Banco do Brasil prevê renegociar mais de R$ 20 bilhões em dívidas rurais até novembro
A renegociação de dívidas rurais por meio das condições especiais previstas na Medida Provisória (MP) 1.376/2026 deve ultrapassar R$ 20 bilhões no Banco do Brasil até 12 de novembro, prazo final para a contratação das operações. A instituição financeira já renegociou R$ 3,3 bilhões e tem outros R$ 12,6 bilhões em propostas que estão em diferentes etapas de análise.
O avanço das contratações ganhou força em outubro, segundo o balanço apresentado pelo banco. Até o momento, cerca de R$ 9,8 bilhões em operações passaram pela pré-análise e estão aptos a avançar para a contratação, enquanto outros R$ 6,1 bilhões correspondem a propostas que chegaram às agências e ainda estão na fase inicial de avaliação.
Ao todo, são R$ 15,9 bilhões em aproximadamente 13 mil operações com potencial de enquadramento nas regras da medida. Os valores em análise, no entanto, ainda dependem da conclusão dos procedimentos necessários para que a renegociação seja efetivada.
A expectativa inicial do Banco do Brasil era alcançar um volume maior de adesões entre produtores inadimplentes. Segundo o vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar da instituição, Gilson Bittencourt, a procura aumentou depois que as condições foram ampliadas para contemplar também agricultores que permanecem em dia com seus compromissos financeiros.
Inadimplência segue como desafio para o crédito rural
Apesar do avanço das renegociações, a iniciativa não deve provocar uma redução imediata da inadimplência no agronegócio. O banco trabalha com a perspectiva de estabilização dos atrasos no quarto trimestre, seguida de uma queda gradual ao longo do tempo.
No encerramento do primeiro semestre, 6,27% da carteira de crédito destinada ao agronegócio no Banco do Brasil apresentava atrasos superiores a 90 dias. O percentual correspondia a aproximadamente R$ 26,4 bilhões de uma carteira de R$ 421,5 bilhões.
A instituição considera que o endividamento do setor continuará pressionado no curto prazo, diante das dificuldades financeiras enfrentadas por parte dos produtores. Entre os fatores que contribuíram para esse cenário estão as perdas provocadas por eventos climáticos adversos e as dificuldades de rentabilidade em determinadas atividades agropecuárias.
A renegociação busca oferecer condições para reorganizar os compromissos financeiros e preservar a capacidade de pagamento dos produtores. Ainda assim, o resultado dependerá tanto da adesão às novas condições quanto da situação econômica de cada tomador de crédito.
Publicada em julho de 2026, a MP 1.376 estabelece mecanismos para a reestruturação de determinadas dívidas de produtores rurais e cooperativas agropecuárias que enfrentaram dificuldades financeiras decorrentes de eventos climáticos ou da queda dos preços de comercialização.
Entre os critérios previstos estão a comprovação de perdas em pelo menos duas safras entre 2019 e 2025, com redução mínima de 30% da renda bruta agropecuária esperada. A situação deve ser demonstrada por meio de documentação técnica.
A medida também abrange determinadas operações de crédito rural que estejam inadimplentes desde janeiro de 2024, além de financiamentos que já tenham sido prorrogados ou renegociados anteriormente, desde que atendam às exigências estabelecidas.
As condições podem permitir a extensão dos pagamentos por até dez anos, conforme o enquadramento e a capacidade financeira do produtor.
O acesso às condições especiais não é automático. Os produtores precisam apresentar os documentos que comprovem as perdas, demonstrar a relação entre os prejuízos e a atividade financiada e atender aos critérios definidos para cada operação.
A capacidade de pagamento também é considerada na análise. O banco avalia se o produtor conseguirá cumprir o cronograma estabelecido após a renegociação, dentro do prazo previsto para a operação.
As exigências têm sido um obstáculo para parte dos agricultores que buscam reorganizar suas dívidas. Alguns produtores, diante das dificuldades de acesso aos mecanismos de renegociação, têm recorrido à Justiça para tentar reestruturar os compromissos financeiros.
Com o prazo de contratação previsto para 12 de novembro, o Banco do Brasil espera acelerar a análise das propostas nas próximas semanas. O volume efetivamente renegociado até o encerramento do período dependerá da conclusão dos processos e da aprovação das operações que ainda estão em avaliação.