ESPECIAL FENAGRA 2026 | Brasil amplia protagonismo global em biodiesel e combustível sustentável de aviação
O III Fórum Biodiesel e Bioquerosene (SAF): Tecnologia e Inovação integra a programação oficial da Fenagra 2026, realizada no Distrito Anhembi, em São Paulo, reunindo representantes da indústria, especialistas, pesquisadores e empresas ligadas ao setor de energia renovável e agroindústria. O encontro amplia os debates sobre biodiesel, diesel verde, combustível sustentável de aviação (SAF), rastreabilidade, biorrefinarias e novas tecnologias voltadas à descarbonização da economia.
Em um cenário internacional marcado por conflitos geopolíticos, discussões sobre soberania energética e redução da dependência de combustíveis fósseis, o fórum ganha relevância estratégica ao posicionar o Brasil como um dos principais protagonistas globais da transição energética. Em entrevista ao Notícias Agrícolas, o diretor executivo da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), Sergio Beltrão, destacou os avanços do setor, o potencial brasileiro na produção de biocombustíveis e a integração entre agro, produção de alimentos e energia renovável.
Notícias Agrícolas - O III Fórum Biodiesel e Bioquerosene SAF 2026 acontece em um momento em que o Brasil ganha protagonismo mundial na agenda de transição energética. Qual é a principal mensagem que o país pretende transmitir ao mercado nesta edição de 2026?
Sergio Beltrão: “Eu diria que a principal mensagem é a preparação do setor, não apenas do biodiesel, mas dos diversos segmentos de biocombustíveis, para promover a substituição dos combustíveis fósseis o mais rapidamente possível. O Brasil possui uma posição estratégica nesse processo, tanto pela força do agro quanto pela capacidade de produção de energia renovável. O setor está se estruturando e investindo justamente para acelerar essa transição energética de forma sustentável e competitiva.”
Notícias Agrícolas - Um dos destaques da programação do III Fórum Biodiesel e Bioquerosene SAF 2026 são os debates sobre os usos alternativos do biodiesel em maquinários agrícolas, transporte rodoviário e até no setor aquaviário. O setor já está preparado para ampliar o uso dessas misturas em larga escala?
Sergio Beltrão: “Esse evento será bastante oportuno para a apresentação de cases envolvendo diferentes aplicações de misturas acima do percentual obrigatório atual, que hoje é de 15%. Já existem exemplos concretos de utilização em caminhões, máquinas agrícolas, geradores e outros equipamentos, o que traz segurança ao mercado e demonstra que há viabilidade técnica comprovada para o uso de misturas superiores, inclusive dentro da porteira.”
Notícias Agrícolas - O conceito de biorrefinaria e valorização dos coprodutos aparece como um dos temas centrais desta edição. Como o aproveitamento integral da cadeia pode ampliar a competitividade e a sustentabilidade do complexo brasileiro de biodiesel?
Sergio Beltrão: “Eu diria que o biodiesel e os demais biocombustíveis possuem uma relação muito direta com o agro e também com um processo de neoindustrialização. Os biocombustíveis são fundamentais para agregar valor às matérias-primas nacionais, gerar renda e promover desenvolvimento regional. Esse é justamente o papel estratégico dos biocombustíveis dentro da economia brasileira.”
Notícias Agrícolas - O SAF vem sendo tratado como uma das grandes oportunidades globais para o Brasil. O que ainda falta para o país transformar esse potencial em liderança efetiva na produção de combustível sustentável de aviação?
Sergio Beltrão: “Já existem iniciativas com investimentos bastante expressivos voltados à construção de biorrefinarias para produção não apenas de combustível sustentável de aviação, mas também de diesel verde, bioGLP e outros biocombustíveis. Esses combustíveis serão uma importante ponte dentro da transição energética e permitirão que o Brasil, em um horizonte relativamente curto, reduza sua dependência de combustíveis fósseis, que são prejudiciais ao meio ambiente e à saúde pública.. Ao mesmo tempo, os biocombustíveis representam uma alternativa muito mais favorável ao país, contribuindo para geração de emprego, renda e redução dos impactos ambientais.”
Notícias Agrícolas - As exigências ambientais internacionais e os mecanismos de rastreabilidade estão cada vez mais rigorosos. Como a indústria brasileira de biocombustíveis vem se preparando para atender às demandas dos mercados globais?
Sergio Beltrão: “O Brasil possui um agro reconhecidamente sustentável. O setor de biodiesel e de biocombustíveis, de maneira geral, não teme exigências relacionadas à sustentabilidade, justamente porque essas práticas já fazem parte da realidade do setor. O Brasil já é reconhecido internacionalmente como um país que possui uma produção agropecuária e de biocombustíveis verdadeiramente sustentável.”
Notícias Agrícolas - O Fórum acontece dentro da Fenagra, evento que conecta diferentes segmentos da agroindústria, como proteína animal, processamento de óleos, nutrição animal e energia renovável. Como essa integração fortalece o desenvolvimento do agro brasileiro?
Sergio Beltrão: “Os biocombustíveis são vetores importantes para a ampliação da oferta de alimentos. Na medida em que a soja é processada para obtenção do óleo utilizado na produção de biodiesel, também ocorre a geração de farelo proteico, essencial para a fabricação de rações e para toda a cadeia de produção de alimentos. Essa relação entre os biocombustíveis e o agro é histórica, estratégica e absolutamente indissociável.”
Notícias Agrícolas - Diante do atual cenário internacional e das discussões sobre segurança energética, qual reflexão o setor brasileiro de biocombustíveis deixa neste momento?
Sergio Beltrão: “O cenário internacional de conflitos mostra, cada vez mais, que o Brasil precisa exercer o protagonismo compatível com o seu potencial no agro e em energia renovável. É fundamental avançarmos o mais rapidamente possível não apenas em segurança energética e alimentar, mas principalmente em soberania energética. Os conflitos internacionais evidenciam como os países se tornam vulneráveis em função da dependência de combustíveis fósseis.”