Entregas de fertilizantes foram de 22,98 milhões de toneladas de janeiro a julho, 8,8% a menos do que em 2025
A ANDA (Associação Nacional para Difusão de Adubos) informa que as entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro encerraram o mês de julho de 2026 com 3,96 milhões de toneladas. O volume significa redução de 22,3% em relação ao mesmo mês de 2025, quando foram entregues 5,09 milhões de toneladas.
No período de janeiro a julho de 2026, foram registradas 22,98 milhões de toneladas de entregas ao mercado. Isso significou redução de 8,8% ante as 25,21 milhões de toneladas registradas em igual período de 2025. A ANDA destaca que no primeiro trimestre do ano houve impacto positivo da boa safrinha. As compras seguiam normalmente no início do ano, mas após o início da guerra no Irã, viu-se o arrefecimento de novos negócios, o que acaba sendo percebido a partir do mês de maio nas menores entregas e que afetará as entregas para a safra 2026/2027.
O Estado de Mato Grosso, líder nas entregas ao mercado, concentra a maior quantidade no período até julho, com 5,83 milhões de toneladas, ou 25,4% do total. Seguem-se: Paraná (2,60 milhão), Goiás (2,45 milhão), São Paulo (2,36 milhão), Rio Grande do Sul (1,70 milhão), Bahia (1,65 milhão) e Minas Gerais (1,64 milhão).
Produção Nacional
A produção nacional de fertilizantes intermediários encerrou o mês de julho de 2026 com 517 mil toneladas. O volume representa queda de 19,9% ante o mesmo mês de 2025.
No acumulado de janeiro a julho de 2026, foram 3,34 milhões de toneladas. Houve queda de 19,7% em relação a igual período do ano passado, quando se produziram 4,16 milhões de toneladas.
A queda se deve principalmente ao fato de o Brasil produzir fosfatados e o enxofre, insumo necessário para essa produção, vir registrando altas contínuas no mercado.
Cabe esclarecer que, apesar dos reforços da ANDA perante as empresas, em função de mudanças na estrutura societária ou de retomadas de produção em ativos, nem toda a produção nacional foi capturada no período, particularmente a produção de ureia e de cloreto de potássio.
Importação
As importações de fertilizantes intermediários continuam chegando ao Brasil com redução, totalizando em julho, 3,54 milhões de toneladas, com queda de 21,4%. No acumulado de janeiro a julho de 2026, o total foi de 21,23 milhões de toneladas, significando retração de 7,6% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram importadas 22,98 milhões de toneladas.
Porta de entrada
No porto de Paranaguá, principal porta de entrada dos adubos, ingressaram, de janeiro a julho, 5,40 milhões de toneladas, indicando redução de 10,0% em relação a 2025, quando foram descarregadas 6,0 milhões de toneladas. O terminal representou 25,4% do total importado de todos os portos (Fonte: Siacesp/MDIC).
Panorama atual
O mercado brasileiro chega à segunda quinzena de setembro com sinais de desaceleração na entrada de fertilizantes. Além disso, o ritmo de importações, custo dos nutrientes, crédito e capacidade de compra do produtor são questões relevantes para o cenário atual.
Setembro é particularmente importante, já que quanto menor o volume contratado e importado agora, maior a necessidade de acompanhar os estoques disponíveis para os próximos ciclos de aplicação.
O Brasil mantém perspectiva de safra elevada, mas entra no período crítico de compras de insumos com importações mais lentas, entregas domésticas em queda e menor poder de compra do produtor.
Nitrogenados são o principal ponto de atenção
Entre os diferentes nutrientes, os nitrogenados merecem atenção especial. Indicadores apontam que as importações de nitrogênio contido em ureia, sulfato de amônio e nitrato de amônio ficaram cerca de 20% abaixo do registrado nos primeiros oito meses de 2025.
Esse dado ganha importância porque a segunda metade do ano costuma concentrar uma aceleração das compras de nitrogenados, associada principalmente ao planejamento das próximas safras e às aplicações no milho.
A safra brasileira continua crescendo e isso mantém a demanda estrutural. Enquanto as compras de fertilizantes desaceleram, a agricultura brasileira mantém uma trajetória de expansão. O que mudou é a capacidade financeira e o momento da decisão de compra.
Se as importações continuarem abaixo do ritmo de 2025 enquanto a demanda agrícola acelerar, o mercado poderá entrar nos próximos meses com menor folga de estoque. Se, por outro lado, as cargas programadas forem efetivamente desembarcadas e as compras do produtor reagirem, parte dessa pressão poderá ser absorvida.