-maior?
15)http://www.campograndenews.com.br/?/ibama-descobre-esquema-?
16)http://g1.globo.com/?/cerca-de-80-indios-ocupam-cinco-fazen?
17) http://famasul.com.br/?/famasul-recebe-governo-feder?/44686/
18) Thomas Sowell ? Wealth, Poverty and Politics: An international perspective.
19) Thomas Sowell ? Intellectuals and Race.
20) Theodore Dalrymple ? Life at the bottom

Notas:
1 Calculo baseado da estimativa de população brasileira em 2015 disponível em (12) menos a estimativa da população indígena para o mesmo ano.
2 População indígena para o ano de 2015 foi estimada baseada levando-se em conta a população contabilizada pelo IBGE em 2010 e utilizando a mesma taxa de crescimento que população brasileira durante o período.
Tiago Alves Corrêa Carvalho da Silva (Pãtanero F10) Ex Morador da República Zona Rural é aluno de Doutorado da School of Agriculture and Food Science, University of Queensland 

Comentário referente a notícia: Nota oficial da Imperatriz Leopoldinense reforça crítica contida em samba enredo

 

 

 

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NA + Blog Código Florestal

5 comentários

  • sergio antonio schleder Barreiras - BA

    A maioria destes carnavalescos, e suas corjas, não sabem quanto custa e nem como se produz uma folha de alface, imagine o restante, soja, milho, arroz, feijão, carne, frango, leite, e o algodão das roupas que vestem, no dia a dia e carnaval.

    É só deixar uma semana eles sem comer para ver o resultado, que vão comer folhas do parque do Xingu, ou comer a letra do samba enredo.

    O carnaval do Rio pode gerar renda para muita gente que precisa ganhar seu dinheirinho, atrai muito turista do mundo todos.

    Mas é gerido por um bando de safados, bicheiros, e outros mais que não podemos qualificar aqui, e a maioria que escreve o enredo não tem conhecimento, e nem busca informações.

    O agronegócio sustenta a economia, e move o Brasil, gerando milhões de empregos diretos e indiretos, em todos os seguimentos.

    Sem agricultura o Brasil quebra em um ano, pois não vai ter condições de importar alimentos.

    Mas sem CARNAVAL do rio podemos ficar, que não ha prejuízo para a nossa nação e sua população que trabalha e luta pelo pão de cada dia.

    Sérgio Schleder

    Barreiras Bahia Brasil

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    • Rodrigo Antonio Noro Ipiranga do norte - MT

      eles vivem de sonho e das drogas que sustentam essa porcaria

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  • Marco Antonio Canello Bragança Paulista - SP

    O Brasil do bem está perdendo a guerra para as organizações criminosas infiltradas nos três poderes, nas esferas municipais, estaduais e federal, e também para as que não estão no poder mas tem ligações com este, assim como também com parte da mídia que milita a favor destas organizações. Mesmo com a atuação da Polícia Federal e de parte da Justiça. estamos perdendo a guerra...

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  • Mônica Corrêa Aquidauana - MS

    Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós! ---

    Recentemente o tema do samba-enredo da Imperatriz Leopoldinense para o carnaval 2017 levantou grande discussão no meio agrícola (1,2). O tema principal na letra do samba (3) é o enaltecimento dos indígenas do Xingu como guardiões da floresta, os quais vivem em total harmonia neste meio. Harmonia esta que foi quebrada com a chegada do caraíba (homem branco) que trouxe a cobiça e a destruição de matas e rios. O samba termina com o refrão:

    "Salve o verde do xingu? a esperança

    A semente do amanhã? herança

    O clamor da natureza

    A nossa voz vai ecoar? preservar!"

    A mensagem é clara. O Brasil pré-descobrimento era o paraíso na terra ("o paraíso fez aqui o seu lugar") e seus primeiros habitantes, puras almas celestiais, as únicas capacitadas a preservar este paraíso. Dentre as alas apresentadas pela escola para este samba estão: "Fazendeiros e seus agrotóxicos", "doenças e pragas" e "olhos da cobiça".

    Tendo em vista as inúmeras manifestações de repúdio e criticas realizadas por instituições ligadas ao agro, o carnavalesco da escola concedeu uma entrevista (4) defendendo o enredo e alegando que a critica é pontual aos que desrespeitam a floresta e que em nenhum momento a intenção era agredir o agronegócio como um todo. Também afirmou que o tema principal do enredo é a exaltação aos povos indígenas, sua luta pela sobrevivência e sua floresta.

