Escassez de fertilizantes e Reforma Tributária norteiam reunião da FPA

Publicado em 16/03/2022 11:15
Entidades do setor entregaram manifesto com ressalvas à PEC 110 em análise no Senado

A reunião da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), desta terça-feira (15), voltou a tratar da falta de fertilizantes e da dependência do Brasil na importação de insumos importantes para o setor. Parlamentares relataram a necessidade da aprovação de projetos para um melhor aproveitamento das riquezas contidas em solo nacional. O texto da Reforma Tributária também foi alvo do debate e objeto de um manifesto assinado pelas entidades do Instituto Pensar Agro (IPA).

O senador Zequinha Marinho (PL-PA), vice-presidente da bancada no Senado Federal, afirmou que diversas pautas que ainda necessitam de aprovação convergem para a diminuição da dependência do país em relação aos fertilizantes e mostrou preocupação com o fato de estarmos em ano eleitoral.

“Temas primordiais como Licenciamento Ambiental, Regularização Fundiária e Pesticidas, além de necessários para o Brasil, vão auxiliar na questão dos fertilizantes, ajudando na mitigação da burocracia e abrindo espaço para uma exploração responsável de uma terra rica e produtiva como a nossa. Entretanto, estamos em ano eleitoral, o que nos exige celeridade, pois daqui a pouco todos correm para suas bases”, disse Zequinha.

Para o vice-presidente da FPA na Câmara dos Deputados, Neri Geller (PP-MT), o país já sofreu impactos consideráveis acerca dos fertilizantes antes mesmo do início dos conflitos entre Rússia e Ucrânia. “A gente comprava potássio por US$ 340, passou para US$ 800 e agora está em US$ 1,250,00. É um acréscimo que inviabiliza a produção em qualquer região”, frisou.

De acordo com o parlamentar, é importante aproveitar o momento para uma reestruturação que torne o Brasil menos dependente, com a possibilidade de explorar as próprias riquezas. Segundo Neri, a evolução passa por projetos que hoje se encontram no Senado Federal.

“Isso passa pelo Licenciamento que trará celeridade para a possibilitar a exploração de minerais essenciais, fora de reservas indígenas. O projeto vai dar autoridade necessária aos órgãos licenciadores, inclusive para serem punidos caso cometam crime ambiental. Está fácil para se votar”, garantiu Geller.

Para o senador Chico Rodrigues (DEM-RR), membro da FPA, “estamos vivendo um momento histórico no Brasil e no mundo, muito por conta dos preços astronômicos dos fertilizantes”. Na opinião dele, o país possui uma das maiores reservas de minerais do planeta e não faz uso por questões burocráticas. “Temos potássio em abundância, por exemplo, mas não usamos por entraves ambientais. Nossas lavouras correm sérios riscos, somos o 4º maior produtor de cereais do mundo e precisamos nos movimentar”, explicou Chico.

O senador Lasier Martins (PODEMOS-RS), também corrobora o pensamento de seus pares e acredita que a situação pode se agravar caso nada seja feito. “Faltam políticas de desenvolvimento. Temos força enquanto legisladores para mudar esse rumo, principalmente em relação à exploração de riquezas. Nosso solo resolverá qualquer problema do nosso país, mas precisamos utilizá-lo com responsabilidade”, concluiu.

Reforma Tributária

A PEC 110 também foi abordada na reunião desta terça-feira e abriu espaço para a participação de algumas entidades do setor produtivo. Um manifesto com assinatura de 40 instituições foi entregue ao senador Zequinha Marinho. Na visão do setor, sem a observância dos pontos elencados, o texto é negativo para as pretensões do agro brasileiro.

Para Bruno Lucchi, superintendente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), o manifesto foi necessário para angariar apoio na apresentação de destaques ao texto que está em análise no Senado Federal. “Caso sejam apresentados os destaques contidos em nosso manifesto poderemos apoiar o texto. Caso não aconteça o entendimento, não será possível o apoio por parte do setor”, afirmou.

O senador Zequinha Marinho entende que com o diálogo necessário será possível avançar. “É muito importante dar tratamento diferenciado à questão da produção e comercialização de alimentos. A FPA tem se mobilizado e vamos ouvir o relator para que o setor não seja taxado da mesma maneira que outros produtos. O alimento é imprescindível para todo mundo e precisa ser tratado como tal”, finalizou.

A reunião contou também com a presença dos senadores Lucas Barreto (PSD-AP), Eduardo Girão (PODEMOS-CE) e Jayme Campos (DEM-MT).

Fonte: FPA

NOTÍCIAS RELACIONADAS

UE planeja reduções mais graduais de CO2, com mais licenças gratuitas para indústria em reforma do mercado de carbono
UE espera que EUA cumpram obrigações de acordo comercial apesar de ameaça à Espanha
Ações de Hong Kong sobem com compras nas baixas; índices da China atingem mínima em um mês
Trump afirma que acordo interino com Irã para pôr fim à guerra “acabou”
Irã ataca alvos no Bahrein e no Kuweit após onda de ataques dos EUA
Governo da Venezuela diz que número de mortos pelos terremotos chega a 3.685