SLC eleva lucro em 75% no 2º tri e vê preços melhores para 2026/27
Por Roberto Samora e Alberto Alerigi Jr
SÃO PAULO, 12 Ago (Reuters) - A SLC Agrícola teve lucro líquido de R$245 milhões no segundo trimestre, alta de 75,3% sobre o resultado do mesmo período do ano passado, com impulso de recordes de produtividade na soja e no algodão, segundo balanço divulgado nesta quarta-feira.
O lucro da companhia, uma das maiores produtoras de grãos e oleaginosas do Brasil, superou as expectativas do mercado, embora o Ebitda tenha ficado abaixo.
"As duas principais culturas, a soja e o algodão, tiveram recordes de produtividade, fato bem importante para comemorarmos em 2026, porque é um ano em que crescemos a área plantada em 13%", disse o diretor-presidente da companhia, Aurélio Pavinato, em entrevista a jornalistas após a divulgação do balanço.
A SLC apurou um resultado operacional medido pelo Ebitda ajustado de R$580,6 milhões, crescimento de 4,3% na mesma comparação.
Analistas, em média, esperavam lucro líquido de R$191,8 milhões para a SLC no segundo trimestre, com Ebitda de R$703,9 milhões, segundo dados da LSEG.
A empresa faturou 806,1 mil toneladas de produtos agrícolas no trimestre, volume 14,4% superior ao registrado entre abril e junho de 2025 e recorde para o período.
A produtividade da soja da SLC marcou média de 4.146 quilos por hectare em 2025/26, acima da expectativa e dos 3.961 kg/ha da temporada passada. No algodão, a companhia obteve 2.155 kg/ha, contra 1.920 kg/ha.
Com maior produção, a SLC está mais positiva para os resultados do segundo semestre, na comparação com o mesmo período do ano passado, disse Pavinato.
No hedge da soja da safra 2025/26, a SLC já vendeu 90% da produção, em meio a uma recuperação de preços, informou a empresa.
"E no algodão, como estamos produzindo mais, avançamos (na comercialização) com esses preços melhores", disse ele, lembrando que a companhia já está com 95% da pluma vendida.
SAFRA NOVA MELHOR
Para a safra nova (2026/27), a SLC tem expectativa de "manter ou melhorar as margens", mesmo em um cenário de pressão de custos de insumos, disse Pavinato.
A situação difere do mercado, de maneira geral, que vê margens mais apertadas.
No caso da SLC, a empresa já conseguiu fechar compras da maior parte dos fertilizantes e defensivos, atingindo índices de aquisições de 90% para o cloreto de potássio, 100% para os fosfatados, 70% para os adubos nitrogenados, além de 96% dos defensivos.
"O nitrogênio, que não tínhamos comprado no trimestre passado, esperamos cair o preço e caiu. Quando atingiu o fundo do poço, compramos 70%, e agora estamos esperando para comprar em nova oportunidade do mercado", disse.
Segundo ele, a formação de custos da SLC para 2026/27 está "bem competitiva".
A companhia também evoluiu nas vendas antecipadas de soja para aproximadamente metade da produção esperada, realizando hedge para 35% do total e contando com compromissos de vendas de outros cerca de 15%.
Para a safra nova, a SLC vê preços em dólares das três commodities (soja, milho e algodão) melhores que os preços da safra atual, por impacto dos conflitos, maiores custos de produção em meio à alta do petróleo e questões de oferta e demanda.
"No milho vai haver déficit de produção (global), oferta menor que a demanda", disse ele, lembrando que os estoques mundiais do cereal estão relativamente baixos.
Enquanto isso, a área plantada com soja não deve crescer no Brasil, maior produtor e exportador global, devido a margens pressionadas dos produtores, um fator de sustentação para o mercado da oleaginosa, comentou.
Ele comentou ainda que, no Brasil, a margem do produtor de soja não está melhorando de forma geral porque o câmbio se apreciou. "Acaba sendo o mesmo preço em reais do ano passado."
"26/27 não deve expandir", disse ele, em referência à área de soja do Brasil. "Parece que estamos passando pelo fundo do poço, começamos a ver cenário de recuperação."
(Por Roberto Samora e Alberto Alerigi Jr.;Edição Igor Sodré)