Exportações retomam ritmo de crescimento

Publicado em 11/03/2010 08:34 424 exibições
As exportações do agronegócio fortalecem a tendência de recuperação depois de sofrerem o impacto da crise financeira internacional. As vendas brasileiras do setor em fevereiro registraram um crescimento de 20,6% em relação ao mesmo mês do ano passado, segundo dados do Ministério da Agricultura. A comparação, no entanto, é prejudicada porque aquele mês foi o pior de todo o ano de 2009 para as exportações do agronegócio, quando vendeu US$ 3,651 bilhões. Agora, a comercialização chegou a US$ 4,403 bilhões, com destaque para os produtos relacionados ao segmento de carnes e sucroalcooleiro.

As importações do setor beneficiadas pelo comportamento do dólar em relação ao real registram um impulso ainda mais forte. Se em fevereiro do ano passado o Brasil adquiriu US$ 692 milhões em produtos agrícolas e pecuários do exterior, no mês passado a compra totalizou US$ 987 milhões. O crescimento de um mês em relação ao outro foi de 42,7%.

Em meio às reações do mercado doméstico, em relação à taxação de 30% para o trigo dos Estados Unidos, como consequência do contencioso do algodão, o valor das importações do grão registrou aumento de 52,5%, passando de US$ 97 milhões para US$ 173 milhões de fevereiro de um ano para o outro. O crescimento, conforme o ministério, é baseado não só no fato de que os preços subiram no período (16,7%), mas também porque o Brasil comprou mais trigo (52,5%). Com esses dados de importação e exportação, o saldo da balança comercial do agronegócio foi de US$ 3,415 bilhões em fevereiro.

A alta dos preços do açúcar e do álcool no mercado internacional fez com que o Brasil intensificasse seus ganhos com a venda desses produtos ao exterior, em fevereiro, mesmo reduzindo a quantidade exportada. Desse mês em 2009 para 2010, o crescimento da receita com o segmento foi de 47,8%, passando de US$ 493 milhões para US$ 729 milhões no período, segundo o Ministério da Agricultura. A elevação dos preços do açúcar no período de comparação foi de 54,6%. Do álcool, de 39,6%. Ao mesmo tempo, o Brasil retraiu as quantidades vendidas em 2,4% e 12,6%, respectivamente. Com isso, o valor exportado de açúcar totalizou US$ 663 milhões, 50,9% superior a 2009. Já o de álcool aumentou 22%, para US$ 66 milhões. Também mereceram destaque no período analisado as exportações de carne, que registraram crescimento de 24,5%, produtos florestais (23,8%), complexo de soja (17,4%), couro e seus produtos (37,1%) e animais vivos (161,7%).

As exportações do complexo soja totalizaram US$ 582 milhões no mês passado. O valor exportado de soja em grãos manteve-se praticamente constante (0,4%) em relação ao valor registrado em fevereiro de 2009 (de US$ 264 milhões para US$ 266 milhões). A quantidade exportada diminuiu 3,7% e os preços foram 4,3% superiores. As exportações de farelo de soja geraram receita de US$ 261 milhões, 39% superior à obtida no mesmo período de 2009. Os preços do farelo de soja foram 12,9% superiores aos registrados em fevereiro de 2009, enquanto o volume exportado aumentou 23%.

As exportações de óleo de soja apresentaram crescimento de 27,3%, o que resultou de aumento de 23% no volume exportado e 3,5% nos preços. No caso das exportações de carnes, o aumento foi de 24,5%, passando de US$ 443 milhões em fevereiro de 2009 para US$ 973 milhões em fevereiro de 2010. As receitas de exportação de carne bovina in natura foram 42,6% superiores (de US$ 186 milhões para US$ 265 milhões), resultado de um incremento de 26,6% no preço médio e uma elevação de 12,6% na quantidade embarcada.
Vendas de carne de frango mostram que 2010 é ano de recuperação

O comportamento das vendas externas de carne de frango no primeiro bimestre indica que 2010 deve ser confirmado como o ano da recuperação da rentabilidade dos exportadores, na avaliação da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango (Abef). No período, a receita obtida com embarques de carne de frango cresceu 12%, em relação aos dois primeiros meses de 2009, enquanto o volume caiu 4%. Os exportadores contaram, portanto, com um aumento de 17% no preço médio no período para melhorar o resultado das operações no exterior. "Em 2009, o setor gastou gordura para manter mercados. Agora, há um entendimento de que os preços precisam ser realinhados", afirmou o diretor-executivo da Abef, Ricardo Santin. No ano passado, a receita com exportações de frango caiu 16%, segundo a Abef.

