Discurso da Senadora Kátia Abreu na posse da nova diretoria da FAEMG em 20/11/08

Publicado em 25/11/2008 13:06 1646 exibições

“Cumprimento a todos da Diretoria eleita da FAEMG e estou encantada com a presença da nova diretora, Denise Cássia Garcia. Muito me conforta essa participação e essa homenagem que os mineiros fazem a nós mulheres, colocando você para representar a todas nós.<?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" />

 

Hoje é um dia de festa. Um dia de alegria, em que estamos reconduzindo à frente de uma das Federações mais importantes do Brasil um mineiro bravo, valente, corajoso, que é Roberto Simões. Mas eu não poderia deixar de dizer aqui, Roberto, que você tem o privilégio de dirigir esta Federação, mas no momento em que estamos enfrentando um dos períodos mais difíceis da agricultura e do agronegócio brasileiros.

 

Senhor vice-presidente da República, este momento não tem a ver com a crise internacional apenas. Ela representa muito pouco do que estamos passando hoje. Estamos falando de uma crise muito maior, que não é de um só governo, mas sim de vários, que insistem numa política agrícola de abastecimento. Não numa política agrícola de abastecimento e renda, como fazem os governos da Europa e dos Estados Unidos com os produtores rurais. Lá, senhor vice-presidente, os governos fazem como no Brasil sempre foi feito: garantem comida barata para a população, mas com uma diferença crucial: garantem a renda, ao contrário do que ocorre aqui. Garantem o preço para que não matem a galinha dos ovos de ouro dos seus países. Aqui, no Brasil, os nossos governos sempre garantiram a política de abastecimento, com preço baixo e comida barata. E, nós, produtores, garantimos o resto: a qualidade, a tecnologia e o prejuízo.

 

Nós chegamos num desafio tamanho, o meu muito especial, não só por estar à frente da CNA, como a primeira mulher que preside essa entidade num momento difícil de crise, mas ainda substituindo um dos mineiros mais brilhantes deste país, que é Antonio Ernesto de Salvo. Peço todos os dias que o raio de sua inteligência privilegiada que Deus levou possa iluminar os dias e as horas do meu mandato.

 

Nós queremos que o agronegócio não seja tratado com romantismo. Não somos mártires. Nós somos profissionais. Nós estamos no mundo capitalista. Se quiserem comida barata para a sociedade isso tem um preço. Lá fora quem paga são os consumidores e os contribuintes. E nós, produtores, não mais vamos continuar pagando essa conta sozinhos.

 

Nós somos chamados, assim como vossa excelência, senhor vice-presidente, que também é um produtor rural competente, a alimentar as famílias. Somos convocados, dura e brutalmente, para sermos fiscais da natureza. Somos chamados, todos os dias, para preencher os vazios institucionais e sociais no campo, onde o estado brasileiro não consegue alcançar. E nós assumimos esta responsabilidade com as questões trabalhistas e as leis impostas. Somos convocados e obrigados a ocupar o campo. Convocados a produzir com prejuízo, ou somos desapropriados, mesmo em momentos de crise, em momentos ferrenhos.

 

Esta sobrecarga sem remuneração chegou ao fim. Nós chegamos ao nosso limite máximo. Passamos esta safra a duras penas, com produtores vendendo máquinas, pedaços de terra, carro e, às vezes, até a própria casa. Mas, para a próxima safra, temos que fazer um pacto, uma união forte das entidades de classe, com o governo federal, com nosso ministro Reinhold Stephanes, que tem sido um grande parceiro, com o Banco Central e o Banco do Brasil, e com o Ministério do Planejamento. Se todos nós, juntos, não sentarmos à mesa e tentarmos imitar o se faz no primeiro mundo, garantindo a renda do nosso produtor, teremos um desgosto muito grande na próxima safra.

 

O que nós não queremos é que a crise internacional chegue aqui da pior forma possível. O povo brasileiro ainda não sentiu a crise, apenas a conhece pela televisão e jornais. E nós não queremos que ele conheça a crise na mesa, no prato de comida, que é a forma mais triste de se conhecer uma crise.

 

Nós garantimos o Plano Real e fomos chamados de “âncora verde” deste país. Nós combatemos duramente a inflação, sob nossa responsabilidade. E nós estamos preparados, com altivez, com brilhantismo, para continuar ajudando o país e ajudando a não deixar a maldita inflação voltar ao Brasil, principalmente aos nossos alimentos.

 

Precisamos contar com a compreensão do governo brasileiro. Precisamos ser tratados de forma profissional. Estamos aqui para trabalhar de maneira eficiente e queremos ser reconhecidos como são os banqueiros, o sistema financeiro, os industriais, os comerciantes. Sim, nós somos bravos e bravas brasileiros e brasileiras, espalhados por esse campo. Queremos ajudar o país, mas nós queremos sobreviver, queremos ganhar dinheiro e dar uma vida melhor para nossos filhos e netos, que isso não é pecado em lugar nenhum do mundo.

 

Daqui para frente, senhor vice-presidente, como nunca antes, nós não mais aceitaremos, deste ou de qualquer outro governo, que políticas possam ser formuladas e nós tenhamos que aceitar sem consentir. Nós somos os líderes do agronegócio brasileiro. A CNA comanda legalmente esse agronegócio. Somos competentes e fortes para reagir e queremos participar dessa grande política agrícola que deverá ser reajustada, mantendo a mesma fórmula do mundo inteiro: abastecimento sim, comida barata sim, mas renda no bolso de cada um de nós.

 

Muito obrigada a todos e parabéns a esta diretoria!”

 

 

Fonte: Sindicato dos Produtores Rurais de Campo Belo (MG)

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Sind. Rural Campo Belo-MG

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