Preços globais dos alimentos recuam 1,2% em outubro, mas açúcar sobe 6,6% e atinge maior nível desde 2024, aponta FAO

Publicado em 06/11/2026 09:24
Queda nas cotações internacionais de cereais, carnes e lácteos supera avanço do açúcar e dos óleos vegetais; dificuldades na colheita de cana no Brasil sustentam valorização

Os preços internacionais dos alimentos registraram queda de 1,2% em outubro de 2026, segundo levantamento divulgado nesta sexta-feira (6) pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). O índice geral ficou em 133,9 pontos, recuo de 1,6 ponto em relação ao resultado revisado de setembro, com desvalorizações nos grupos de cereais, carnes e produtos lácteos. O movimento, entretanto, contrastou com uma alta de 6,6% no açúcar, que atingiu o maior patamar desde dezembro de 2024.

Apesar da redução mensal, o indicador permaneceu 5,9% acima do registrado em outubro do ano passado, mas ainda 16,4% abaixo do pico histórico observado em março de 2022. O índice acompanha a evolução dos preços internacionais de uma cesta de commodities alimentícias, considerando cinco grupos de produtos e suas respectivas participações no comércio mundial.

Entre as categorias analisadas, os cereais apresentaram a maior retração, de 4,5%, seguidos pelas carnes, com queda de 1,2%, e pelos lácteos, que recuaram 1,1%. Em sentido contrário, os óleos vegetais avançaram 0,3%, enquanto o açúcar registrou a valorização mais expressiva do mês.

Açúcar sobe com dificuldades na produção brasileira

O índice de preços do açúcar alcançou 121,3 pontos em outubro, alta de 6,6% sobre setembro e de 28,8% em relação ao mesmo mês de 2025. Foi o quarto avanço mensal consecutivo, levando as cotações internacionais ao maior nível desde dezembro de 2024.

Segundo a FAO, a principal pressão de alta veio das dificuldades provocadas pelas chuvas sobre a colheita e a moagem da cana-de-açúcar no Centro-Sul brasileiro, principal região produtora do país. As precipitações prejudicaram o andamento das operações e aumentaram as preocupações com a disponibilidade do produto no mercado internacional.

Além do Brasil, o levantamento destaca incertezas sobre as perspectivas de produção na Índia, onde as chuvas de monções ficaram abaixo do normal e apresentaram distribuição irregular. Projeções de menor produção na União Europeia e na Tailândia durante a temporada 2026/27 também contribuíram para sustentar os preços.

A combinação desses fatores manteve o açúcar em trajetória de valorização, mesmo diante do recuo observado na maior parte dos demais grupos de alimentos acompanhados pela organização.

Trigo e milho pressionam índice dos cereais

O índice de preços dos cereais caiu para 116,8 pontos em outubro, retração de 4,5% frente a setembro e de 12,6% na comparação anual. O movimento refletiu principalmente a desvalorização do trigo e do milho, diante de perspectivas mais favoráveis de oferta e menor pressão compradora em parte do mercado internacional.

No trigo, os preços recuaram após quatro meses consecutivos de alta. A FAO atribui o movimento à demanda internacional mais fraca e à melhora nas perspectivas de produção, especialmente na Argentina. A expectativa de redução das restrições aos fluxos de exportação pelo Mar Negro também contribuiu para pressionar as cotações, embora os problemas logísticos na região continuem limitando a intensidade das quedas.

O milho apresentou movimento semelhante, depois de alcançar o maior nível de preços em três anos durante setembro. A pressão em outubro esteve associada ao avanço da colheita nos Estados Unidos, às expectativas de oferta abundante nos principais exportadores da América do Sul e à possibilidade de redução das tensões na região do Mar Negro.

As cotações internacionais de cevada e sorgo também recuaram, acompanhando o comportamento dos demais cereais. No caso da cevada, as perspectivas favoráveis de produção na Austrália contribuíram para a desvalorização.

O arroz apresentou comportamento contrário, com avanço de 1,6% em seu índice específico de preços internacionais. A FAO relaciona a valorização a atrasos na colheita em alguns países exportadores, condições climáticas adversas e aumento de custos.

Óleo de soja sustenta leve alta dos óleos vegetais

O índice dos óleos vegetais registrou alta de 0,3%, chegando a 199,2 pontos. A pequena valorização foi sustentada principalmente pelos preços dos óleos de soja e girassol, que compensaram a queda das cotações do óleo de colza, enquanto o óleo de palma permaneceu praticamente estável.

No caso do óleo de soja, os preços internacionais atingiram os maiores patamares desde o final de 2022, apoiados pela demanda firme do setor de biocombustíveis e pela redução sazonal da disponibilidade de produto na América do Sul.

O óleo de girassol também apresentou recuperação, diante da oferta exportável restrita na região do Mar Negro e das dificuldades logísticas que continuam afetando o comércio. Já o óleo de colza foi pressionado pelo aumento sazonal da disponibilidade e pela demanda por matérias-primas para biodiesel abaixo do esperado, especialmente na União Europeia.

Carnes e lácteos também registram recuo

O índice de preços das carnes caiu 1,2% em outubro, para 125,5 pontos, refletindo desvalorizações nas cotações internacionais das carnes suína, ovina e bovina. Os preços da carne de aves permaneceram relativamente estáveis.

Na carne suína, a principal pressão veio da União Europeia, onde a oferta elevada e as oportunidades limitadas de exportação contribuíram para reduzir as cotações. A carne ovina também perdeu valor diante do aumento sazonal da disponibilidade australiana, enquanto os preços internacionais da carne bovina recuaram ligeiramente, influenciados pela concorrência entre exportadores.

No Brasil, as cotações de exportação da carne bovina permaneceram relativamente estáveis. Segundo a FAO, a menor disponibilidade exportável e a demanda mais forte dos Estados Unidos compensaram o enfraquecimento do interesse comprador da China.

Entre os produtos lácteos, a redução mensal foi de 1,1%, com o índice chegando a 117,8 pontos. A queda ocorreu principalmente pela desvalorização da manteiga e dos queijos, diante da oferta abundante e da demanda mais fraca, especialmente na União Europeia.

Em contrapartida, os preços do leite em pó desnatado avançaram nos principais mercados exportadores, sustentados pela demanda internacional e pela disponibilidade mais restrita para embarque imediato.

Os resultados de outubro mostram, portanto, movimentos diferentes entre os mercados agrícolas internacionais. Enquanto a recuperação das perspectivas de oferta pressiona os preços dos principais cereais, fatores climáticos e limitações produtivas continuam sustentando a valorização de produtos como o açúcar.

Fonte: Notícias Agrícolas

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