Soja despenca em Chicago com tombo do petróleo e lidera baixas entre as commodities
A forte reversão registrada pelo mercado internacional de petróleo nesta terça-feira (4) voltou a pressionar de forma intensa o complexo soja e os demais grãos negociados na Bolsa de Chicago, além de pesar também sobre as soft commodities negociadas na Bolsa de Nova Iorque. Depois de iniciar o dia em alta diante das incertezas geopolíticas no Oriente Médio, o petróleo mudou de direção e passou a recuar mais de 3%, desencadeando um movimento de aversão ao risco entre as commodities. As baixas se davam tanto no WTI, quanto no brent e pesavam também sobre o gás natural. Na outra ponta, as ações americanas e os metais preciosos avançavam de forma expressiva.
A queda do petróleo atingiu em cheio o óleo de soja, que chegou a perder mais de 1%, mas foi amenizando as perdas e, por volta de 9h35 (horário de Brasília), recuavam pouco mais de 0,6% nas posições mais negociadas. O movimento também se estendeu ao milho e ao trigo, que acompanharam o viés negativo em um ambiente de liquidação generalizada das commodities agrícolas, testando inicialmente perdas de mais de 1%, mas também reduzindo a intensidade das perdas. A soja em grão, por outro lado, liderava as baixas.
Os futuros da oleaginosa perdiam entre 7,75 e 10,25 pontos nos principais vencimentos, levando o novembro a US$ 11,82 e o janeiro a US$ 11,97 por bushel. No trigo, as perdas passavam de seis pontos nas principais referências, com o dezembro/26 valendo US$ 6,62 por bushel.
A mudança de direção do petróleo ocorre diante da renovação das expectativas de avanço nas negociações diplomáticas envolvendo Estados Unidos e Irã. A percepção de um possível alívio nas tensões sobre o fornecimento global de petróleo reduziu o prêmio de risco embutido nos preços da commodity, levando Brent e WTI a devolverem boa parte dos ganhos recentes.
Segundo informações da agência internacional de notícias Bloomberg, "o Catar anunciou que foi elaborado um possível acordo para retomar as negociações entre os EUA e o Irã, enquanto mediadores pressionam por uma solução de curto prazo para reduzir as tensões". Um porta-voz do país afirmou ainda que "proposta de resolução está sendo discutida entre as partes", mas ainda sem um acordo no horizonte. O foco estaria na busca por uma solução de curto prazo para evitar confrontos mais sérios.
Nas últimas horas, as declarações dos Estados Unidos e do Irã foram bastante divergentes em relação às negociações. O presidente americano Donald Trump afirma que as negociações estão em andamento e que esta é a última chance do Irã garantir um bom acordo com os EUA. De outro lado, as autoridades iranianas negam veemente as afirmações e garantem que não estão em processo de negociação com o Washington. Assim, é incerta a situação e os mercados seguem estressados e sem perspectiva, se adaptando às manchetes que mudam rapidamente.
Leia mais:
+ Situação das negociações entre EUA e Irã é incerta após navio ser atingido no Estreito de Ormuz
Ao mesmo tempo, o mercado continua encontrando pouca sustentação nos fundamentos agrícolas. A manutenção das boas perspectivas para a safra norte-americana, favorecida pelo clima até aqui favorável no Meio-Oeste dos Estados Unidos, segue limitando tentativas de recuperação das cotações e incentivando novas vendas por parte dos fundos de investimento.
Leia mais:
+ Soja recua em Chicago com safra dos EUA consolidando bom potencial; petróleo e óleo limitam perdas
Com isso, o mercado agrícola volta a operar sob influência predominante dos fatores macroeconômicos. Enquanto o petróleo permanece pressionado e os investidores reduzem posições em ativos considerados mais arriscados, soja, milho e trigo tendem a manter um viés defensivo, acompanhando de perto tanto a evolução das negociações geopolíticas quanto o comportamento do mercado financeiro global.
E um dos pontos de maior sensibilidade entre todos os envolvidos continua sendo o estreito de Ormuz. O local segue inseguro, com EUA e o Irã disputando o controle da rota marítima, com agora Omã buscando um acordo para um controle conjunto do estreito.
"Segundo fontes familiarizadas com o assunto, a passagem foi minada pelo Irã e pode ter que ser desminada antes que embarcações possam utilizá-la regularmente. O ponto de estrangulamento, um canal vital para o fornecimento de petróleo, gás natural liquefeito e outras mercadorias, como fertilizantes, permanece praticamente fechado. Quase nenhum navio está navegando por ali, pelo menos não com seus transponders ligados. A maioria dos que o fazem segue por uma rota ao norte, próxima à costa do Irã, com permissão iraniana, ou por uma rota ao sul, perto do território omanita", complemeta a Bloomberg.