Em viagem de Lula ao Japão, Brasil quer garantir missão para abrir mercado de carne bovina

Publicado em 14/03/2025 13:20 e atualizado em 14/03/2025 13:58

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - O governo brasileiro vai aproveitar a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Japão, no final do mês, para pressionar por uma missão sanitária ao país que possa encaminhar a abertura do mercado japonês de carne bovina ao Brasil, disse nesta sexta-feira o secretário de Ásia e Pacífico do Itamaraty.

Um dos maiores mercados de importação de carne do mundo, hoje o Japão é hoje fechado ao Brasil, por limitações sanitárias. Com o avanço da declaração do país como zona livre de febre aftosa sem vacinação, a expectativa do governo e dos produtores brasileiros é de mudar esse quadro.

"O Brasil vem melhorando sua condição sanitária há muitos anos. Hoje já tem a condição de zona livre de febre aftosa sem vacinação, o que já deveria nos habilitar a ter acesso ao mercado japonês, mas depende de vários procedimentos, incluindo uma missão sanitária de avaliação de risco", afirmou o embaixador Eduardo Sabóia.

Não há expectativa de que o presidente saia do Japão com a abertura do mercado, mas a avaliação é que garantir uma missão sanitária já seria um belo resultado.

"É o que se busca nesse momento para que haja avanço", disse.

De acordo com dados passados pelo Itamaraty, o mercado de importação de carne bovina no Japão hoje é de 4 bilhões de dólares anuais, a maioria vindo dos Estados Unidos e Austrália. O Brasil, que tem hoje 20% do rebanho do mundo e 25% do mercado mundial, tem zero acesso ao Japão na carne bovina.

Na viagem de Lula, o governo brasileiro pretende também conseguir uma maior abertura para o mercado de carne suína. Hoje apenas o Estado de Santa Catarina tem autorização sanitária para exportar para o país. O governo brasileiro pretende conseguir também uma missão sanitária para ampliar os Estados e o número de frigoríficos habilitados.

O Japão é hoje o segundo parceiro comercial do Brasil na Ásia e o sétimo no mundo, com importações concentradas basicamente em milho, carne de frango in natura, café verde, soja em grãos e farelo de soja, de acordo com dados do Ministério da Agricultura.

(Reportagem de Lisandra Paraguassu)

Fonte: Reuters

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