Dia do Engenheiro Agrônomo: ANFFA alerta para déficit de servidores na fiscalização
Em um momento em que o Brasil amplia sua produção agropecuária e enfrenta desafios cada vez mais complexos relacionados à fiscalização de insumos e controle de pragas, faltam profissionais para atividades essenciais desse sistema. O país conta atualmente com 2.461 Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Affas) em atividade, mas o déficit estimado é de 1.233 servidores. No Dia do Engenheiro Agrônomo, celebrado em 12 de outubro, o Anffa Sindical alerta para a necessidade de recomposição contínua da carreira, tanto para atender à demanda existente, quanto para substituir profissionais que estão próximos da aposentadoria.
Boa parte dos profissionais que compõem a carreira de Affa é formada por engenheiros agrônomos, responsáveis por atividades estratégicas para a defesa agropecuária brasileira. Entre elas estão a fiscalização de insumos, como sementes e fertilizantes, aviação agrícola e produção orgânica, além da inspeção de produtos de origem vegetal, incluindo alimentos e bebidas, e das ações de controle e prevenção de pragas, englobando, em todas, a educação sanitária.
Embora o último concurso tenha representado um reforço para a carreira, o Sindicato avalia que as novas nomeações ainda não são suficientes para recompor as perdas acumuladas ao longo dos últimos anos. Além do déficit existente, aproximadamente 15% dos auditores atualmente em atividade recebem abono de permanência, o que significa que já preencheram requisitos para aposentadoria e podem deixar o serviço público a qualquer momento.
Para o presidente do Anffa Sindical, Janus Pablo de Macedo, é necessário estabelecer uma política permanente de recomposição dos quadros. “Não basta somente repor os profissionais que já saíram. Precisamos olhar para o tamanho da demanda, para as novas atribuições da fiscalização e também para o número de servidores que poderá se aposentar nos próximos anos. A defesa agropecuária é uma atividade permanente e estratégica para o país, e a reposição dos profissionais precisa seguir essa mesma lógica de continuidade”, afirma.
Um trabalho que começa antes de o problema aparecer
Uma das principais atribuições dos engenheiros agrônomos que atuam como Affas está justamente na prevenção. São profissionais responsáveis por identificar riscos, verificar o cumprimento das normas e atuar para impedir que problemas como disseminação de pragas, irregularidades em insumos ou falhas em processos produtivos atinjam proporções maiores.
Para a Auditora Fiscal Federal Agropecuária,Uéllen Colatto, a complexidade dessa atuação aumentou ao mesmo tempo em que a agricultura brasileira incorporou novas tecnologias e ampliou sua presença em mercados nacionais e internacionais.
“A fiscalização acompanha uma agricultura que está em constante transformação. Surgem novas tecnologias, novos produtos e novas formas de produção, e o auditor precisa estar tecnicamente preparado para avaliar esses processos e os riscos envolvidos. Quando há escassez de profissionais, aumenta a pressão sobre equipes que já precisam atender áreas muito amplas e demandas cada vez mais especializadas”, explica a auditora.
Fiscalização também protege mercados
O trabalho dos engenheiros agrônomos que atuam como Affas também está relacionado à confiança na produção brasileira. A defesa agropecuária integra uma estrutura responsável por garantir que produtos e processos atendam às exigências sanitárias e fitossanitárias estabelecidas pelo Brasil e pelos mercados compradores.
Para o Anffa Sindical, portanto, recompor o quadro de servidores e garantir formação adequada e constante não é apenas uma demanda da categoria, mas uma necessidade para acompanhar a dimensão e a complexidade da produção agropecuária brasileira.
Pablo também destaca o caráter transversal da carreira, que vai além das atividades de fiscalização. “Temos auditores atuando em diferentes frentes estratégicas, como formulação e execução de políticas agrícolas, inovação, negociações e outras áreas diretamente relacionadas ao desenvolvimento e à competitividade do agronegócio brasileiro. É uma carreira que participa de diferentes etapas e decisões fundamentais para o setor”, afirma.
“O Brasil construiu uma posição relevante na produção e no comércio de produtos agropecuários. Essa estrutura produtiva precisa ser acompanhada por uma fiscalização pública compatível com seu tamanho. Valorizar e recompor a carreira significa preservar a capacidade do Estado de proteger a agricultura, o consumidor e a credibilidade dos produtos brasileiros”, conclui Janus Pablo.