Com paradeiro desconhecido, Flávio Bolsonaro descumpre prazo do STF para entregar passaportes
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) descumpriu o prazo para entrega de seus passaportes determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e teve os documentos cancelados, disseram à Reuters nesta terça-feira duas fontes da Polícia Federal com conhecimento do assunto.
O paradeiro de Flávio era desconhecido, após um veículo de imprensa argentino afirmar que ele teria entrado no país e viajaria de lá para os Estados Unidos. O governo argentino disse não ter registro da entrada de Flávio.
Procurados pela Reuters, assessores e pessoas próximas ao parlamentar ou se recusaram a informar onde ele está ou afirmaram não saber seu paradeiro.
Flávio, que é alvo de investigações de lavagem de dinheiro e outros crimes no STF, foi derrotado no domingo no segundo turno da eleição presidencial pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A decisão de Moraes obrigando Flávio a entregar os passaportes e proibindo o senador de deixar o Brasil ocorreu no âmbito de uma investigação contra o parlamentar e um amigo dele, o advogado Willer Tomaz, por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Ambos os acusados negam qualquer irregularidade.
Na segunda-feira, o senador disse em um vídeo publicado em suas redes sociais que tinha sido intimado naquela manhã a entregar os passaportes em até 24 horas, e prometeu cumprir a ordem. Ele falou que não deixaria o país e iria liderar a oposição contra o governo Lula.
PASSOS DO PAI?
O mistério em torno de seu paradeiro levantou preocupações de que ele possa seguir os passos do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que viajou para os Estados Unidos depois de se recusar a reconhecer a derrota para Lula na eleição presidencial de 2022.
Jair Bolsonaro acabou retornando ao Brasil, mas posteriormente foi condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Flávio ainda não reconheceu oficialmente a derrota no domingo. No dia da votação, afirmou que buscaria a anulação do resultado alegando irregularidades, mas seu partido, o PL, declarou na segunda que reconhecia a vitória de Lula.
Após notícias na imprensa argentina sobre a presença de um avião particular no Aeroporto Internacional de Puerto Iguazú, na fronteira entre Argentina e Brasil, as autoridades argentinas inspecionaram a aeronave e sua tripulação. Segundo o comunicado, não encontraram nenhum plano de voo que listasse a família de Flávio Bolsonaro.
Um porta-voz do presidente argentino Javier Milei, aliado de Bolsonaro e que ainda não parabenizou Lula pela vitória, afirmou que “não há pedido de asilo”, recusando-se a fornecer mais detalhes.
Enquanto isso, uma autoridade da Polícia Federal afirmou que Bolsonaro não deixou o país por nenhum posto regular de controle migratório.
O influenciador de direita Paulo Figueiredo, que atua como uma espécie de porta-voz informal da família Bolsonaro, recusou-se a responder a perguntas sobre o paradeiro do senador.
“Depois de meses de trabalho intenso, que foi injustamente frustrado, não estou com disposição para falar com a imprensa”, afirmou em uma mensagem. “Se tiver algum comentário a fazer sobre qualquer assunto, entrarei em contato.”
Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio que mora nos Estados Unidos, afirmou antes da votação que uma derrota eleitoral exigiria uma mudança de país. "Se meu irmão não vencer, sou favorável a que ele deixe o país", disse ao podcaster Steven Crowder em 23 de outubro.
Outra fonte próxima a Bolsonaro afirmou que não conseguiu entrar em contato com ele na manhã desta terça. “Tentei falar com Flávio por telefone nesta manhã”, disse. “Chamou, chamou, mas ele não atendeu.”
(Reportagem adicional de Luciana Magalhão, Lucinda Elliot, Brendan O'Boyle e Oliver GriffinEdição de Pedro Fonseca)