Um debate diferente sobre os desafios e as oportunidades do agronegócio brasileiro

Publicado em 29/11/2024 12:26 e atualizado em 29/11/2024 15:19
Evento da Aprosoja Brasil, Abramilho e Aprosoja Mato Grosso reuniu jornalistas e especialistas para um diálogo sobre o presente e futuro do agro no país

Promover um diálogo exclusivo entre jornalistas que atuam com o agronegócio e especialistas renomados para a construção de informações relevantes sobre o presente e o futuro do Agro brasileiro. Essa foi a iniciativa do evento promovido em parceria com a Aprosoja Brasil, Abramilho e Aprosoja Mato Grosso, que aconteceu no dia 28 de novembro, na sede da Abramilho, em Brasília.

A ação inédita das Associações reuniu mais de 20 profissionais da imprensa de diversas regiões do Brasil, e proporcionou a exposição de painéis informativos que debateram temas cruciais e relevantes sobre o agronegócio. Na dinâmica do evento, os jornalistas também tiveram a oportunidade de expor suas posições e opiniões sobre os assuntos abordados, o que resultou em uma troca positiva de experiências. "A gente precisa realmente fazer alguma coisa para comunicar melhor. A gente não comunica direito. Então, pensamos: vamos começar. Aí saiu este evento totalmente interativo para podermos de fato levar para frente a verdade sobre o agronegócio. E para isso, ouvir a opinião dos jornalistas, o que eles pensam e tal é fundamental", explicou Glauber Silveira, diretor executivo da Abramilho. 

Para o presidente da Aprosoja Brasil, Maurício Buffon, o resultado deste primeiro encontro foi muito positivo para a Associação. "A ideia foi trazer temas que são bastante debatidos na mídia. Nossa proposta agora é trabalhar para continuar com essa comunicação entre as associações, especialistas e jornalistas para que juntos possamos comunicar de forma correta o público urbano. Nosso desejo é mostrar as partes boas que o agro tem, não só os grandes problemas do setor. A ideia é mostrar o agro como ele realemente é", completou o presidente. 

O evento contou com a dinâmica de quatro painéis, conduzidos por palestrantes renomados, que foram a base para o diálogo entre os participantes. Um dos temas debatidos foi a preservação ambiental. O painel conduzido pela chefe adjunta de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Territorial, Lucíola Alves, apresentou dados relacionados ao desmatamento no Brasil, e apontou que o país é o maior em áreas protegidas, e tem sobre sua responsabilidade 12% das áreas protegidas do mundo. Esse montante representa um valor patrimonial de mais de R$ 3 trilhões.  "Hoje em dia temos problemas para encontrar e relacionar os dados divulgados sobre o desmatamento no Brasil. Mas, pelo o tenho visto,  estamos evoluindo bem com novas ferramentas e novas formas de fiscalização, e isso está ajudando bastante na preservação ambiental", contou a analista especialista.

Já o professor titular do Departamento de Proteção de Plantas da Faculdade de Ciências Agronômicas da UNESP, Caio Carbonari, trouxe para o debate a importância das práticas agrícolas sustentáveis. Durante sua apresentação, demonstrou o quanto o Brasil é referência mundial em boas práticas sustentáveis e no controle biológico, "o setor que mais cresce em ciência, tecnologia e inovação é a agropecuária", destacou ainda o professor.

A advogada em Direito Ambiental, Samanta Pineda, foi enfática na abordagem sobre a Legislação Ambiental do Brasil. "Nossa legislação é boa, mas falta política pública. O governo precisava fazer um zooneamento ecológico-ecônomico do Brasil como um todo e, precisamos urgente de uma lei geral de licenciamento ambiental ativa. Com isso, com certeza, iria diminuir as hipóteses para corrupção no meio ambiente. Sem um plano, não há regras. E no fim, quem sofre com tudo isso é o produtor rural", disse a advogada. 

E coube ao especialista em economia da FGV, Daniel Vargas, falar sobre o desafio do Brasil diante das negociações internacionais. O especialista tem acompanhado de perto o debate  sobre a lei EUDR, trouxe sua analise sobre o tema, e falou também sobre a expectativa para a COP 30 e a Moratória da Soja. "O Brasil precisa ser reconhecido em seus esforços  em biodiversidade e boas práticas agrícolas", comentou o economista. 

Para Glauber, esse é só o primeiro de muitos outros encontros que virão: "A gente vai continuar fazendo este evento, e vamos nos aprofundando mais. Nos próximos, vamos tentar trazer também jornalistas internacionais. Imagina os correspondentes que estão aqui debatendo com eles?" vislumbou o diretor executivo da Abramilho. 
 

Por: Raphaela Ribeiro
Fonte: Notícias Agrícolas

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