    A única conclusão que se tira é que se intenção não era de criticar o agronegócio, o enredo e as alegorias foram muito mal elaboradas. Seria difícil acreditar em tamanha falta de sensibilidade advinda de um setor onde a comunicação de ideias é pivô central do oficio. De maneira completamente contraditória a declaração dada pelo carnavalesco, a escola divulgou orgulhosamente em sua pagina oficial no facebook (5) um artigo em que o Prof. de literatura da UFMT celebra a atitude de colocar o "agronegócio na mira" durante o enredo de 2017. Em suas palavras o agronegócio.. "além de não produzir postos de trabalhos na proporção da quantidade de terras que ocupa, está sempre atolado em pesados agrotóxicos, comprovadamente, provocadores de adoecimentos de populações e de mortes de rios, incluindo o comprometimento de lençóis freáticos." Demonstrando desde já a vocação da Imperatriz Leopoldinense em se utilizar de mentiras para sua promoção e desmentindo a narrativa apresentada pelo carnavalesco durante a já referida entrevista.

    Mas porque essa crítica incomodou tanto os produtores e instituições ligadas ao setor? Afinal, em anos anteriores o agronegócio já foi usado como tema de samba enredo de maneira positiva. Nada mais democrático que aceitar as criticas, certo? Na minha opinião as respostas para essas questões se dão pelos seguintes fatores:

    1 ? Os profissionais envolvidos com a produção agrícola estão cansados de serem acusados indiscriminadamente por crimes que não cometeram. Acredito que este seja o ponto central de indignação. Desmatamento ilegal, racismo, trabalho escravo, poluição e genocídio indígena são apenas alguns dos crimes que são todos os dias expostos na mídia como sendo consequências diretas do agronegócio. A resposta a essas falsas acusações já foram discutidos em diversas oportunidades no âmbito da importância econômica, social e ambiental (6, 7, 8) e não vamos focar neste debate.

    Porém afirma-se também que o agro é o causador do "genocídio indígena" (9). O uso da palavra genocídio aterroriza qualquer cidadão comum que conhece a violência que se espalha pelo pais. Seriam os indígenas vitimas mais frequentes de assassinatos que os brasileiros não índios? Vamos aos números. Em 2015 foram registrados 59.627 mil homicídios no Brasil (10) sendo 137 destes contra indígenas (11). Considerando a população brasileira não-índia de 203.570.1561 (12) e a indígena de 880.4932 habitantes (13) chega-se aos valores de 15.6 e 29.2 assassinatos para cada 100 mil habitantes para índios e não-índios, respectivamente. Ou seja, mata-se quase duas vezes mais não-índios do que índios no Brasil. Além disso, a secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública do Mato Grosso do Sul afirma que, no período entre 2006 e 2013, 92% dos homicídios contra indígenas no estado tiveram outros indígenas como autores (14). Os números não parecem contar a mesma história que os carnavalescos e os professores de literatura martelam a torto e a direito nas cabeças dos cidadãos médios.

    Mas alguém poderia também argumentar que os produtores rurais estariam invadindo áreas indígenas e expulsando esses da suas reservas. Seriam essas alegações verdadeiras? Segundo o mesmo relatório anteriormente citado desenvolvido pelo CIMI (11), em MS no ano de 2015 houveram 2 casos de invasões possessórias contra terras indígenas, todas essas invasões com o objetivo de exploração de madeira ilegalmente. Também em todos esses casos, a madeira foi comercializada pelos próprios guardiões da floresta (11, 15). Segundo as reportagens ambos os casos foram solucionados e os criminosos autuados (muito provavelmente somente os não-indígenas).

    Aproximadamente no mesmo período de um ano entre agosto de 2015 (16) e setembro de 2016 (17), 34 propriedades rurais, todas compradas legalmente e tituladas pelo Estado brasileiro, foram invadidas por indígenas nesse mesmo estado. O numero total de propriedades invadidas hoje chega a 122 sendo que algumas dessas invasões ocorreram a mais de uma década. Nenhuma resolução por parte do governo, condenações ou qualquer forma de resolução do problema foi apresentado durante a ultima década. Todas essas propriedades tiveram as famílias dos proprietários e funcionários expulsas, muitas tiveram seus pertencem destruídos, roubados e sofreram agressões físicas.

