BC da China suspende compra de títulos em meio à forte queda do iuan

Publicado em 10/01/2025 07:51

XANGAI (Reuters) - O banco central da China disse nesta sexta-feira que suspendeu as compras de títulos públicos, provocando um salto nos rendimentos e estimulando especulações de que a medida tem como objetivo defender uma moeda frágil.

O Banco do Povo da China citou uma escassez de títulos no mercado como a razão pela qual está suspendendo as compras, que faziam parte de suas operações para afrouxar as condições monetárias.

No entanto, a medida coincide com uma venda brutal em outros grandes mercados de títulos de todo o mundo e sugere que o banco central chinês está tentando garantir que os rendimentos no país também aumentem, segundo analistas.

Os rendimentos, que se movem de forma inversa aos preços dos títulos, aumentaram após o anúncio do banco central.

O rendimento do título de 30 anos subiu cinco pontos-base no início das negociações, enquanto o rendimento de 10 anos avançou quatro pontos-base. 

"Um dos principais motivos para a desvalorização do iuan é o aumento da diferença de rendimento entre a China e os Estados Unidos, de modo que o banco central está enviando um sinal ao mercado de que é improvável que os rendimento caiam ainda mais", disse Ken Cheung, estrategista-chefe de câmbio asiático do Mizuho Bank.

O anúncio surpresa ocorreu poucos meses depois que o Banco do Povo da China iniciou a compra de títulos como parte das medidas para melhorar a gestão da liquidez.

O banco central chinês disse em um comunicado que retomará a compra de títulos por meio de operações de mercado aberto "em um momento adequado, dependendo da oferta e da demanda no mercado de títulos públicos".

O anúncio também foi feito depois de alertas do banco central sobre os riscos de bolha em um mercado de títulos em que os rendimentos de longo prazo têm atingido sucessivas mínimas, uma vez que os investidores buscam ativos seguros em meio a uma economia frágil e enquanto esperam por mais afrouxamento monetário.

O iuan tem rondado as mínimas de 16 meses e já caiu 5% desde seu pico de setembro do ano passado.

(Por redação de Xangai)

Fonte: Reuters

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