Cooperativas respondem por 15,9% do PIB de Minas de Gerais

Publicado em 10/06/2026 14:37

Em 2025, as 788 cooperativas mineiras movimentaram R$ 184 bilhões, geraram 64 mil empregos e injetaram R$ 4,2 bilhões em tributos na economia. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (10/06) durante o lançamento do Anuário do Cooperativismo Mineiro 2026 — estudo setorial realizado pelo Sistema Ocemg, entidade de representação das cooperativas mineiras.

Entre 2024 e 2025, as organizações do setor cresceram 16,6%. Este avanço foi quase 12 vezes superior ao crescimento real de 1,4% do PIB de Minas Gerais, estimado em R$ 1,1 trilhão pela Fundação João Pinheiro. O desempenho do cooperativismo também superou percentualmente o obtido por setores importantes da economia mineira, como a agropecuária (3,2%), a indústria (0,3%) e o comércio (1,7%).

Os resultados de 2025 seguem uma sólida tendência de crescimento registrada pelo coop ao longo dos últimos cinco anos, período no qual o setor praticamente dobrou de tamanho. Entre 2021 e 2025, a movimentação econômica das cooperativas mineiras cresceu 97%, saltando de R$ 93,5 bilhões para R$ 184 bilhões.

“Cada vez mais, o cooperativismo se consolida como uma força econômica com escala, capilaridade e capacidade de alavancar o desenvolvimento econômico e social do nosso Estado”, afirma Ronaldo Scucato, presidente do Sistema Ocemg.

“Sempre digo que é impossível construir um paraíso social em cima de uma ruína econômica, e é por isso que precisamos valorizar os resultados financeiros que alcançamos todos os anos. Eles nos ajudam a investir nas pessoas e nas comunidades onde atuamos.”

EMPREGO E RENDA

As cooperativas são um importante polo de geração de emprego e renda, especialmente no interior de Minas Gerais.

Em 2025, o setor empregou 64,1 mil profissionais — alta de 4,6% em relação ao ano anterior, com a criação de uma média de 231 novos postos de trabalho por mês.

Além de crescer em número de vagas, o segmento também se destacou pela valorização profissional. O salário médio pago atualmente pelas cooperativas mineiras é de R$ 4.059,97, valor 36% superior ao salário médio do setor privado (R$ 2.979). Isso significa que o trabalhador das cooperativas recebe, em média, R$ 1.080,97 a mais por mês.

A presença das mulheres é outro destaque. Elas já ocupam mais da metade (54,9%) dos postos de trabalho nas cooperativas mineiras. O avanço também chegou à gestão, atingindo a marca de mais de mil mulheres em cargos de direção, o equivalente a 21,7% das lideranças.

“Mais uma vez, mostramos que o desenvolvimento social não é discurso no cooperativismo. Crescemos gerando emprego, pagando acima da média do mercado e ampliando a presença das mulheres”, afirma Scucato.

“E os resultados ultrapassam as cooperativas. Eles chegam às famílias por meio da melhoria da renda das famílias e dos municípios. Ainda há desafios, mas o avanço registrado nos últimos anos mostra que esse caminho está bem pavimentado em Minas Gerais.”

DESTAQUES SETORIAIS

As cooperativas estão presentes em setores essenciais da economia, como agronegócio, saúde, crédito, produção de bens e serviços.

Em Minas Gerais, elas são referência na cafeicultura. Hoje, o coop responde por 63,3% da produção do café — um avanço de 10,3 pontos percentuais em relação à participação obtida no ano anterior (53%). Este crescimento ocorreu apesar da retração da produção estadual, cuja participação no mercado nacional recuou de 51,8%, em 2024, para 45,7%, em 2025, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

No campo, o cooperativismo mineiro também manteve presença relevante nas cadeias do abacate (29,1% da produção mineira), algodão (21,2%), borracha natural (21%) e leite (18,3% da produção mineira e 5,1% da produção nacional).

Além de se fazer presente na mesa do mineiro, o coop faz parte da vida financeira de 3,5 milhões de pessoas no Estado. Apenas em 2025, as 181 cooperativas financeiras que operam em Minas Gerais conquistaram a confiança de 500 mil novos correntistas.

“As cooperativas financeiras estão sempre ao lado do cooperado, oferecendo inclusão financeira e crédito justo”, explica Ronaldo Scucato.

“Enquanto bancos comerciais fecham postos de atendimento, o coop de crédito investe na ampliação de sua rede de atendimento. Hoje, as cooperativas são a única instituição financeira presente em 84 municípios mineiros.”

Para completar, um em cada cinco mineiros cuida da própria saúde com o apoio de uma cooperativa. São 3,9 milhões de usuários, entre titulares e dependentes, com acesso a planos de saúde cooperativistas.

“Em Minas, nosso modelo se consolidou como uma das principais estruturas de atendimento à população. Estamos falando de uma rede que está presente na vida das pessoas, organiza profissionais, amplia acesso e presta assistência em larga escala, na capital e também no interior”, ressalta o presidente do Sistema Ocemg.

No último ano, a rede assistencial cooperativista — que inclui médicos, dentistas, nutricionistas, psicólogos, enfermeiros e fisioterapeutas — realizou 17,8 milhões de consultas e 82,9 milhões de exames. São quase 49 mil consultas e 227 mil exames a cada 24 horas.

O dado ajuda a dimensionar a importância do cooperativismo no acesso à saúde suplementar, especialmente no interior.

Fonte: Ocemg

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