CNA levanta custos de produção em Minas Gerais e na Bahia

Publicado em 01/06/2026 10:30
Campo Futuro analisou dados de banana, suínos, pecuária de corte e eucalipto

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) promoveu, durante essa semana, painéis do projeto Campo Futuro para levantar os custos de produção de banana, eucalipto, suínos e pecuária de corte em municípios de Minas Gerais e da Bahia.

O objetivo da iniciativa da CNA, em parceria com o Senar, federações estaduais de agricultura, sindicatos rurais, universidades e centros de pesquisas, é analisar os dados econômicos das atividades agropecuárias, gerando informações estratégicas do setor rural e contribuindo para as tomadas de decisão no campo.

Eucalipto – Os painéis de eucalipto foram realizados em Eunápolis e Teixeira de Freitas (BA). No primeiro município, o modal apontado possui 100 hectares, com a condução da floresta até o sexto ano, sem desbastes ao longo do ciclo e Incremento Médio Anual (IMA) de 32 m3 por hectare/ano. A madeira é destinada para a produção de celulose.

A atividade tem demonstrado margens positivas na região, mas a competição da terra com outras culturas tem pressionado o custo total. O maquinário e a mão de obra, ambos terceirizados, têm tido os maiores impactos nos custos de implantação e manutenção, respectivamente.

Já em Eunápolis, produtores e técnicos definiram uma propriedade modal de 100 hectares, com ciclo de produção de 7 anos e IMA de 41 m3/ha/ano. A receita com a madeira, destinada à produção de celulose, tem sido suficiente para cobrir os custos operacionais, com valores mais positivos em relação levantamento realizado em 2024. Os maiores desembolsos diretos são com administrativo e terceirização de maquinário.

Além dos produtores, acompanharam o painel 35 alunos do programa Jovem Aprendiz – Aprendizagem em Silvicultura do Extremo Sul da Bahia, viabilizado pelo Senar Bahia em parceria com empresas florestais da região.

Banana – Os custos de produção da banana foram levantados em Jaíba (MG). No encontro, foi definida como propriedade modal uma área com 20 hectares cultivados com a espécie nanica, estande médio de 2.200 plantas por hectare e produtividade de 50 toneladas por hectare.

Contudo, considerando as etapas de beneficiamento e classificação para atendimento ao padrão de mercado, apenas cerca de 45 toneladas por hectare são efetivamente comercializadas. Os produtores relataram que as condições climáticas observadas no último ano, marcadas por chuvas mais intensas e temperaturas elevadas, aumentaram a pressão de pragas e elevaram os custos de manejo da cultura.

Mesmo diante de preços atualmente acima da média registrada ao longo do ano, os resultados econômicos do painel apontaram cenário crítico para a atividade, evidenciando a pressão dos custos sobre a rentabilidade da bananicultura na região.

Suínos – Nessa semana, o painel de custos de suinocultura aconteceu em Uberlândia (MG), onde foram analisadas as informações dos sistemas de produção de leitões (SPL) para uma granja modal com 2.200 matrizes e saída de 57.787 leitões por ano, com peso médio de 22,2kg. O custo operacional efetivo (COE) da atividade foi estimado em R$ 53,24 por leitão. A mão de obra foi o item de maior peso no custo, representando 42,3% do COE, seguido pela manutenção (13,8%) e energia elétrica (11,5%).

Nas unidades de terminação (UT), a granja modal recebe 8.220 leitões por ano, em 2,7 lotes. O peso médio de abate dos animais é de 133kg aos 194 dias. O COE foi estimado em R$ 37,20 por suíno terminado, com a mão de obra respondendo por 39,9%.

Pecuária de corte – Já os levantamentos de pecuária de corte foram realizados em Uberaba, Santa Vitória e Uberlândia, também em Minas Gerais. Em Santa Vitória, foi considerada uma propriedade com 160 hectares de pastagem que faz a recria de bovinos (compra bezerros desmamados e vende boi magro, em torno de 400kg, com comercialização anual de 235 animais.

O COE foi estimado em R$ 305,21 por arroba vendida. A aquisição de animais representou 64,8% do COE, seguido pela suplementação mineral, com 14,3%.

Em Uberaba o painel analisou a terminação de bovinos em confinamento. A propriedade modal possui capacidade estatística para 2 mil animais, sendo realizados 2,5 giros anuais, totalizando 5 mil bovinos terminados por ano. A aquisição dos animais para a engorda representou 65% do COE. 

Na sequência apareceram a alimentação (26,4%) e a mão de obra (1,5%). Na região, há grande disponibilidade de coprodutos (polpa cítrica, resíduos de cervejarias), que são utilizados na dieta dos animais, reduzindo os custos.

Por fim, foram levantados os custos de uma propriedade de cria (produção de bezerros) em Uberlândia.  A fazenda modal possui área de pastagem de 150 hectares de pastagem, com 130 matrizes e comercialização em torno de 120 bezerros(as) por ano. O COE da atividade foi estimado em R$ 223,34 por arroba vendida. A suplementação mineral representou 23,4% do custo e a mão de obra 20%.

Fonte: CNA

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