Após cobrança do Sistema FAEP, Itaipu adota ações sanitárias para galinheiros comunitários

Publicado em 09/04/2025 10:46
Além disso, será realizado o cadastro de todos os animais, não poderão conter outras espécies e ficaram restritos a região Oeste do Paraná

A Itaipu Binacional se comprometeu a adotar um protocolo sanitário voltado aos 64 galinheiros comunitários que estão sendo instalados em aldeias indígenas na região Oeste do Paraná. O acordo foi firmado em reunião realizada na segunda-feira (7), em Cascavel, da qual participaram representantes do poder público e do setor produtivo. A adoção de providências “imediatas e urgentes” em relação aos galinheiros comunitários era um pedido do Sistema FAEP, em razão dos riscos sanitários decorrentes da criação informal e de subsistência das aves.

“A nossa preocupação sempre foi em relação à questão sanitária. Não podemos colocar em risco uma atividade na qual o Paraná é líder e que movimenta mais de R$ 40 bilhões por ano. Qualquer contaminação decorrente desses galinheiros comunitários poderia trazer impacto com prejuízos incalculáveis”, diz o presidente interino do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. “A reunião foi produtiva, com ganhos para o setor produtivo, pois traz garantias para fortalecer a segurança sanitária. Mas vamos continuar acompanhando a situação, para garantir os interesse dos produtores rurais e do setor agropecuária paranaense”, acrescenta.

Além do Sistema FAEP, a reunião que definiu as novas medidas teve a participação de representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), do Sistema Ocepar, de cooperativas, do Sindicato das Indústrias Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar) e da Itaipu.

 

O protocolo sanitário vai ser definido pela Adapar e pela Itaipu. Os galinheiros devem passar por um processo de georreferenciamento, com o cadastro de todos os animais – de acordo com protocolo já vigente no Paraná. Além disso, os galinheiros só poderão conter galinhas, excluindo outras espécies como patos, marrecos e gansos, por exemplo. A Itaipu também se comprometeu a manter os galinheiros concentrados na região Oeste do Paraná (o projeto inicial previa também a instalação no litoral) e a não comprar novas aves.

Entenda o caso 

A iniciativa para a instalação de 64 galinheiros comunitários em comunidades indígenas partiu da Fundação Luterana de Diaconia (FLD) em parceria com a Itaipu Binacional, por meio do programa Itaipu Mais que Energia. De acordo com o site da FLD, cada galinheiro comunitário terá 100 aves, totalizando 6,4 mil animais.

O Sistema FAEP reagiu. Em 17 de março, a entidade passou a cobrar medidas contra a instalação dos galinheiros. A preocupação diz respeito a doenças que podem ser disseminadas a partir dessas unidades de criação, podendo atingir granjas comerciais – o que seria catastrófico para a atividade e para a economia do Paraná.

“A sociedade paranaense investiu esforços e recursos financeiros para construir um sistema sanitário sólido, com a sinergia entre setores público e privado. Esse trabalho é reconhecido internacionalmente com o status sanitário de área livre de febre aftosa sem vacinação e de peste suína clássica. Permitir esse tipo de iniciativa coloca em risco todo o investimento de décadas”, disse Meneguette, na ocasião.

A partir do alerta do Sistema FAEP, a Seab e a Adapar também manifestaram preocupação em relação aos galinheiros comunitários. A secretaria e a agência enviaram ofício à Itaipu, recomendando que a empresa “reavalie a estratégia de apoio à criação de aves nas regiões citadas” e que “considere medidas adicionais de segurança sanitária”.

Fonte: FAEP

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