Importação dos EUA de fertilizante com origem no Oriente Médio zera em maio
LOS ANGELES/CHICAGO, 18 Jun (Reuters) - As importações dos EUA de fertilizantes provenientes de portos do Oriente Médio afetados pelo fechamento do Estreito de Ormuz caíram para zero em maio, contribuindo para uma queda de 44% em relação ao mesmo período do ano anterior nas importações gerais de nutrientes para culturas, informou na quinta-feira a Descartes Datamyne, empresa especializada em dados comerciais.
O Oriente Médio é um dos principais centros de produção de fertilizantes, e quase um terço do comércio global de fertilizantes costuma passar pelo Estreito de Ormuz, cujo tráfego ficou paralisado desde que os EUA e Israel atacaram o Irã no final de fevereiro.
O fornecimento de ureia -- um fertilizante à base de nitrogênio -- proveniente da maior unidade de produção do mundo, no Catar, foi interrompido, e o fluxo de enxofre e amônia, insumos comuns para diversos tipos de fertilizantes, também foi reduzido.
A consequente escassez no abastecimento de fertilizantes fez os preços dispararem devido ao temor de falta de estoques. Isso intensificou as pressões sobre os agricultores norte-americanos -- um dos principais blocos eleitorais do presidente Donald Trump -- e levou organizações humanitárias globais a alertar que a situação poderia agravar a fome em nações vulneráveis, colocando em risco as colheitas de grãos do próximo ano.
As importações norte-americanas de fertilizantes provenientes de portos afetados pelo Estreito de Ormuz caíram de 93.550 toneladas métricas em maio de 2025 para zero em maio deste ano. Ao mesmo tempo, o total de importações de fertilizantes dos EUA caiu de 991.322 toneladas métricas para 552.767 toneladas métricas, informou a Descartes Datamyne.
Os preços globais dos fertilizantes subiram cerca de 20% entre fevereiro e maio, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), já que a região do Golfo do Oriente Médio fornecia 34% dos fertilizantes à base de ureia do mundo, 23% das exportações mundiais de amônia e quase metade das exportações de enxofre.
Por outro lado, os preços dos fertilizantes nitrogenados têm caído recentemente devido a uma queda sazonal na demanda, enquanto os preços dos fertilizantes fosfatados permanecem elevados.
As importações de fertilizantes dos EUA costumam aumentar no início do ano civil, à medida que os fornecedores formam estoques antes do plantio da primavera. As importações de fevereiro de 2026 chegaram a 464.253 toneladas métricas antes de cair nos três meses seguintes, segundo dados da Descartes Datamyne.
Os agricultores dos EUA, que cultivam safras como milho, trigo, soja e sorgo, têm sido afetados pelos custos mais altos de fertilizantes e combustíveis, o que se soma à pressão causada pela seca, pelo aumento dos custos dos insumos e pela perda de vendas devido às políticas tarifárias de Trump.
(Reportagem de Lisa Baertlein e Karl Plume)