Greve paralisa embarques agrícolas da Argentina

Publicado em 18/02/2026 17:16

 

BUENOS AIRES, 18 Fev (Reuters) - As atividades de exportação de grãos e derivados da Argentina estavam paralisadas nesta quarta-feira devido a uma greve realizada por sindicatos marítimos contra uma reforma trabalhista promovida pelo governo do país, disse o presidente da Câmara de Exportadores e Processadores de Grãos CIARA-CEC.

"Isso (a greve de 48 horas) claramente paralisa totalmente as atividades de agroexportação e nos parece uma medida totalmente política e distante das necessidades específicas", disse Gustavo Idígoras, presidente da CIARA-CEC, à Reuters.

A greve, que começou nesta quarta-feira e vai se estender até a meia-noite de quinta-feira, coincidirá parcialmente com a paralisação geral confirmada para quinta-feira pela poderosa Confederação Geral do Trabalho (CGT), que deverá paralisar a atividade do país.

A greve dos trabalhadores marítimos afetou a atracação e desatracação de navios, o transporte de práticos e os serviços a embarcações, principalmente na área portuária de Rosário, um dos maiores centros de exportação agrícola do mundo.

"Esta ação visa defender nossos direitos trabalhistas e a estabilidade de nossos empregos", afirmou a Federação dos Trabalhadores Marítimos e Fluviais (Fesimaf) em um comunicado à imprensa divulgado nas redes sociais.

A Câmara dos Deputados da Argentina deveria debater na quinta-feira o projeto de reforma trabalhista, já aprovado na semana passada pelo Senado, que enfrenta ampla rejeição dos sindicatos argentinos por flexibilizar as condições de contratação, reduzir as indenizações por demissão, limitar o direito à greve e permitir jornadas de trabalho mais longas.

Além das greves anunciadas por diversas entidades, o sindicato dos trabalhadores da indústria processadora de oleaginosas (SOEA) de San Lorenzo, o polo agroexportador localizado ao norte de Rosário, onde se concentra a maioria das usinas de processamento de soja do país, aderiu à greve na quarta-feira.

O SOEA também aderiu às greves anunciadas por diversos sindicatos. "Condenamos veementemente essa suposta modernização que busca apenas legalizar a erosão dos direitos trabalhistas", declarou o SOEA em um comunicado à imprensa.

A Argentina é a maior exportadora mundial de óleo e farelo de soja.

O governo Milei considera as greves recorrentes um problema que afeta a produtividade da Argentina.

"As greves não são neutras para a atividade econômica. Quando o transporte e os portos são afetados, o impacto vai além do dia de trabalho perdido. A Argentina depende de sua capacidade de exportação para manter o fluxo de divisas", disse Ion Jauregui, analista da consultoria ActivTrades.

(Reportagem de Maximilian Heath e Nicolás Misculin)

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Greve paralisa embarques agrícolas da Argentina
Falece ex-ministro interino do Mapa e criador de Brahman José Amauri Dimarzio
Etanol inicia fevereiro quase 2,5% mais caro; gasolina também avança, aponta Edenred Ticket Log
Trabalhadores marítimos iniciam greve de 48 horas na Argentina contra reforma trabalhista
Ação da Bayer recua diante de acordo sobre litígio relacionado ao Roundup
Ano do Cavalo: China foca estímulo ao consumo interno, revitalização rural e fortalecimento nas relações com os EUA