Covid-19 gera efeito altista nos preços agropecuários e IPPA/Cepea sobe 14,2% no 1º semestre

Publicado em 24/07/2020 15:36

Ao longo do primeiro semestre de 2020, a pandemia de covid-19 teve, em geral, um efeito altista nos preços agropecuários brasileiros, movimento esse que fugiu do esperado para esse período. Com isso, o IPPA/Cepea (Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários) subiu 14,24% de janeiro a junho de 2020 frente ao mesmo semestre de 2019, de acordo com cálculos do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP.

Segundo pesquisadores do Cepea, os efeitos da pandemia sobre os mercados ocorreram por meio de altas pontuais significativas na demanda interna, relacionadas às incertezas logísticas e de abastecimento, que elevaram os preços de importantes cadeias. Além disso, a desvalorização do Real frente ao dólar favoreceu as exportações, que estiveram em ritmo bastante aquecido no primeiro semestre, especialmente no caso de soja, algodão e carnes (veja mais aqui). Vale destacar, também, que a covid-19 apresentou pressões de baixa sobre as cotações de alguns produtos, dada a dificuldade de escoamento da produção e o enfraquecimento da demanda.

Na comparação dos valores médios do primeiro semestre de 2020 e o mesmo período de 2019, verifica-se que o IPPA/Cepea foi influenciado pelas altas reais de 19,45% no IPPA-Grãos/Cepea, de 12,75% no IPPA-Pecuária/Cepea e de 8,83% no IPPA-Café+Cana/Cepea. Já o IPPA-Hortifrutícolas/Cepea apresentou queda real de 3,70%.

Conforme modelo do Cepea, o aumento do IPPA/Cepea não era esperado, considerando-se os movimentos de sazonalidade e cíclico e mesmo os efeitos já conhecidos da Peste Suína Africana (PSA) sobre os preços, sendo devido a choques não antecipados. Esses choques, por sua vez, estiveram relacionados sobretudo às dinâmicas para o IPPA-Grãos/Cepea, especialmente da soja, e do IPPA-Pecuária/Cepea, atrelado ao comportamento da arroba bovina. 

Para a soja, o movimento de sazonalidade levaria a uma redução dos preços ao longo do primeiro quadrimestre do ano, com o avanço da colheita. Assim, a alta não esperada foi reflexo da significativa desvalorização do Real frente ao dólar, da demanda externa aquecida e da menor relação estoque/consumo mundial e brasileiro. Para o boi gordo, os preços se mantiveram no limite dos intervalos de confiança do valor esperado, ainda que próximos do limite superior. Apesar de todo o cenário incerto diante da pandemia, as cotações foram impulsionadas pela baixa oferta e pelo ritmo intenso dos embarques brasileiros de carne bovina. 

 

Fonte: Cepea

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Governo retira 850 milhões do Funcafé, recurso exclusivo para a cafeicultura, e gera reação do setor
Fenec 2026 traz oportunidades de negócios e alertas para comercialização em ano difícil para o agro
Expectativa é de que Fed mantenha juros inalterados por ora à medida que inflação volta a diminuir
Rússia afirma que ataques ucranianos elevam preços globais de alimentos
História de sobrevivência ao terremoto de colombiana proporciona ao filho aniversário inesquecível
Trump afirma que EUA têm “controle total” sobre Estreito de Ormuz