Exportações brasileiras de DDG/DDGS crescem 38,6% em 2026 e China assume liderança entre destinos

Publicado em 07/10/2026 12:41
País asiático, que começou a receber grandes cargas brasileiras neste ano, já concentra mais da metade dos embarques; setembro teve maior volume destinado à China em 2026

As exportações brasileiras de DDG/DDGS cresceram 38,6% nos nove primeiros meses de 2026 e ganharam uma nova configuração com a entrada da China entre os principais compradores. Entre janeiro e setembro, o Brasil embarcou 895,4 mil toneladas, ante 646 mil toneladas no mesmo período do ano passado.

O levantamento foi realizado pelo Notícias Agrícolas a partir dos dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) para a NCM 23021000, que reúne “sêmeas, farelos e outros resíduos, mesmo em pellets, da peneiração, moagem ou de outros tratamentos do milho”, classificação utilizada pelo setor para acompanhar as exportações de DDG/DDGS.

Além do aumento de 249,4 mil toneladas no volume exportado, a receita obtida com os embarques avançou 45,2%, passando de US$ 144,5 milhões entre janeiro e setembro de 2025 para US$ 209,7 milhões no mesmo intervalo de 2026.

A principal mudança, porém, aparece no destino dessas exportações. A China, que não figurava entre os compradores brasileiros no mesmo período do ano passado, recebeu 479,6 mil toneladas entre janeiro e setembro de 2026 e passou a responder por 53,6% dos embarques.

Com isso, o país asiático assumiu a liderança que pertencia à Turquia. Entre janeiro e setembro de 2025, os turcos haviam adquirido 247,4 mil toneladas, equivalentes a 38,3% das exportações brasileiras da categoria, enquanto o Vietnã aparecia na sequência, com 194,4 mil toneladas e participação de 30,1%.

Neste ano, a Turquia caiu para a segunda posição, com 192,7 mil toneladas e 21,5% do total, seguida por Vietnã, com 73,3 mil toneladas e 8,2%.

China acelera compras em setembro

A mudança no mapa das exportações começou a ganhar forma em fevereiro, quando foi realizado o primeiro grande embarque brasileiro de DDGS para a China, com cerca de 62 mil toneladas. O acesso ao mercado havia sido autorizado em maio de 2025 e, em novembro, os primeiros cinco estabelecimentos brasileiros foram habilitados a realizar os embarques.

A primeira carga chegou ao porto de Nansha, em Guangzhou, em abril deste ano, consolidando a entrada efetiva do produto brasileiro naquele mercado.

Os dados da Secex mostram que o fluxo ganhou novo impulso em setembro. Foram 114,5 mil toneladas destinadas à China no mês, maior volume mensal registrado para o país asiático em 2026 e mais que o dobro das 56,6 mil toneladas embarcadas em agosto.

Somando todos os destinos, o Brasil exportou 132,6 mil toneladas da categoria em setembro. A China respondeu sozinha por 86,4% desse volume.

O avanço também aparece quando o fluxo é observado pela outra ponta. Reportagem publicada pelo Notícias Agrícolas nesta semana mostrou que o Brasil respondeu por 100% das importações chinesas de DDGS acumuladas até julho de 2026.

Assim, em poucos meses, a relação comercial ganhou peso nos dois sentidos: o Brasil tornou-se fornecedor do DDGS importado pela China e o mercado chinês passou a ser o principal destino das exportações brasileiras do produto.

Novo mercado para uma produção crescente

A expansão das exportações ocorre em meio ao crescimento da indústria brasileira de etanol de milho, que amplia também a disponibilidade de coprodutos como DDG e DDGS destinados à alimentação animal.

Em fevereiro, o Notícias Agrícolas já havia mostrado que as exportações brasileiras de DDG/DDGS cresceram 9,77% em 2025 e que a abertura do mercado chinês surgia como uma nova frente para uma indústria em expansão.

Na ocasião, a União Nacional do Etanol de Milho (Unem) projetava produção de 9,9 bilhões de litros de etanol de milho e 4,83 milhões de toneladas de DDGS na safra 2025/26. Para 2034/35, as projeções chegavam a 21,76 bilhões de litros e 10,39 milhões de toneladas, respectivamente.

Guilherme Nolasco, presidente-executivo da Unem, destacava também a importância da diversificação dos destinos diante do crescimento da produção. “A diversificação de mercados traz segurança ao setor e reduz a vulnerabilidade”, afirmou na ocasião.

Rafael Verruck, diretor de trading mercado interno, óleo e DDGS da Inpasa, ressaltava ainda o papel da industrialização do milho na geração de valor dentro do país. “Em vez de exportar apenas o grão in natura, transformamos o milho em energia limpa e proteína de alta digestibilidade, com 32% de proteína, dentro das nossas biorrefinarias, gerando desenvolvimento regional antes mesmo do produto chegar ao porto”, afirmou.

Naquele momento, a entrada da China ainda representava o início de uma nova frente comercial. Os dados dos nove primeiros meses de 2026 mostram agora uma etapa diferente: além de contribuir para o crescimento das exportações brasileiras de DDG/DDGS, o novo mercado alterou em poucos meses o ranking dos principais compradores do produto brasileiro.

Fonte: Notícias Agrícolas

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