Israel busca influenciar negociações de paz ao desafiar Trump com ataques ao Irã

Publicado em 08/06/2026 12:42 e atualizado em 08/06/2026 13:16
Israel e Irã suspenderam o conflito nesta segunda-feira, logo após Trump ter pedido que parassem de atirar, embora ambos tenham deixado em aberto a possibilidade de retomar as ações.

 

Ao lançar novos ataques contra o Irã nesta segunda-feira, em aparente desafio aberto ao presidente dos EUA, Donald Trump, Israel tentou defender seu direito de ter voz na mesa de negociações de paz, da qual, até agora, tem sido mantido à distância.

Apesar de Trump ter pedido publicamente que Israel suspendesse as ofensivas, o país atacou alvos iranianos pela primeira vez desde o cessar-fogo em abril, depois que o Irã disparou mísseis contra alvos israelenses. Teerã alegou ter feito uma retaliação aos ataques israelenses à capital do Líbano.

Israel e Irã suspenderam o conflito nesta segunda-feira, logo após Trump ter pedido que parassem de atirar, embora ambos tenham deixado em aberto a possibilidade de retomar as ações.

Mas, ao lançar os ataques, Israel enviou uma mensagem a Washington de que nenhum acordo final com o Irã poderá ser alcançado se seus interesses forem ignorados, disse Danny Orbach, historiador militar da Universidade Hebraica de Israel.

“Porque, se os interesses israelenses forem pisoteados com demasiada força, Israel pode virar a mesa.”

TRUMP EXCLUI ISRAEL DE NEGOCIAÇÕES

Trump, que iniciou a guerra ao lado de Israel em fevereiro, vem tentando chegar a um acordo negociado com o Irã, enquanto exclui Israel das conversas.

Ele instou publicamente o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu a abster-se de ações que pudessem sabotar as negociações, incluindo a suspensão dos ataques no Líbano, país que Israel invadiu em março em busca do grupo Hezbollah, aliado do Irã.

Por sua vez, o Irã afirma que não concordará com nenhum acordo de paz com Washington a menos que haja também um cessar-fogo no Líbano.

Na semana passada, Netanyahu cancelou os ataques aéreos contra Beirute após uma ligação com Trump. O norte-americano confirmou posteriormente que havia chamado o líder israelense de “louco” durante uma discussão acalorada, embora também tenha dito que eles ainda se dão bem.

Críticos internos acusaram Netanyahu de efetivamente abrir mão da soberania ao restringir as ações militares israelenses para sustentar as negociações dos EUA, sem ter assento à mesa.

ISRAEL BUSCA MANTER CAPACIDADE DE ATAQUE

Após o ataque de Israel ao Líbano no domingo e a decisão do Irã de disparar contra os israelenses em resposta, Trump deixou claro que acreditava que isso deveria ser o fim da questão.

“Cada um deles se divertiu”, disse ele ao site Axios. “Israel fez seu ataque e o Irã fez o seu. Não precisamos de outro”, afirmou Trump.

Mas Israel concluiu que somente atacando o próprio Irã em resposta poderia estabelecer que Teerã não deveria ter voz futura sobre as ações israelenses no Líbano.

Israel não poderia aceitar um cenário em que os ataques iranianos a seu território fossem considerados uma “resposta de olho por olho” justificável aos ataques israelenses ao Líbano, disse uma autoridade de alto escalão da defesa israelense à Reuters.

Antes de decidir atacar o Irã, Netanyahu convocou uma reunião com altos funcionários de segurança e defesa para discutir os objetivos de uma possível escalada de curto prazo, de acordo com a autoridade de alto escalão da defesa e outros dois funcionários israelenses familiarizados com as deliberações.

Um dos objetivos era garantir que qualquer futuro acordo entre EUA e Irã não retirasse o direito de Israel de atacar o Hezbollah no sul do Líbano e de manter suas tropas na região, disse a autoridade de alto escalão da defesa.

 

Por: Reuters
Fonte: Reuters

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