Chuva faz crescer aplicação de defensivo e eleva custo da safra

Publicado em 29/01/2010 09:51 e atualizado em 29/01/2010 10:32 1553 exibições
O excesso de chuvas e o consequente aumento da incidência de doenças e pragas que proliferam com a umidade já têm acarretado em incremento nos custos de produção na safra 2009/2010. Além do crescimento no volume de defensivos aplicados nas lavouras, os produtores perdem a rentabilidade ao entregar para as tradings grãos com qualidade abaixo da esperada.

O caso mais grave é o da soja. Só no mês de janeiro, o Consórcio Ferrugem, programa desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), já identificou 907 ocorrências da doença. No mesmo período do ano passado, a incidência de ferrugem asiática contabilizava 600 casos.

No Mato Grosso, principal estado produtor da oleaginosa no País, agricultores estão colhendo o grão molhado para evitar que apodreçam no campo. Com cerca de 30% da soja colhida, o Município de Primavera do Leste registrou uma redução das chuvas, mas agora sofre com um cenário ainda pior, onde o mormaço e a umidade criam condições perfeitas para a proliferação da doença.

Segundo Pedro Singer, gerente de Desenvolvimento Fungicidas da Bayer CropScience, que acompanha o desenvolvimento da safra na região, mesmo a soja que já foi retirada do campo pode ter perdido a qualidade. "A soja quando fica muito molhada vai perdendo conteúdo dentro do grão, fica leve, deixa de ser grão e vira impureza. Na hora do recebimento pelas tradings, isso é descontado", destaca.

Ainda de acordo com Singer, as lavouras que estão chegando em ponto de colheita já estão indo para a quarta ou quinta aplicação de fungicida para ferrugem, sendo que na temporada passada a média foi de duas aplicações e meia. "Quando se chega no pico da colheita, a soja que está no campo recebe muita ferrugem. O Mato Grosso está entrando nessa fase mais sensível e a soja que for retirada por último pode registrar casos de até sete aplicações", explica o gerente da Bayer. "Além disso, tem a mancha-alvo e a antracnose [doenças da soja], somando com a ferrugem, para tirar toda a produtividade do produtor", complementa.

As dificuldades para colher um grão de qualidade não devem dar trégua para o produtor ao longo da safra. A previsão é de chuvas acima da média para fevereiro e março. Assim, em propriedades cujo intervalo de aplicação de fungicidas era de 30 dias, produtores já se preparam para reduzir o prazo para apenas 10 dias. "O preço da soja já está caindo bastante lá fora e isso com certeza terá reflexo no custo de produção", afirma Rafael Ribeiro de Lima Filho, da Scot

Consultoria. O preço da saca da soja já acumula queda acima de R$ 7 desde o início do ano, em algumas cidades do Mato Grosso. É o caso de Primavera do Leste (-R$ 7,20) e Rondonópolis (-R$ 7,70).

Com maior ou menor impacto, as condições climáticas são comuns para todas as culturas. O milho de verão também tem apresentado maior disseminação de doenças comparando às duas últimas safras e já há relatos de incidência de rhizoctonia, praga do algodão. Nesta safra também foi notificada a primeira incidência de ferrugem alaranjada da cana-de-açúcar. As

empresas de defensivos devem iniciar uma corrida para desenvolver uma solução para o problema, que até o momento não tem controle químico, apenas variedades resistentes.

No caso das commodities, os produtores deverão arcar sozinhos com as perdas, mas no segmento de hortaliças os prejuízos já estão sendo repassados aos consumidores. As chuvas também contribuíram para a proliferação de pragas nas verduras e na diminuição da produção. O resultado é um aumento no uso de agrotóxico e sucessivos reajustes de preços.

José Annes, gerente técnico da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), confirma que a tendência para essa safra é a de que o agricultor intensifique o uso de defensivos. "O produtor tem de buscar mais informações sobre o momento correto de aplicar para não perder dinheiro e comprometer os investimentos dele", diz. A previsão da entidade para este ano é de aumento entre 5% a 10% nas vendas de defensivos agrícolas, impulsionadas pela soja, que é a cultura que mais utiliza esse tipo de produto extensivamente, seguido pela cana.

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Fonte:
DCI

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