Dólar cai ante real com exterior, política local e dados de atividade no radar
Após a disparada da semana anterior, o dólar iniciou a segunda-feira em baixa ante o real, com investidores atentos ao cenário externo, ao noticiário político no Brasil e aos dados de atividade divulgados nesta manhã.
Às 10h34, o dólar à vista cedia 0,96%, aos R$5,0134 na venda.
Na B3, o contrato de dólar futuro para junho -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- cedia 0,81%, aos R$5,0335.
O Banco Central informou nesta manhã que seu Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) cedeu 0,7% em março ante fevereiro na série com ajustes sazonais, mais que a baixa de 0,2% projetada por economistas ouvidos pela Reuters. Foi a primeira queda mensal desde setembro do ano passado. Na comparação com março de 2025, houve ganho de 3,1% pela série sem ajustes.
Apesar da queda mensal na margem, o IBC-Br fechou o primeiro trimestre do ano com alta acumulada de 1,3%. O indicador é considerado uma espécie de sinalizador para o Produto Interno Bruto (PIB) oficial, a ser divulgado no fim do mês.
Mesmo com o recuo mensal do IBC-Br, no mercado a percepção é de que há menos espaço para corte da Selic -- hoje em 14,50% ao ano -- nos próximos meses, entre outros motivos por conta da pressão inflacionária gerada pela continuidade da guerra no Oriente Médio.
Uma fonte paquistanesa disse à Reuters nesta segunda-feira que o Paquistão compartilhou com os Estados Unidos uma proposta revisada do Irã para acabar com a guerra. A fonte não deu detalhes sobre a proposta, mas disse que os lados "continuam mudando seus objetivos".
Nesta manhã, o petróleo Brent cedia, mas ainda assim se mantinha em patamar elevado, perto dos US$108 o barril. Já o dólar subia ante a lira turca e a rupia indiana, mas cedia ante o peso chileno e o rand sul-africano.
Internamente, investidores também seguem atentos aos desdobramentos do escândalo que liga o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-dono do banco Master, Daniel Vorcaro, atualmente preso.
Na semana passada, uma reportagem do Intercept Brasil afirmou que Flávio pediu a Vorcaro R$134 milhões para bancar um filme sobre a vida de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado. Flávio nega ter cometido qualquer irregularidade e alega ter buscado recursos privados para um filme sobre a história do pai, sem oferecer vantagens em troca.
No mercado, a percepção é de que a ligação de Flávio com Vorcaro eleva as chances de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reeleger em outubro. A continuidade do governo Lula é vista por agentes do mercado como um fator negativo para o ajuste das contas públicas.
"Naturalmente que o otimismo com o real diminuiu com a notícia de quarta-feira ('Flávio Day 2') e agora precisamos entender o quanto o mercado vai seguir desmanchando posições otimistas com relação às eleições", escreveu o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, em análise enviada a clientes.
Segundo ele, existe uma chance alta de o Federal Reserve mudar de ideia e subir juros ainda este ano. Somado a isso, espera-se uma mudança no fluxo cambial a partir de julho, em função da safra agrícola, e um aumento da volatilidade em função da disputa eleitoral, com "o modelo reduzindo espaço para nova rodada de queda do dólar, principalmente após a moeda cair 20%".
Na sexta-feira, a moeda norte-americana à vista fechou o dia com alta de 1,59%, aos R$5,0664.
Às 11h30, o BC realiza leilão de 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1º de junho.