Ibovespa recua e pode ter maior perda mensal desde 2023
Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 29 Mai (Reuters) - O Ibovespa recuava nesta sexta-feira, chegando a trabalhar abaixo de 173 mil pontos no pior momento, e caminhava para o pior desempenho mensal desde 2023, em meio à saída de investidores estrangeiros de ações brasileiras nas últimas semanas.
A agenda do dia destacava dados do PIB do país no primeiro trimestre, que mostraram a atividade econômica acelerando ante o final de 2025, mas investidores também repercutiam potenciais reflexos da decisão dos Estados Unidos de que irá designar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho como "Organizações Terroristas Estrangeiras".
O conflito no Oriente Médio permanece no radar. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que se reunirá na Sala de Situação da Casa Branca nesta sexta-feira para tomar uma decisão final sobre um acordo com o Irã.
Por volta de 12h15, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, cedia 0,73%, a 173.784,32 pontos, mas chegou a marcar 172.686,36 pontos na mínima. O volume financeiro no pregão somava R$9,03 bilhões.
Na semana, o Ibovespa acumula um declínio de 1,38%, somando uma perda de 7,22% em maio que, se confirmada no fechamento, será a maior queda percentual em um mês desde fevereiro de 2023 (-7,49%).
De acordo com dados da B3, o saldo de capital externo na bolsa em maio estava negativo em R$14,1 bilhões até o dia 27, excluindo ofertas de ações (IPOs e follow-ons), o que ajuda a explicar a correção negativa no mês.
Estrategistas têm apontado que o desempenho de maio reflete uma rotação de volta para o setor de tecnologia nos EUA e Ásia, bem como perspectiva de um ciclo de cortes mais lento da Selic e incerteza com o cenário eleitoral.
No relatório Diário do Grafista, analistas do Itaú BBA destacaram que o Ibovespa está em tendência de baixa no curto prazo e terá caminho livre para uma realização de lucros mais intensa se ficar abaixo de 173.500 pontos (considerando o dado de fechamento). "Para sair dessa tendência de baixa e retornar a um cenário neutro, o Ibovespa terá que superar a região de 179.500 pontos", afirmaram.
O UBS cortou a recomendação das ações brasileiras de "atrativas" para "neutra" nesta semana, citando uma mudança no perfil de risco versus retorno, acrescentando que a visão mais ampla para mercados emergentes continua construtiva.
A equipe do banco destacou em relatório a clientes que a reprecificação dos valuations, o afrouxamento monetário, fortes entradas de capital estrangeiro em meio à demanda por diversificação em mercados emergentes e um cenário macroeconômico resiliente já se materializaram amplamente no desempenho do Ibovespa desde meados do ano passado, impulsionado tanto pelo crescimento de lucros quanto pela expansão dos múltiplos.
"Três fatores adversos convergentes agora alteram, em nossa visão, o equilíbrio de risco-retorno: o aumento da incerteza política relacionada às eleições, um ciclo de afrouxamento monetário do BC mais curto e menos intenso, e a aceleração do afrouxamento fiscal no período pré-eleitoral", pontuou. "Embora os fundamentos permaneçam resilientes, essas dinâmicas devem manter o equilíbrio entre risco e retorno até a eleição de outubro."
DESTAQUES
• PETROBRAS PN cedia 1,08% e PETROBRAS ON perdia 0,93%, em dia de queda do petróleo no exterior. No setor, PETRORECONCAVO ON recuava 2,85%, PRIO ON caía 2,11% e BRAVA ENERGIA ON registrava declínio de 0,64%.
• AXIA ON recuava 1,71%, acompanhando a correção negativa no pregão brasileiro.
• VALE ON cedia 0,1%, também contaminada pelo viés negativo no pregão. No setor, CSN ON recuava 0,74%, CSN MINERAÇÃO ON mostrava estabilidade e GERDAU PN cedia 0,47%. USIMINAS PNA resistia com alta de 0,38%, entre as poucas altas do Ibovespa.
• ITAÚ UNIBANCO PN mostrava variação positiva de 0,05%, em dia misto no setor, com SANTANDER BRASIL UNIT em alta de 0,51%, mas BRADESCO PN caindo 0,28%, BANCO DO BRASIL ON cedendo 0,15% e BTG PACTUAL UNIT negociada em baixa de 0,42%.
• BB SEGURIDADE ON mostrava acréscimo de 1,21%, também entre as poucas ações do Ibovespa no azul. No setor, CAIXA SEGURIDADE ON subia 0,63%.
(Por Paula Arend Laier; edição de Pedro Fonseca e Camila Moreira)