    Falo isso por experiência própria. O Brasil realmente precisa ser estudado. Nós provavelmente somos o único lugar no mundo em que um grupo acusado de praticar genocídio, morre e sofre mais violência advinda do grupo que supostamente esta sendo perseguido. Ou melhor, provavelmente somos o único lugar do mundo em que esse tipo de acusação é amplamente aceita sem que ninguém exija dados empíricos que sustentem essa linha argumentativa.

    2 ? Muito além do que uma exaltação da cultura dos povos indígenas, a pauta representa um posicionamento político claro e contrário ao modelo atual do agronegócio como um todo. Afinal a cobiça trazida pelo homem branco, na ideia desses sambistas, obviamente só existe em sistemas de explorações agrícolas que visem o lucro. Além disso, reforça a falsa narrativa de que ser a favor do agronegócio é ser contra o desenvolvimento dos povos indígenas e consequentemente da conservação ambiental. Nada mais falso e preconceituoso. Graças as tecnologias geradas através do estimulo do lucro nossos níveis de produtividade e produção crescem a cada ano sem a necessidade de abertura de novas áreas de floresta. Caso estivéssemos utilizando as mesmas técnicas produtivas dos guardiões da floresta para manter a produção atual, não restaria um metro quadrado de solo para se fazer conservação ambiental.

    3 ? Os verdadeiros culpados nunca são nomeados. Se o agronegócio não tem relação com a situação atual dos indígenas brasileiros. Então o que explicaria as desigualdades existentes entre essas populações e o resto do Brasil? A resposta para esta pergunta não é simples nem direta, mas podemos tomar como exemplos outros grupos étnicos ao redor do mundo para elaborar um raciocínio. Uma das características que define um povo é de possuir uma determinada cultura. Uma cultura, como aponta Thomas Sowell (18), não consiste apenas em costumes, valores e atitudes mas também habilidades, talento e um modo especifico de vida que diretamente afetam os desempenhos econômicos, o que é chamado de capital humano pelos economistas. Os germânicos por exemplo carregaram e mantiveram sua cultura em todos países que emigraram desde Austrália, Brasil, Rússia ou Estados Unidos. Dentre as habilidades trazidas por esses imigrantes estava a de produzir pianos, o que os levou a serem os primeiros produtores de piano na América além da Austrália, França, Rússia e Inglaterra. Ou seja padrões de comportamentos repetidos ao longo do tempo em diferentes cenários geográficos e políticos gerando consequências semelhantes. Além dos alemães diversos outros grupos étnicos apresentam comportamento semelhante. Como os Chineses em vários países do Sudeste Asiático e no ocidente; os libaneses no Oeste da África, Austrália e Américas; os judeus na Europa, Oriente Médio e Austrália e Indianos em todos os continentes habitados do globo. Muitos desses chegando ao pais de destino em condição de pobreza extrema, sem habilidade de se comunicar utilizando a língua local e nenhum conhecimento da região.

    Nos Estados Unidos no começo do século dezenove a maioria dos imigrantes libaneses começaram a vida como vendedores ambulantes. Após alcançado algum avanço econômico, muitos abriram suas próprias lojas. Essas se constituíam em empreendimentos que demandavam o trabalho da família toda e ficam abertas de 16 a 18 hrs por dia. As casas geralmente se localizavam ao lado da loja ou no andar superior. Grandes marcas hoje mundialmente conhecidas como Levi Strauss, Macy?s e Bloomingdale?s criada por imigrantes Judeus e Haggar e Farah por libaneses, tiveram seu inicio como vendedores ambulantes no nível mais baixo da escada econômica. E em todos esses exemplos esses grupos apresentaram significativos avanços sociais e econômicos, muitas vezes superiores aos da população residente, em poucas gerações. Dada as diferenças culturais levadas e mantidas por esses grupos para cada local que estes emigraram, não existe razões para esperar desempenhos econômicos semelhantes entre eles muito menos com as populações existentes nos país de destino destas ondas migratórias. Na ESALQ-USP, eu estimaria com segurança que todos os anos pelo menos dois alunos naturais de Holambra são admitidos para o curso de Eng. Agronômica. Um desempenho impressionante para uma cidade com uma população tão modesta (13.375 hab).

