Bunge não prevê emitir ações em IPO de usinas no país; prevê moagem maior em 18/19

Publicado em 16/05/2018 15:00

Por José Roberto Gomes

SÃO PAULO (Reuters) - A gigante do agronegócio Bunge não prevê emitir novas ações para o planejado IPO de seu negócio de açúcar e etanol no Brasil, em um processo coordenado pelos bancos Itaú BBA, JP Morgan e Santander, de acordo com documento apresentado pela empresa nesta quarta-feira.

Conforme o prospecto preliminar para a oferta pública inicial de ações enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa indicou que venderá ações próprias na potencial transação envolvendo a Bunge Açúcar & Bioenergia.

A medida "nos dá a opção de tornar a empresa pública, se assim quisermos, dependendo do ambiente", disse o vice-presidente-executivo e diretor financeiro da Bunge, Thomas Boehlert, em evento em Nova York nesta quarta-feira, um dia após a companhia anunciar a submissão do prospecto.

As ações da empresa nos EUA operavam praticamente estáves, por volta das 14h30 (horário de Brasília).

Conforme dados apresentados pela empresa, a Bunge Açúcar & Bioenergia teve prejuízo de 112 milhões de reais no primeiro trimestre de 2018, ante resultado negativo de 62 milhões um ano antes.

A geração de caixa, medida pelo lucro antes de impostos, taxas, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado cedeu 53 por cento no período, para 71 milhões de reais.

Além disso, a dívida da empresa ao fim de março era de quase 3 bilhões de reais.

Não só a Bunge, mas o setor sucroenergético brasileiro como um todo tem enfrentado tempos difíceis, com os preços do açúcar em mínimas em anos dada a ampla oferta global.

A Bunge, que entrou no segmento do país em 2010, tentou vender suas oito usinas brasileiras de açúcar e etanol por quatro anos, mas um processo separado de venda não conseguiu atrair o interesse firme de investidores estratégicos ou financeiros.

A maioria de suas unidades no Brasil está localizada no norte do Estado de São Paulo e no sul de Minas Gerais. A empresa tem capacidade para processar cerca de 22 milhões de toneladas de cana por safra.

Na última safra, a 2017/18, a companhia produziu 961 mil toneladas de açúcar, ante 988 mil no ciclo anterior. A fabricação de etanol, por sua vez, aumentou para 975 milhões de litros, de 925,5 milhões na temporada 2016/17.

Para o ciclo vigente, iniciado em abril, a Bunge Açúcar & Bioenergia espera moer entre 20 milhões e 21 milhões de toneladas de cana, alta de 1 milhão de toneladas sobre 2017/18, destacou a empresa no prospecto.

Mais cedo nesta quarta-feira, executivos da Bunge reafirmaram, durante evento em Nova York, que após o IPO a gigante ainda manterá participação majoritária nas usinas no Brasil.

(Por Carolina Mandl e Marcelo Teixeira)

((Tradução Redação São Paulo 55 11 56447751))REUTERS JRG RS

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Roberto Rodrigues avalia que a falta de recursos para o seguro rural deixa o Plano Safra incompleto
Na mira da União Europeia, falta de gestão sobre as emissões de carbono pode limitar exportações brasileiras
Podcast NA #114 - Cadeia produtiva do feijão vive uma das maiores transformações da história
Membro do BCE faz alerta sobre inflação subjacente apesar da queda do petróleo
Crescimento do setor de serviços dos EUA desacelera em junho; emprego se recupera
Setor que movimenta mais de 25% do PIB brasileiro vira porta de entrada para profissionais do mercado financeiro; evento gratuito em Curitiba mostra como