Trump comemora fluxo de petróleo do Golfo e frota do Irã também se prepara para aumentar exportações
O presidente dos EUA, Donald Trump, já comemorou recentemente a retomada do fluxo de petróleo proveniente dos aliados do Golfo, enquanto o Irã também parece estar se preparando para retomar as exportações e o comércio.
Pelo menos três petroleiros transportando cerca de cinco milhões de barris de petróleo iraniano atravessaram o bloqueio naval dos EUA nesta semana, segundo dados de transporte marítimo, apesar de as Forças Armadas dos EUA terem afirmado que suas operações contra navios ligados ao Irã permanecerão em vigor até sexta-feira.
O mercado de petróleo tem se concentrado em um acordo para encerrar a guerra com o Irã, anunciado por Trump em 14 de junho e com assinatura prevista para esta sexta-feira na Suíça.
“O acordo com a República Islâmica do Irã está agora concluído”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social no domingo. “Navios do mundo, liguem seus motores. Que o petróleo flua!”
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã afirmou que um acordo mais abrangente seria negociado durante um período de cessar-fogo de 60 dias.
“O intervalo entre o anúncio e a assinatura prevista para 19 de junho dá margem para que ambos os lados emitam declarações conflitantes sobre o acordo”, disse Torbjorn Soltvedt, analista-chefe para o Oriente Médio da empresa de inteligência de risco Verisk Maplecroft.
Em termos de movimentação de navios, o Hero II e o Diona, superpetroleiros que transportam 2 milhões de barris de petróleo cada, passaram pelo Golfo de Omã e seguem rumo à Ásia, segundo dados de rastreamento de navios da Kpler e da Vortexa.
O Sonia I, transportando 1 milhão de barris, também ultrapassou o bloqueio e segue para Cingapura, segundo dados da Kpler, da Vortexa e da LSEG.
Um VLCC vazio ligado ao Irã, o Stream, está navegando de volta em direção ao bloqueio dos EUA, de acordo com dados da Kpler e da LSEG, enquanto o superpetroleiro Herby, com bandeira iraniana e parcialmente carregado, seguia logo atrás, segundo dados separados da LSEG divulgados nesta quarta-feira.
“O sinal foi dado e eles estão se reposicionando na expectativa do fim do bloqueio dos EUA. Claramente, uma reinicialização do sistema está em andamento”, disse Charlie Brown, consultor sênior do grupo de defesa norte-americano United Against Nuclear Iran (UANI), que monitora o tráfego de petroleiros relacionado ao Irã.
O Comando Central das Forças Armadas dos EUA não respondeu imediatamente, nesta quarta-feira, a um pedido de comentário sobre os movimentos de petroleiros ligados ao Irã.
Outras embarcações também estão em movimento: cinco navios de carga seca a granel e porta-contêineres com bandeira iraniana, que estavam ancorados na costa da Malásia há semanas, agora navegam de volta em direção ao Irã, segundo análise da UANI.
EXPORTAÇÕES DO IRÃ NO MENOR NÍVEL EM SEIS ANOS
O bloqueio dos EUA levou as exportações de petróleo bruto iraniano em maio ao seu nível mais baixo em seis anos, com 260.000 barris por dia, uma fração da média de 1,67 milhão de bpd em 2025, segundo dados da Kpler.
O memorando de entendimento anunciado por Trump e que deve ser assinado nesta sexta-feira prevê que os EUA permitam que o Irã comece imediatamente a vender petróleo e combustível, afirmou uma alta autoridade norte-americana nesta terça-feira.
Os contratos futuros de referência do petróleo bruto Brent já caíram, ficando abaixo de US$80 nesta semana, após terem atingido níveis recordes próximos a US$120 por barril, devido às perspectivas de retomada do fornecimento do Golfo.
Essa queda poderia levar a uma retomada da demanda por parte do maior comprador do Irã, a China, que tem se mostrado fraca em meio aos preços elevados.
Quanto ao transporte marítimo não relacionado ao Irã, fontes do setor afirmaram que as empresas devem aguardar mais clareza sobre a reabertura do estreito antes de retomarem as viagens.
Cerca de 118 petroleiros transportando cargas de outros produtores do Golfo permanecem retidos no interior do Golfo, segundo análise da Kpler.
“Um acordo político pode reabrir formalmente o estreito, mas a passagem segura ainda precisa ser comprovada na prática”, afirmou a corretora de navios Intermodal, com sede na Grécia, em uma nota divulgada esta semana.