Cenário de fertilizantes muda ritmo de compras para a safrinha

Publicado em 17/07/2026 10:27
Dados fazem parte do Visão Agro, relatório divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA

O mercado brasileiro de fertilizantes apresenta um comportamento distinto entre nutrientes. Enquanto a queda dos preços internacionais da ureia abriu uma janela de oportunidade para os nitrogenados, os fosfatados seguem pressionados por restrições globais de oferta e custo alto de uma das principais matérias-primas, o enxofre. Esse quadro tem levado parte dos produtores a adotar uma estratégia mais seletiva nas compras, com postergação de aquisição e ajustes no manejo de fósforo.

Esse comportamento já aparece nos dados de comércio exterior. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as importações brasileiras de fertilizantes somaram 15 milhões de toneladas até maio, volume 1,5% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado. A retração foi puxada principalmente pela menor entrada de nitrogenados e fosfatados, movimento parcialmente compensado pelo aumento das compras de potássicos.

No caso dos nitrogenados, a ureia voltou a ganhar competitividade com o recuo das cotações internacionais, que já se encontram abaixo dos níveis observados antes do início da guerra. A melhora na relação de troca favorece os produtores que ainda não haviam travado suas compras. Até maio, as importações brasileiras de ureia somaram 1,5 milhão de toneladas, queda de 27% em relação ao mesmo período de 2025, mas a expectativa é de recuperação dos volumes no segundo semestre, quando a demanda para a safrinha tende a se intensificar.

Entre os fosfatados, a dinâmica é distinta. As importações de MAP recuaram 28% até maio, para cerca de 1 milhão de toneladas, enquanto as de SSP caíram 13%, para 1,1 milhão de toneladas. A queda também ocorreu no enxofre cujas importações diminuíram 45%, para 600 mil toneladas, diante do preço elevado. Esse movimento tem contribuído para reduzir a produção de fosfatados no mercado nacional.

Com preços ainda elevados e pouca sinalização de alívio no curto prazo, parte dos produtores deve reduzir a adubação fosfatada na safra de soja. O ajuste, porém, tende a ser limitado, uma vez que parcela relevante dos insumos já havia sido comprada antes da escalada recente de preços.

“A queda da ureia com o avanço das negociações no Oriente Médio e a volta da China ao mercado Global melhorou a relação de troca dos nitrogenados e favoreceu os produtores que ainda não haviam fechado compras. Para a safrinha, a comercialização de fertilizantes segue mais lenta em diversas regiões produtoras, especialmente entre os fosfatados, mas o atraso não indica, por ora, restrição imediata ao manejo. Ainda há tempo para acompanhar a evolução dos preços e das relações de troca antes da definição final da estratégia de adubação. Nos fosfatados, porém, o cenário segue mais pressionado pelo encarecimento do enxofre e pela oferta global mais restrita, o que limita a possibilidade de uma queda expressiva nas cotações no curto prazo”, afirma Wharlhey Nunes, analista da Consultoria Agro do Itaú BBA. 

Fonte: Itaú BBA

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