Irrigação muda a conta do hectare e abre espaço para novas safras no Triângulo Mineiro

Publicado em 04/09/2026 09:34
Com soja em patamar recorde e terceira safra de feijão concentrada em áreas irrigadas do Centro-Sul, produtores buscam aproveitar a mesma terra por mais períodos do ano

O Brasil caminha para colher uma safra recorde de 360,8 milhões de toneladas de grãos em 2025/26, mas dois produtos importantes revelam movimentos bastante diferentes dentro desse resultado. Enquanto a soja deve alcançar 180,5 milhões de toneladas, o feijão deve ficar próximo de 3 milhões de toneladas, queda de 3,2% em relação ao ciclo anterior, segundo o levantamento mais recente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Há, entretanto, um detalhe por trás da produção de feijão que ajuda a explicar uma transformação em curso em regiões agrícolas como o Triângulo Mineiro. Das três safras anuais da leguminosa, a terceira é cultivada predominantemente em áreas irrigadas no Centro-Sul e deve entregar cerca de 681 mil toneladas nesta temporada.

A irrigação permite que uma mesma propriedade seja pensada para além de uma única janela produtiva. Em áreas onde soja, milho e feijão entram em sucessão, a disponibilidade controlada de água ajuda a reduzir a dependência das chuvas e amplia as possibilidades de planejamento ao longo do calendário agrícola.

No Triângulo Mineiro, onde grandes áreas utilizam sistemas de pivô central, essa lógica transforma também a conta econômica do hectare. Depois do investimento em estrutura de irrigação, energia, sementes, fertilizantes e demais insumos, o desafio deixa de ser apenas irrigar e passa a incluir quanto valor aquela estrutura consegue gerar durante o ano. “Quando existe um pivô instalado, precisamos enxergá-lo como parte de uma estrutura produtiva que precisa entregar resultado. A água dá ao produtor maior capacidade de planejamento, mas existe um custo envolvido. Por isso, eficiência hídrica e produtividade precisam andar juntas”, afirma Loremberg Moraes, diretor da Hydroplan-EB.

A relação fica mais evidente na sucessão de culturas. Em Minas Gerais, a própria Conab registrou nesta safra o plantio de feijão de segundo ciclo em sucessão a culturas como milho e soja. Já na terceira safra, a irrigação ganha ainda mais relevância justamente por permitir produção durante um período de menor disponibilidade natural de água.

O feijoeiro também responde diretamente às condições hídricas do solo. A Embrapa destaca que tanto a deficiência quanto o excesso de água podem reduzir sua produtividade, razão pela qual o manejo deve considerar o momento e a quantidade adequada de irrigação. “O pivô resolve uma parte importante do problema, que é levar água para a lavoura. A etapa seguinte é aumentar o aproveitamento dessa água no sistema produtivo. Se conseguimos mantê-la disponível por mais tempo na região explorada pelas raízes, reduzimos perdas e damos à planta melhores condições para atravessar períodos de maior demanda”, explica Moraes.

É nessa frente que a Hydroplan-EB vem direcionando o HB10 Pivot para áreas irrigadas de soja e feijão em Minas. Desenvolvido para utilização em sistemas de pivô central, o produto atua sobre a disponibilidade de água no solo e busca aumentar a eficiência hídrica das lavouras.

A discussão ganha relevância porque irrigação não elimina automaticamente o risco de perda de produtividade. No acompanhamento da safra 2025/26, a Conab observou diferenças entre áreas irrigadas e de sequeiro e registrou melhores condições e expectativa de produtividade nas lavouras beneficiadas pela reposição de umidade.

Para Moraes, a tecnologia de irrigação tende a ser avaliada cada vez mais pelo resultado obtido a partir de cada volume de água aplicado. “Durante muito tempo, a discussão foi sobre ter ou não ter irrigação. Agora estamos entrando em outra etapa. O produtor começa a perguntar quanto consegue produzir com aquela água, quanto custa cada aplicação e como pode aproveitar melhor a estrutura que já possui. É uma mudança importante porque coloca eficiência no centro da decisão”, afirma.

Essa conta se torna ainda mais relevante quando diferentes culturas ocupam a mesma área ao longo do ano. A soja encerrou a safra 2025/26 com produção próxima de 180,5 milhões de toneladas no país, enquanto o feijão mantém três ciclos produtivos e encontra justamente na irrigação uma das bases para viabilizar a terceira safra no Centro-Sul.

No Triângulo Mineiro, portanto, o pivô começa a representar mais do que uma proteção contra períodos sem chuva. Ele se torna uma ferramenta para organizar o calendário da propriedade, ampliar as possibilidades de cultivo e buscar maior retorno sobre cada hectare já incorporado à produção.

Fonte: Hydroplan-EB

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