Recuperação do emprego perde fôlego

Publicado em 21/01/2010 04:11 e atualizado em 21/01/2010 08:41 779 exibições
Depois do recorde de criação de vagas em novembro, dezembro registra fechamento de postos acima do esperado - 2009 fecha com a criação de 995 mil novas vagas, menor número desde 2003; governo fala em 2 milhões de novos postos neste ano
O mercado de trabalho encerrou 2009 com a criação de 995.100 vagas com carteira assinada, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho.

Após um novembro com criação recorde de vagas para o mês, dezembro registrou queda acentuada devido ao fechamento de vagas temporárias. Assim, o resultado anual foi o menor desde 2003, quando o saldo totalizou 645.433 novos empregos formais.

O total de admissões no ano passado chegou a 16,187 milhões, enquanto as demissões somaram 15,192 milhões.

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que havia previsto 1 milhão de novas vagas em 2009, comemorou o resultado: "Apesar da crise, geramos quase 1 milhão de empregos, eu errei por apenas 5.000, que estatisticamente é praticamente zero percentual", argumentou.

Mesmo assim, afirmou ele, o Brasil obteve o melhor resultado dentre os países do G20, grupo que reúne as principais economias do mundo.

Lupi citou os saldos negativos registrados na Europa e nos Estados Unidos e ponderou que os dados positivos na Índia e na China não podem ser comparados com a realidade brasileira pela ausência de rigor nas legislações trabalhistas.

Para Anselmo Luis dos Santos, professor do Centro de Estudos Sindicais da Unicamp, a geração de quase 1 milhão de empregos formais em um ano no qual o PIB deve ficar estagnado é um resultado importante. "Apesar da crise, foi possível continuar a trajetória de redução do peso dos trabalhadores informais e dos autônomos de baixa renda na estrutura ocupacional do Brasil", avaliou.

No ano, o único setor da economia que registrou saldo negativo foi a agricultura, com o fechamento de 15.369 vagas, em decorrência da retração do comércio global, que dificultou as exportações brasileiras.

Já o setor de serviços, que foi o menos afetado pela turbulência financeira, foi responsável pela abertura de 500.177 postos, mais da metade dos novos empregos criados no país.

Apesar do grande volume de demissões no início do ano, a indústria conseguiu encerrar 2009 com saldo positivo de 10.865 vagas, sobretudo na fabricação de produtos alimentícios, voltada para a demanda doméstica, que vem sustentando a atividade econômica.

Demissões em dezembro

Ainda assim, no último mês do ano passado, o resultado foi negativo em 415.192 empregos formais. Fatores sazonais como a entressafra agrícola, o término do período escolar e a demissão de temporários no fim do ano geralmente geram saldos negativos em dezembro.

Mas só no fim de 2008, no auge da crise global, houve maior fechamento de vagas para o último mês do ano.

Segundo Lupi, a forte rotatividade no mercado de trabalho e o aumento das contratações temporárias para suprir a demanda aquecida no segundo semestre foram as maiores causas para a piora do saldo em dezembro. "Eu esperava um saldo melhor, mas dezembro superou a média negativa, porque durante os quatro meses anteriores houve crescimento nos postos temporários", disse.

No entanto, como foram registradas 1,068 milhão de contratações em dezembro, recorde para o mês, a estimativa do ministro é de uma reação mais forte em 2010.

"Em janeiro já vamos enxergar um resultado expressivo, inclusive na comparação com o mesmo mês do ano passado, que ainda foi negativo. Vamos criar 2 milhões de novos empregos neste ano", projetou.

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Fonte:
Folha de S. Paulo

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