Venda de máquinas recua 15,5% em agosto, diz Abimaq

Publicado em 30/09/2026 16:28 e atualizado em 30/09/2026 17:01

SÃO PAULO, 30 Set (Reuters) - A indústria brasileira de máquinas e equipamentos recuou em agosto na comparação anual, com a receita líquida caindo 15,5%, para R$22,9 bilhões, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pela associação de fabricantes Abimaq.

Na comparação com julho, o recuo foi de 11,3% considerando ajuste sazonal. No acumulado de janeiro a agosto, o setor registrou queda de 13,2% em relação ao mesmo período de 2025.

Segundo a diretora de competitividade, economia e estatística da Abimaq, Cristina Zanella, os números de agosto confirmaram o cenário que a associação já vinha desenhando desde o começo do ano, que é de uma retração no mercado doméstico.

"O resultado reforça a percepção de que o investimento continua arrefecido", disse Zanella em entrevista coletiva.

A diretora colocou como uma das principais causas para o desempenho fraco o atual nível da taxa de juros, que está em 13,75% ao ano.

"Os juros a gente coloca como principal. Faz com que empresas posterguem projetos", afirmou.

Zanella também citou as eleições como um fator que pressiona os negócios. "Ano eleitoral causa muita desconfiança e incerteza, então ocorre adiamento de decisões de investimento", disse Zanella.

Nesse contexto, a associação manteve expectativa de recuo de 8,4% na receita líquida de máquinas e equipamentos para 2026.

A receita no Brasil caiu 16,4% em agosto ante o mesmo mês de 2025, para R$16,8 bilhões. O consumo aparente também recuou 5,2%, para R$33,1 bilhões.

"O desempenho negativo observado em 2026 reflete o enfraquecimento da demanda doméstica, provavelmente em razão das condições financeiras restritivas", disse a Abimaq, em apresentação à imprensa.

As exportações tiveram uma queda de 6,3% na comparação com agosto de 2025, somando US$1,18 bilhão. Já as importações somaram US$2,98 bilhões em agosto, disparando 16,7% na base anual.

“Esse aumento das importações é liderado pela China, que ocupa 36% das importações de máquinas e equipamentos”, disse Zanella.

Segundo a Abimaq, as importações de máquinas e equipamentos mantiveram a tendência de concentração de origem, com a China na liderança isolada como país de origem, seguida pelos Estados Unidos e pela Alemanha.

O nível de utilização da capacidade instalada atingiu 79,6% em agosto ante 79,0% um ano antes.

A carteira de pedidos subiu para 10,1 semanas, nível 13,3% superior a agosto de 2025.

(Por Igor Sodré, edição Alberto Alerigi Jr. e Pedro Fonseca)

Fonte: Reuters

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