Escritório de esposa de Moraes diz que fez 36 pareceres para Master, mas não atuou para banco no STF

Publicado em 09/03/2026 09:43 e atualizado em 09/03/2026 11:36

 

Por Ricardo Brito

BRASÍLIA, 9 Mar (Reuters) - O escritório de advocacia liderado por Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, disse em nota nesta segunda-feira que produziu 36 pareceres para o Banco Master, mas não teve qualquer atuação como representante da instituição financeira perante o STF, na primeira nota pública sobre o assunto divulgada pelo escritório na qual admitiu ter sido contratado pelo Master.

"Foram produzidos 36 (trinta e seis) pareceres e opiniões legais acerca de uma ampla gama de temas, como aspectos previdenciários, contratuais, negociais, trabalhistas, regulatórios, de compliance, proteção de dados e crédito, entre outros", disse o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados na nota.

A banca informou que foi contratada, no período entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, pelo Master, para o qual disse ter realizado ampla consultoria e atuação jurídica por meio de uma equipe composta por 15 advogados.

"Para a realização dos serviços, também contratou outros três escritórios especializados em consultoria, que ficaram sob sua coordenação", disse.

Além dos pareceres, o escritório afirmou que fez 94 reuniões de trabalho, sendo 79 delas presenciais na sede do Master, 13 com a presidência da instituição e duas videoconferências entre o jurídico do banco e a banca de advocacia.

A contratação do escritório da esposa de Moraes por um valor de R$129 milhões por um período de três anos pelo Master, do banqueiro Daniel Vorcaro, havia sido revelada pelo jornal O Globo em dezembro. Esse contrato, segundo a publicação, previa uma remuneração mensal de R$3,6 milhões.

Na nota divulgada nesta segunda, o escritório não menciona os valores pagos.

Na sexta-feira, em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação do STF, Moraes negou de forma enfática que tenha sido o destinatário de mensagens trocadas com Vorcaro no dia da sua primeira prisão preventiva, em 17 de novembro passado. Nessa mesma época o Master sofreu liquidação extrajudicial pelo Banco Central.

Segundo a reportagem de O Globo, tanto Vorcaro quanto Moraes usariam mensagens de visualização ‌única do aplicativo WhatsApp, mas o banqueiro deixava os textos salvos no bloco de notas do celular. Não há na troca de mensagens citada na reportagem qualquer mensagem de Moraes, exceto um emoji com o polegar levantado para cima em sinal de aprovação ‌a uma das mensagens do banqueiro.

"Trata-se de ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o ⁠Supremo Tribunal Federal", disse o magistrado na nota.

A relação do banqueiro com Moraes e a família do magistrado tem sido questionada dentro e fora do Supremo.

Vorcaro foi preso preventivamente pela segunda vez na quarta-feira passada após nova fase da operação Compliance Zero, que investiga crimes como gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Fonte: Reuters

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