    A conclusão que se tira desses fatos é clara, mas impossível de ser engolida pelos defensores do multiculturalismo. Resulta que, ao aceitar que o modo de vida e os costumes de um povo resultem em impactos na capacidade de produção de riqueza, leva invariavelmente a conclusão que existam culturas que favoreçam mais a ascensão social do que outras. No caso dos indígenas, seria um sacrilégio para os intelectuais defensores do multiculturalismo afirmar que o modo de vida e seus hábitos afeta o seu desempenho econômico e que partes do seu comportamento precisariam mudar para que ocorressem avanços sociais. Ou seja as causas do problema continuam mas o resultado tem que ser diferente. E se o resultado não é diferente a culpa é do resto da sociedade. Nenhum individuo pode ser culpado por ter nascido em uma determinada circunstancia de atraso social ou econômico, mas também nenhuma sociedade deve ser automaticamente assinalada como a causa ou a cura dessas determinadas diferenças (19). Obviamente crimes absurdos cometidos no passado ocorreram e não devem ser esquecidos.

    Porém, condenar um cidadão ou grupo a pagar uma "divida histórica" com a qual estes não tem nenhum tipo de ligação é cometer outro crime para tentar redimir o passado. No Brasil intelectuais, indigenistas, ONGs, FUNAI, militantes do PSOL, sambistas e professores de literatura acreditam que o único fator limitante para o pleno desenvolvimento das comunidades indígenas é a terra e que mantê-los enjaulados em zoológicos humanos conhecidos como reservas é o melhor para que esses não sofram contaminação de nossa degenerada cultura ocidental. Além disso, uma completa rede de assistencialismo é naturalmente necessária para tentar remediar os erros do passado. Não podemos também nos esquecer da imputabilidade penal que obviamente é necessária para que não cometamos ainda mais injustiça.

    Pronto! Agora sim temos a receita completa do fracasso: isolamento + dinheiro sem trabalho + diminuição das responsabilidades jurídicas. A cereja do bolo vem para garantir o desastre: um bode expiatório para a causa dos seus problemas! A cereja obviamente fornecida por estes mesmos intelectuais iluminados que naturalmente sabem mais que os próprios indígenas o que é melhor para o futuro deles. Difícil imaginar qual sociedade não entraria em colapso diante da mesma situação.

    Theodore Dalrymple (20) descreve com propriedade como a propagação do estado de bem estar social, o relativismo cultural e a eliminação do conceito de responsabilidade por seus atos vem afetando a vida dos menos privilegiados na Grã-Bretanha. Paradoxalmente, os maiores prejudicados são os mesmos indivíduos que os criadores destas ideias dizem ou pretendem defender. Mas obviamente, assim como no Brasil, para estes intelectuais é muito mais importante o falso preenchimento do seu ego do que a real analise da consequência de suas ideias.

    4 ? Quem cala consente. Diante de toda argumentação levantada, evidencia-se a necessidade do repúdio a atitude da Escola de samba Imperatriz Leopoldinense. Nós, integrantes do agronegócio brasileiro nos sentimos orgulhosos do nosso papel no desenvolvimento econômico e social do nosso pais. Mas também sabemos que nada é perfeito, e que existem criminosos em todos setores, inclusive entre os indígenas e produtores rurais. Porém é necessário ressaltar o efeito que a grande maioria exerce é muito mais relevante que as exceções. E por isso condenamos falsas generalizações como esta. Temos a total convicção que estamos no caminho certo e somos reconhecidos ao redor do mundo por nosso trabalho. Não nos calaremos diante de calunias e difamações e estaremos sempre abertos ao debate honesto de ideias.

    Referencias

    1)http://www.noticiasagricolas.com.br/?/185126-carnavalesco-d?

    2)http://www.beefpoint.com.br/?/escola-de-samba-imperatriz-l?/

    3)http://www.carnavalesco.com.br/?/imperatriz-2017-samb?/18043

    4)http://blogs.canalrural.com.br/?/contra-o-agro-ou-nao-carn?/

    5)http://www.folhamax.com.br/op?/tempestade-no-carnaval/110970

    6)http://www.beefpoint.com.br/?/agronegocio-sustenta-maior-s?/

    7)http://markestrat.org/?/vai-agronegocio-marcos-fava-neves.p?

    8)http://opiniao.estadao.com.br/?/geral,agrotoxicos-sao-neces?

    9)http://oglobo.globo.com/?/o-ideologo-do-agronegocio-o-genoc?

