Enxofre cai 23% nos portos brasileiros, mas fertilizantes fosfatados ainda resistem à baixa

Publicado em 21/10/2026 13:40
StoneX aponta recuo da matéria-prima nas últimas sete semanas, enquanto preços do MAP seguem elevados; disponibilidade de insumos e calendário de compras condicionam eventual alívio para o produtor

Os preços do enxofre nos portos brasileiros recuaram aproximadamente 23% nas últimas sete semanas e voltaram a ficar abaixo de US$ 1.000 por tonelada. Entretanto, o movimento ainda não provocou uma redução equivalente nos preços dos fertilizantes fosfatados, que permanecem em patamares elevados, mesmo diante do alívio recente observado em uma de suas matérias-primas.

Os dados foram divulgados na segunda-feira (19) pela StoneX. Segundo Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da consultoria, a desvalorização do enxofre está relacionada à retração da demanda internacional, depois que a forte alta de preços levou importadores a reduzir suas compras.

A valorização da matéria-prima durante o ano também afetou a produção de fertilizantes fosfatados em diferentes países, contribuindo para restringir a disponibilidade desses produtos. Dessa forma, embora a queda recente do enxofre represente uma condição mais favorável para a indústria, a StoneX avalia que seus efeitos ainda devem levar tempo para alcançar o mercado de fertilizantes.

O comportamento do fosfato monoamônico (MAP), um dos principais fertilizantes utilizados no Brasil, ilustra essa resistência. Segundo a consultoria, o produto acumulou alta de aproximadamente 23% entre o início do conflito no Oriente Médio e o pico de preços registrado em 2026. Desde aquele pico até a semana anterior à divulgação, a queda foi de cerca de 7%.

Os percentuais representam intervalos diferentes e não permitem calcular uma taxa direta de repasse da desvalorização do enxofre para o preço do MAP.

Apesar da queda recente do enxofre nos portos brasileiros, as preocupações com a disponibilidade internacional da matéria-prima permanecem. Relatório da Terra Investimentos, divulgado nesta quarta-feira (21), destaca que as restrições de oferta e os riscos geopolíticos continuam entre os fatores monitorados pelo setor de fertilizantes, o que pode limitar uma recuperação mais rápida da produção de fosfatados.

Referências mais recentes do mercado brasileiro também mostram que o movimento não é uniforme. Segundo levantamento da Nobel Trading divulgado na terça-feira (20), o MAP passou de US$ 836 para US$ 840 por tonelada na modalidade CFR Brasil, que considera o custo do produto e o frete até o porto de destino. Esses valores são referências de importação e não correspondem ao preço final pago pelos agricultores.

Queda nas importações também reflete ajuste do mercado

A pressão dos preços elevados aparece nos volumes importados pelo Brasil. Conforme a StoneX, as compras externas de enxofre entre janeiro e setembro de 2026 ficaram aproximadamente 48% abaixo das registradas no mesmo período de 2025.

Entre os fertilizantes fosfatados, as importações de MAP recuaram cerca de 15%, enquanto as de superfosfato simples (SSP) apresentaram redução de 24% na mesma comparação.

Esses movimentos demonstram uma diminuição dos fluxos comerciais, mas não significam, isoladamente, que exista desabastecimento no mercado brasileiro. O calendário das compras, os preços e a substituição entre diferentes produtos também influenciam os volumes adquiridos.

O enxofre é uma matéria-prima importante na fabricação de fertilizantes fosfatados, por ser utilizado na produção de ácido sulfúrico, empregado na cadeia industrial de obtenção do ácido fosfórico. Por isso, alterações em seu preço e disponibilidade podem afetar os custos de produção do setor.

A transmissão dessas mudanças para os preços dos fertilizantes, entretanto, não é automática. A disponibilidade do produto final, os demais custos industriais, os estoques e as condições de oferta e demanda também interferem na formação das cotações.

Em sua avaliação, a StoneX considera que a recente queda do enxofre ainda não foi suficiente para normalizar as condições do mercado de fosfatados. A consultoria não descarta novas correções nos preços da matéria-prima, mas ressalta que o equilíbrio da cadeia dependerá de uma melhora mais consistente das condições de produção e oferta.

Para o produtor, momento das compras será decisivo

A possibilidade de redução dos preços dos fosfatados ganha importância especialmente para os produtores que ainda precisam contratar fertilizantes destinados a 2027.

Em análise divulgada em 14 de outubro, a StoneX destacou que a principal janela de compras de fosfatados e potássicos para a safra brasileira de soja 2026/27 já havia passado, reduzindo a pressão da demanda nacional sobre o mercado internacional.

Isso significa que uma eventual queda adicional dos preços teria efeito limitado sobre os custos de quem já adquiriu seus insumos. Para os produtores com compras ainda abertas, o comportamento das cotações permanece relevante, mas a redução das referências internacionais não garante alívio imediato no preço entregue às propriedades.

A consultoria ressalta que existe um intervalo entre as negociações internacionais, a chegada dos fertilizantes ao Brasil e sua distribuição às regiões produtoras. Esse processo pode limitar o aproveitamento de eventuais oportunidades de compra.

Assim, embora o recuo de 23% no preço do enxofre represente uma mudança importante em relação às pressões anteriores, a expectativa de fertilizantes fosfatados mais baratos ainda depende da continuidade desse movimento e de seus efeitos sobre a oferta industrial.

Para os agricultores brasileiros, a questão permanece em aberto: quando e em que intensidade o alívio observado na matéria-prima poderá chegar às compras de fertilizantes que ainda precisam ser realizadas?

Fonte: Notícias Agrícolas

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