Suprimentos: como lidar com os riscos do novo modelo de mercado e infraestrutura

Publicado em 28/07/2020 08:06

Para entender a situação atual do mercado de milho no Brasil no que se refere a preço, produção, abastecimento interno e exportação, primeiro é preciso aceitar que o mercado mudou e está alinhado aos movimentos em nível global das commodities. Quem explica esta questão é Arene Trevisan, Diretor de Suprimentos e Grãos da JBS.

Segundo ele, o pensamento de que teremos uma safra boa pode não significar abundância no abastecimento, nem tão pouco preços competitivos no mercado interno.

“O mundo consumidor e as tradings estão permanentemente em busca de oportunidades de negócios, com liquidez diária, em qualquer geografia e com interesse permanente de comprar ou vender produto”, explicou. “Já os preços são impactados diretamente pela expectativa futura de oferta e demanda global com a respectiva evolução dos estoques, além da influência nas oscilações do câmbio de cada país”, disse.

Trevisan destacou que esta combinação evoluiu para a safra ser mais um período de atuação operacional e logística para movimentação dos volumes contratados do que oportunidade de compras, como historicamente foi no Brasil.

“Este aprendizado, embora lento na minha visão, mostra sinais concretos de evolução, mas os desafios estão no aprendizado de como lidar com os riscos deste novo modelo e a infraestrutura necessária para acomodar os volumes que o setor integrador demanda”, explicou.

“Embora com boa safra tanto para o milho quanto para a soja no Brasil, estamos sendo muito impactados no custo em função do câmbio. Para o sistema de produção de proteína animal, o desafio está em como equilibrar a escalada de custos em função da variação cambial e vender num mercado interno com renda decrescente”.

Fonte: AviSite

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