    10)http://oglobo.globo.com/?/mapa-da-violencia-2016-mostra-rec?

    11)http://www.cimi.org.br/?/relatorio20?/relatoriodados2015.pdf

    12)http://pesquisa.in.gov.br/imprensa/jsp/visualiza/index.jsp?

    13)http://www.brasil.gov.br/?/populacao-indigena-no-brasil-e-d?

    14)http://www.agrolink.com.br/?/indigenas-sao-autores-da-maior?

    15)http://www.campograndenews.com.br/?/ibama-descobre-esquema-?

    16)http://g1.globo.com/?/cerca-de-80-indios-ocupam-cinco-fazen?

    17) http://famasul.com.br/?/famasul-recebe-governo-feder?/44686/

    18) Thomas Sowell ? Wealth, Poverty and Politics: An international perspective.

    19) Thomas Sowell ? Intellectuals and Race.

    20) Theodore Dalrymple ? Life at the bottom

    Notas:

    1 Calculo baseado da estimativa de população brasileira em 2015 disponível em (12) menos a estimativa da população indígena para o mesmo ano.

    2 População indígena para o ano de 2015 foi estimada baseada levando-se em conta a população contabilizada pelo IBGE em 2010 e utilizando a mesma taxa de crescimento que população brasileira durante o período.

    Tiago Alves Corrêa Carvalho da Silva (Pãtanero F10) Ex Morador da República Zona Rural é aluno de Doutorado da School of Agriculture and Food Science, University of Queensland

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    • carlo meloni sao paulo - SP

      Monica===Clicar no positivo e' pouco---Parabéns pelos argumentos ,,,,e obrigado pela dedicação e tempo gasto sobre o assunto

      1
  • Marco Antonio Canello Bragança Paulista - SP

    Mais um evento nacional (assim como foi o da abertura das Olimpíadas) com um tema que tem por objetivo manipular a opinião pública através de mentiras plantadas pelos socialistas... Não são ambientalistas, são socialistas ("banditistas") que querem destruir a cultura e a economia do nosso País..., assim como fizeram em Cuba e Venezuela, o Agronegócio é o mais importante setor a ser atacado... Essa escola usa esse tema, claro, em troca de dinheiro, mas é um dinheiro proveniente dos impostos que trabalhamos muito para pagar e que são desviados para financiar essas atividades esquerdistas. Por favor assistam tudo sobre o que os socialistas estão fazendo no Brasil no site www.brasil.paralelo.com.br.

    4
  • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

    Parabéns Luis Fernando Maraska Fucks, muito boa a nota rebatendo Luizinho Drummond. Acrescento à ela a mistificação promovida pela Imperatriz do "nessa terra se plantando tudo dá". Vai nessa, não fosse o suor e sangue do produtor o Brasil não seria a potência agricola que é hoje. Onde é que estão esses estudos que falam? Mistificação pura, e se não temos produtos melhores é pela ganância de um governo que prefere arrecadar muito para financiar carnaval à melhorar ainda mais a qualidade de vida do povo pobre brasileiro. O carnaval nem cultura é, é só uma ilusão idiota de um povo pobre que também prefere sonhar o sonho de ser rico do que ser de fato rico. A cultura popular brasileira é muito mais rica que uma farra sem sentido promovida para iludir e enganar o povo. Da alta cultura então, os carnavalescos passam longe, criando simbolos e mitos falsos para perpetuar um modo de pensar que segrega e separa os brasileiros.

    4
    • Rodrigo Otávio de Araujo Herval Coromandel - MG

      Parabéns à escola pela crítica. Aguardamos nos próximos enredos criticas à contravenção penal denominada "Jogo do Bicho" e também ao uso da cocaína nas comun idades cariocas.

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    • EDMILSON JOSE ZABOTT PALOTINA - PR

      Também a Escola deve criar um enredo sobre o Bom Desempenho Administrativo e Econômico do Rio de Janeiro , que tem sido destaque no Mundo no Atendimento a Saúde Pública e Na Segurança Pública . Talvez com este Tema está Escola Imperatriz Ganhe o Primeiro Lugar.

      3
    • sergio antonio schleder Barreiras - BA

      Conte a istoria riqueza da família Cabral que esta fazendo curso na peniteciária no Rio, conte sobre os asaltos e mortes a turista que acontecem todos os dias no rio

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