Biotecnologia para países em desenvolvimento é tema de Conferência da FAO

Publicado em 03/03/2010 18:43 1239 exibições

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Em Guadalajara, México, cerca de 300 pesquisadores e técnicos estão reunidos na Conferência da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) com o objetivo de discutir o uso da biotecnologia agrícola em países em desenvolvimento frente aos desafios de combate à fome e à pobreza e das mudanças climáticas.

A reunião ressalta a importância da biotecnologia, tanto convencional como moderna, ser direcionada aos pequenos agricultores dos países em desenvolvimento e não somente aos grandes fazendeiros dos países ricos. “A biotecnologia moderna e convencional oferece ferramentas potentes para o setor agrícola, incluindo a pesca e a silvicultura” - diz Modibo Tabaré, diretor-geral adjunto da FAO.

Porém a biotecnologia não tem tido impacto significativo para a maior parte dos países em vias de desenvolvimento. Segundo Tabaré isso ocorre pelo fato desses países não utilizarem tecnologias, regulamentações e capacitação técnica adequada, além da carência de infra-estrutura para o desenvolvimento do setor agrícola.

De acordo com a FAO, as novidades da biotecnologia podem representar um importante avanço e duplicar a produção de alimentos até 2050, além de fazer frente aos problemas gerados pelas mudanças climáticas. Porém, há uma ênfase exagerada e restrita nos organismos geneticamente modificados (OGMs) o que deixa de lado a exploração plena de outras formas de biotecnologia e sua contribuição em potencial para a agricultura, como por exemplo o uso de biofertilizantes.

A participação da Embrapa na Conferência

A delegação brasileira foi chefiada por Juliana Alexandre, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento –MAPA e participou ativamente em todas as discussões devido à grande importância do Brasil quando se fala em agricultura. A delegação foi composta por pesquisadores da Embrapa: José Luiz Carvalho – Embrapa Agroindústria de Alimentos, Milton Kanashiro – Embrapa Amazônia Oriental, Arthur da Silva Mariante, Francisco Aragão – Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e Mônica Cibele Amâncio – Assessoria de Inovação Tecnológica, que debateram assuntos onde a Embrapa se destaca, como cultivos, florestas, recursos genéticos animais e parcerias público-privadas. A participação brasileira no evento contou ainda com o Dr. Antônio Paes de Carvalho da Fundação BioRio, comentando sobre a experiência da empresa Extracta.

Um dos grandes destaques da participação do Brasil foi a apresentação da experiência da Embrapa em parcerias público-privadas, realizada pelo pesquisador Francisco Aragão. Ele destacou a parceria realizada entre a Embrapa e a empresa BASF para o desenvolvimento de cultivar transgênica tolerante ao herbicida imidazolinona, que foi recentemente aprovada pela CTNBio e que será uma importante opção tecnológica para o agricultor brasileiro no mercado da soja transgênica. Foram apresentados ainda os desdobramentos dessa parceria com o desenvolvimento do feijão transgênico resistente ao vírus do mosaico dourado, tecnologia essa que irá beneficiar principalmente o pequeno produtor brasileiro.

A pesquisadora da Embrapa Agroindústria de Alimentos Marília Nutti foi eleita por representantes de todos os países presentes para ocupar a vice-presidência da Conferência e também participou dos debates de biossegurança, cultivos e agro-indústria. “Eventos como esse contribuem para desmitificar o uso da biotecnologia em países em desenvolvimento, sendo que a participação da Embrapa foi decisiva para destacar importância da colaboração sul-sul quando se trata de tecnologias agrícolas”, destacou Marília Nutti.

 

A Conferência pode ser acompanhada ao vivo pela Internet (https://www.fao.org/) e termina nesta quinta-feira. (Soraya Pereira )

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Embrapa Agroind. de Alimentos

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