Suzano vê demanda por celulose sólida, apesar de cenário instável
SÃO PAULO, 30 Abr (Reuters) - A Suzano segue vendo um cenário de demanda sólida para celulose nos próximos meses, mas diante das instabilidades geopolíticas está adotando uma política de preços menos homogênea entre as regiões, afirmou o presidente-executivo da maior produtora de celulose de fibra curta do mundo, João Alberto de Abreu.
"A política de preço está menos uniforme para o mundo e estamos tratando cada geografia de acordo com a sua realidade", disse o executivo, em entrevista a jornalistas nesta quinta-feira, após a publicação na noite da véspera dos resultados do primeiro trimestre da companhia.
"O que tem de novo é uma demanda mais forte na Europa e Estados Unidos, provavelmente pelas mudanças de fluxos de mercadorias", disse o executivo, lembrando mensagem de fevereiro em que citou que a companhia tinha uma visão "mais construtiva do que o previamente imaginado" para 2026.
Segundo o executivo, a Suzano conseguiu implementar completamente seguidos aumentos de preços ocorridos nos últimos meses na Europa e na América do Norte, mas na Ásia a companhia está vendo os clientes "mais cautelosos".
A empresa comunicou clientes na semana passada sobre aumentos nos preços de celulose a partir de maio na Europa e nas Américas, sem mencionar a Ásia, onde havia reajustado valores para cima em abril.
O executivo mencionou que a demanda por papéis sanitários nos EUA está "bastante sólida" e que na Europa, em todos os segmentos, há um movimento de reestocagem diante das incertezas causadas pela crise geopolítica no Oriente Médio. Enquanto isso, na Ásia, a demanda tem se mostrado em linha com o histórico.
A Ásia tem observado queda nos preços da celulose de fibra longa, historicamente mais cara que a curta, produzida pela Suzano, com isso a diferença menor de valores entre as duas tem atingido a estratégia da companhia de conseguir mais mercado por meio da substituição de fibra longa por curta.
Segundo o vice-presidente financeiro da Suzano, Marcos Assumpção, o chamado "spread" está se aproximando de US$50 a tonelada na Ásia, enquanto na Europa e EUA está mais perto de US$100. Historicamente, afirmou, a diferença de preços entre as fibras é de entre US$70 e US$100.
Abreu citou ainda que a Suzano voltou a exportar papel para os Estados Unidos após a queda das tarifas de 50% por conta da decisão da Suprema Corte do país em fevereiro.
"Mercado voltou a ficar disponível", disse o presidente da Suzano. "Existe sim uma retomada (de exportações para os EUA) que já está acontecendo."
Já sobre a guerra no Oriente Médio, Assumpção afirmou que a Suzano tem hedge contratado de combustível até o final de 2027 e que se o petróleo ficar a US$104 o barril, a companhia vai registrar recebimento de cerca de R$800 milhões em ajustes de caixa. "No resultado do primeiro trimestre, recebemos R$48 milhões em função da carteira de hedge", disse o executivo.
O vice-presidente financeiro da Suzano também afirmou que a empresa segue focada em diminuir o tamanho da dívida líquida e que mira reduzir a alavancagem para perto de 2,5 vezes ao longo de 2027. A empresa terminou março com alavancagem em dólares de 3,3 vezes.
Por volta de 14h45, as ações da Suzano exibiam queda de 2,15%, na ponta negativa do Ibovespa, que avançava 1,39%.
(Por Alberto Alerigi Jr.; edição de Paula Arend Laier)