EUA têm poucas ferramentas para aliviar preço da gasolina enquanto guerra com o Irã se arrasta
As autoridades do governo dos Estados Unidos estão se esforçando para conter as consequências econômicas e políticas da guerra com o Irã, disseram à Reuters três pessoas familiarizadas com as discussões da Casa Branca, à medida que as expectativas de uma resolução rápida se esvaem.
O presidente dos EUA, Donald Trump, apoiou esta semana a suspensão do imposto federal sobre a gasolina, uma medida que reduzirá em 18 centavos o preço do galão de combustível, que atualmente está em uma média de mais de US$4,50 em todo o país.
Antes vista por alguns assessores da Casa Branca como desnecessária, a ideia está ganhando urgência à medida que as autoridades ficam sem opções para mostrar que estão lidando com o aumento dos custos, disseram as pessoas, que falaram sob condição de anonimato para discutir deliberações internas sensíveis.
Dentro da Casa Branca, surgiu um consenso de que, com os preços subindo 50% desde o início da guerra, Trump precisa de "uma medida visível de alívio ao consumidor agora", disse uma das pessoas.
Historicamente, a gasolina a US$4 por galão tem sido um nível que desencadeia reação pública e ansiedade econômica. Isso se confirmou desde o início da guerra, já que a confiança do consumidor recentemente caiu para um nível recorde e a inflação ao consumidor dos EUA subiu para 3,8% em abril em dado anual, máxima em quase três anos.
Mais de seis em cada dez norte-americanos afirmam que as finanças de suas famílias foram afetadas pelos preços mais altos da gasolina, de acordo com uma pesquisa Reuters/Ipsos de maio que colocou o índice de aprovação econômica de Trump em apenas 30%, uma queda de vários pontos desde o início da guerra.
Agora, Trump enfrenta uma pressão cada vez maior dos pares republicanos, que temem que os problemas econômicos causados pela guerra possam provocar uma reação dos eleitores e custar ao partido o controle da Câmara dos Deputados e, possivelmente, do Senado nas eleições de meio de mandato em novembro.
As autoridades do governo têm se debruçado sobre os dados do mercado para avaliar se o preço médio nacional pode chegar a US$5 por galão, de acordo com duas pessoas familiarizadas com as discussões. Sete Estados já ultrapassaram essa marca, segundo dados da AAA.
"Eles acham que essa é a maior vulnerabilidade no momento: esse custo específico, a gasolina, e não as condições econômicas em geral", disse um assessor político da Casa Branca. "O mais difícil, também, é que fizemos dos preços da gasolina o calcanhar de Aquiles para (o ex-presidente Joe) Biden e agora é o nosso próprio calcanhar de Aquiles."
A porta-voz da Casa Branca Taylor Rogers disse que Trump e sua equipe de energia previram as interrupções da guerra nos mercados globais de energia e prepararam um plano para mitigar o impacto.
"A capacidade de abastecer os Estados Unidos e nossos aliados com energia confiável, acessível e segura tem sido há muito tempo um dos principais objetivos estratégicos do presidente Trump, e seus esforços bem-sucedidos para liberar o petróleo e o gás norte-americanos alcançaram esse objetivo", disse Rogers.
As preocupações do governo se intensificaram à medida que as exportações de petróleo e combustível dos EUA atingiram recordes, desencadeadas por compradores asiáticos e europeus que lutam pela oferta necessária. Isso reduziu os estoques dos EUA em um momento em que eles normalmente aumentam, o que gerou alarme entre os analistas de Wall Street, que alertam que os EUA podem enfrentar uma crise que pode elevar ainda mais os preços da gasolina, do diesel e do combustível de aviação neste verão.
Os preços da energia aumentaram desde que o Irã cortou o acesso ao Estreito de Ormuz, que normalmente transporta um quinto da oferta de petróleo do mundo. Empresas que vão desde companhias aéreas até o McDonald's estão percebendo os efeitos, com o presidente-executivo da gigante do fast-food dizendo na semana passada que os consumidores de baixa renda estavam gastando menos.
As despesas com combustível das companhias aéreas dos EUA em março aumentaram 56% em relação a fevereiro, de acordo com dados do Departamento de Transportes, pressionando as companhias aéreas que já operam com margens reduzidas.
Trump classificou os aumentos como um "pequeno preço a ser pago" pelos esforços para derrubar o regime do Irã e impedir que Teerã adquira uma arma nuclear.
Perguntado na terça-feira se as finanças dos norte-americanos o estavam motivando a fechar um acordo, Trump respondeu: "Nem um pouco."
"A única coisa que importa quando estou falando sobre o Irã é que eles não podem ter uma arma nuclear", disse Trump a repórteres. "Não penso na situação financeira dos norte-americanos. Não penso em ninguém. Penso em uma coisa - não podemos permitir que o Irã tenha uma arma nuclear. Isso é tudo."
(Reportagem de Humeyra Pamuk)