Ibovespa fecha na mínima desde janeiro com exterior desfavorável e cena eleitoral no radar

Publicado em 19/05/2026 18:04 e atualizado em 20/05/2026 08:40
Viés negativo na bolsa paulista teve como pano de fundo o recuo nos preços de commodities como minério de ferro e petróleo, bem como aumento nos rendimentos dos Treasuries, além de nova pesquisa eleitoral no Brasil

O Ibovespa fechou em queda nesta terça-feira, em níveis de janeiro, com as ações da B3 entre os destaques de baixa após o anúncio do novo presidente-executivo da companhia. 

O viés negativo na bolsa paulista teve como pano de fundo o recuo nos preços de commodities como minério de ferro e petróleo, bem como aumento nos rendimentos dos Treasuries, além de nova pesquisa eleitoral no Brasil. 

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 1,52%, a 174.278,86 pontos, menor patamar de fechamento desde 21 de janeiro, após marcar 176.973,24 na máxima e 173.543,76 na mínima do dia. O volume financeiro no pregão somou R$26,4 bilhões.

O Ibovespa chegou a acumular uma valorização de mais de 23% em 2026 até meados de abril (considerando dados de fechamento), quando renovou suas máximas e alimentou expectativas de que romperia a marca inédita dos 200 mil pontos.

Agora, soma uma alta de pouco mais de 8%, em correção marcada pela saída de estrangeiros das ações brasileiras.

De acordo com dados da B3, em maio até o dia 15, o saldo de capital externo estava negativo em R$9,6 bilhões, excluindo ofertas de ações (follow-ons e IPOs). Abril ainda fechou com saldo positivo de quase R$3,2 bilhões - mas até o dia 15 eram R$14,6 bilhões.

No ano, a bolsa ainda registra uma entrada líquida de R$46,9 bilhões.

Tal movimento, segundo estrategistas, reflete uma rotação para ações de tecnologia no exterior, em movimento alinhado com outros emergentes, mas também a perspectiva de um ciclo de corte de juros mais lento do que se previa no Brasil.

E a disparada dos preços do petróleo no mercado internacional diante do conflito no Oriente Médio explica parte desse novo prognóstico, uma vez que tem alimentado preocupações com a inflação no mundo e seus reflexos nas políticas monetárias.

"O mundo está cobrando mais prêmio de risco...pela incerteza global com a inflação", afirmou o sócio e advisor da Blue3 Investimentos Willian Queiroz.

Em Nova York, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano fechou em baixa de 0,67%. O rendimento do título de 10 anos do Tesouro dos EUA marcava 4,6552% no final da tarde, de 4,623% na véspera.

Nesta terça-feira, as cotações da commodity fecharam em queda, mas permanecem em níveis considerados elevados, assim como as incertezas no cenário geopolítico.

Um dia após afirmar que havia suspendido um ataque contra o Irã para permitir negociações para pôr fim à guerra, o presidente norte-americano, Donald Trump, disse que os EUA talvez precisem atacar o Irã novamente.

PESQUISA

O cenário eleitoral no Brasil também repercutiu nesta sessão com a pesquisa Atlas/Bloomberg, que mostrou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) perdeu terreno na disputa presidencial, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu vantagem.

A maior parte do período da pesquisa, realizada de 13 a 18 de maio, ocorreu após a publicação de reportagem sobre relações de Flávio com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Flávio, pré-candidato do PL à Presidência, também admitiu nesta terça-feira que se reuniu pessoalmente com Vorcaro em São Paulo após o ex-dono do Banco Master ter tido sua primeira prisão preventiva substituída pelo uso de tornozeleira no final de 2025. 

"Embora Flávio não seja o candidato dos sonhos, o mercado o via como uma alternativa", disse o responsável pela área de renda variável da Criteria, Thiago Pedroso, citando que o mercado hoje acredita que Lula não tratará com a seriedade necessária o tema fiscal, que exigirá em 2027 um ajuste mais abrangente.

Pedroso ressaltou que a eleição ainda está longe. Mas, ponderou, o mercado muitas vezes reage a alguns eventos muito mais com o "fígado".

    DESTAQUES

• B3 ON fechou negociada em baixa de 4,96%, tendo de pano de fundo a eleição de Christian Egan como novo presidente-executivo da companhia. Egan substituirá Gilson Finkelsztain, que anunciou em março a sua saída. A B3 informou que a data da posse será informada oportunamente.

• VALE ON recuou 0,99%, conforme os futuros do minério de ferro na China ampliaram a queda em meio a um plano chinês de controle mais rígido da sua capacidade siderúrgica. O contrato mais negociado em Dalian encerrou as negociações do dia com baixa de 0,87%. No setor, USIMINAS PNA destoou do viés negativo do setor com alta de 1,11%.

• ITAÚ UNIBANCO PN cedeu 2,12% e BRADESCO PN perdeu 1,53%, enquanto BANCO DO BRASIL ON e SANTANDER BRASIL UNIT perderam 0,93% e 0,37%, respectivamente.

• PETROBRAS PN caiu 0,75% e PETROBRAS ON recuou 0,23%, acompanhando o declínio dos preços do petróleo no exterior, onde o barril sob o contrato Brent cedeu 0,73%, a US$111,28.

• XP, que tem suas ações listadas em Nova York, recuou 3,86% após reportar na noite da véspera lucro líquido ajustado de primeiro trimestre ligeiramente abaixo das expectativas no mercado. O grupo financeiro também anunciou troca de CFO, bem como dividendos de cerca de R$500 milhões e programa de recompra de ações de até R$1 bilhão.

 

Por: Andréia Marques
Fonte: Reuters

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