Crise global de fertilizantes se intensifica com novos cortes de oferta e avanço de conflitos

Publicado em 24/03/2026 09:40
Rússia restringe exportações de nitrogenados e amplia pressão sobre um mercado já afetado por tensões no Oriente Médio

A crise global de fertilizantes ganhou um novo capítulo com a decisão da Rússia de restringir parte das exportações de nitrogenados, ampliando as preocupações sobre a oferta mundial em um momento já marcado por tensões geopolíticas. A informação foi divulgada pela Bloomberg.

De acordo com o governo russo, as exportações de nitrato de amônio foram temporariamente suspensas entre os dias 21 de março e 21 de abril, com exceção dos acordos intergovernamentais. A medida ocorre em meio aos impactos da guerra e contribui para reduzir ainda mais a disponibilidade global de nutrientes agrícolas.


O movimento reforça um cenário que já vinha sendo pressionado pelo conflito no Oriente Médio, que afeta diretamente rotas estratégicas como o estreito de Ormuz. Segundo a Bloomberg, os impactos iniciais estavam concentrados na ureia, fertilizante nitrogenado essencial para o milho, mas agora se estendem também aos fosfatos, fundamentais para culturas como a soja.

Dados do Instituto de Fertilizantes indicam que o Oriente Médio responde por cerca de um quinto do comércio global de fosfatados. A região também é responsável por parcela significativa da oferta de enxofre, insumo essencial na produção de ácido sulfúrico utilizado na fabricação desses fertilizantes.

Segundo Andy Hemphill, que cobre os mercados de ácido sulfúrico para a plataforma de preços de commodities ICIS, os efeitos ao longo da cadeia podem se tornar exponenciais caso o conflito se prolongue, especialmente após o esgotamento dos estoques de enxofre e ácido sulfúrico.

Além disso, o mercado já enfrentava restrições antes mesmo da escalada recente. As exportações da Rússia seguem impactadas pela guerra na Ucrânia, enquanto a China mantém limitações nas vendas externas de fertilizantes para priorizar o abastecimento interno. Esse conjunto de fatores já vinha sustentando preços elevados e reduzindo a previsibilidade de oferta.

Para o vice-presidente de fertilizantes da corretora StoneX Group, Josh Linville, o segmento de fosfatos já operava sob pressão antes mesmo dos novos desdobramentos geopolíticos. Já a economista-chefe do Instituto de Fertilizantes, Veronica Nigh, destacou que o fornecimento de enxofre continua sendo um dos principais gargalos, com custos elevados afetando diretamente a produção.

Com a nova restrição russa e a continuidade dos conflitos em regiões-chave, o mercado global de fertilizantes entra em uma fase ainda mais delicada, com riscos ampliados para custos de produção e para a segurança alimentar nos próximos meses.

A restrição às exportações de nitrato de amônio ocorre em um momento de forte demanda global por fertilizantes nitrogenados, o que tende a intensificar a disputa por oferta no mercado internacional. A medida russa também reforça o papel do país como um dos principais fornecedores globais desses insumos, ampliando o impacto de decisões internas sobre os preços e a disponibilidade mundial.

Ainda de acordo com a agência, a limitação temporária nas exportações pode agravar o equilíbrio entre oferta e demanda no curto prazo, especialmente em um contexto em que outros grandes players já operam com restrições ou priorizando seus mercados domésticos.

Por: Priscila Alves
Fonte: Notícias Agrícolas

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