Polpa de beterraba vem ganhando protagonismo na nutrição animal na União Europeia

Publicado em 27/02/2026 11:24
Subproduto da indústria açucareira ainda não é viável no Brasil devido disponibilidade e dificuldade de armazenamento

A polpa de beterraba, tradicionalmente tratada como um subproduto da indústria açucareira, vem ganhando protagonismo na nutrição animal na União Europeia. Projeções de consultorias internacionais já indicam que a demanda pelo ingrediente deve manter uma trajetória de crescimento até 2035, impulsionada pela busca por eficiência produtiva e redução de custos. 

Vídeo que circula nas redes sociais mostra a alimentação dos gados leiteiros com polpa de beterraba:

Segundo informações da consultoria americana Future Market Insights, principal fornecedora de inteligência de mercado e serviços que apresenta sede no Reino Unido, a polpa de beterraba tem ganhado espaço principalmente por seus efeitos nutricionais, uma vez que o ingrediente contribui para saúde ruminal, melhora a digestibilidade das dietas e atende à crescente demanda por fontes de energia seguras. A expansão do uso do produto é impulsionada pelo crescente foco na produção pecuária sustentável, que exige ingredientes para ração ambientalmente responsáveis ​​com benefícios comprovados em termos de pegada de carbono. 

Diante disso, a consultoria aponta que entre 2025 e 2030, a demanda por polpa de beterraba na UE deve aumentar de US$ 83 milhões para US$ 96,6 milhões, resultando em um acréscimo de valor de US$ 16,3 milhões, o que representa 45,5% do crescimento total previsto para a década.

Apesar deste cenário promissor na Europa, a adoção deste produto em outros países ainda enfrenta limitações práticas. De acordo com Mirton Jose Frota Morenz, pesquisador da Embrapa Gado de Leite, no Brasil a ausência de produção expressiva de açucar de beterraba restringe a disponibilidade local. "É provável que a viabilidade econômica quanto ao seu uso seja restrita a regiões com produção local, principalmente onde existam usinas de açúcar de beterraba, talvez no Sul do país, onde seu uso pode ser viável em sistemas intensivos com animais confinados de alta produção, dependendo da logística de transporte", explica.

Outro ponto levantado pelo pesquisador como um grande desafio para este tipo de alimentação na pecuária brasileira está  no baixo teor de matéria seca do resíduo, "sendo assim, a umidade é um fator complicador para seu armazenamento. Por isso, o uso desse tipo de resíduo/coproduto é muito comum na Europa", completa Morenz. 

Por: Raphaela Ribeiro
Fonte: Notícias Agrícolas

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