Em janeiro, os exportadores de frango conseguiram elevar o preço médio de exportação para US$ 1.725 por tonelada, alta de 14,5% em relação a janeiro de 2009. Em fevereiro, no entanto, esse valor já caiu para US$ 1.707 por tonelada. "Mas não recuamos da nossa meta de crescer 5% em volume e 10% em receita neste ano", disse o presidente da entidade, Francisco Turra. Apesar do otimismo, Turra afirmou que a instabilidade do câmbio continua prejudicando os exportadores e que, apesar de sinais de recuperação da demanda em mercados-chave para o Brasil, incertezas ainda preocupam. "Estivemos em Bruxelas recentemente e percebemos sinais de melhoria, mas o ambiente é de cautela em relação a possíveis surpresas", disse ele, referindo-se à situação econômica de países como Grécia, Espanha, Portugal e Itália.

Assim, a Abef deve continuar trabalhando ativamente no desenvolvimento de novos mercados que vêm apresentando crescimento econômico, como os continentes africano e asiático. Para isso, Turra conta com a ajuda do Itamaraty. "Se o governo quer manter o Brasil exportador, terá de fazer a parte dele, lutando pela redução de tarifas." O dirigente lembrou que mercados que estão oficialmente abertos para o Brasil aplicam taxas elevadas sobre as importações. No caso da Índia, por exemplo, a alíquota chega a 100%. "Uma reunião dos Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) está marcada para maio e vamos pedir para que seja tratada com prioridade a redução da tarifa na Índia", disse Turra.

A China, que no primeiro bimestre importou 12,6 mil toneladas de carne de frango do Brasil, também é "uma boa esperança" para as exportações brasileiras neste ano, segundo Turra. O mercado chinês foi aberto para o frango brasileiro em maio do ano passado e efetivamente liberado em agosto. Nos dois primeiros meses do ano, o Oriente Médio foi a principal região importadora da carne de frango brasileira, respondendo por 38% do total.

Os embarques para aquela região totalizaram 197,6 mil toneladas, um crescimento de 12% em relação ao primeiro bimestre de 2009. Para a Ásia, as exportações permaneceram praticamente estáveis na mesma base de comparação, somando 139,8 mil toneladas, o equivalente a 27% do total embarcado pelo Brasil em janeiro e fevereiro.
Empresários do setor avícola estudam abrir painel na OMC contra a UE

A Abef estuda pedir ao governo brasileiro a abertura de um painel contra a União Europeia (UE) na Organização Mundial do Comércio (OMC) contestando uma regulamentação apresentada recentemente pelo bloco. A regra refere-se às importações de frango congelado e, na avaliação da entidade, pode limitar o produto brasileiro nos países do bloco. Do total das importações da União Europeia, o Brasil responde por aproximadamente 80%, mas ainda sim representa apenas 5% do mercado europeu. Os exportadores brasileiros praticamente só vendem frango congelado para a região, pois o comércio de carne fresca, predominante no consumo dos europeus, fica nas mãos dos produtores locais.

A nova regulamentação, elaborada pelo Departamento de Economia Agrícola da UE, estabelece que a produção de carne de frango congelada também deve ser vendida congelada, embora o produto brasileiro seja vendido também como fresco na Europa. Desta forma, indústrias que compram o frango congelado do Brasil para processamento só poderiam vender o produto final também congelado ou cozido. Como as regras sanitárias estabelecidas pela UE impedem que a carne seja congelada novamente depois de uma vez descongelada, o frango brasileiro fica impedido de servir em preparações como as de frango temperado.

Segundo o gerente de Relações de Mercado da Abef, Adriano Zerbini, apenas a Inglaterra, dos 27 membros do bloco, não ratificou o regulamento que deve entrar em vigor no início de maio. "Existem muitas incertezas sobre como a medida será aplicada efetivamente, mas o regulamento já começa a causar problemas nos contratos dos importadores com as empresas brasileiras", disse. Para a Abef, a queda das exportações de frango para a UE no primeiro bimestre reflete, entre outros fatores, essa insegurança. Em janeiro e fevereiro, os embarques de carne de frango para a UE caíram 25%, para 67,3 mil toneladas. Em receita, a redução foi de 11,5%, atingindo US$ 175,2 milhões.

A Abef contratou um escritório de advocacia especializado no tema para avaliar a viabilidade de contestar esse novo regulamento da UE na OMC. "Estamos avaliando quais princípios de quais acordos da OMC estão sendo feridos por esse regulamento", disse Zerbini. Caso o resultado do estudo seja favorável ao Brasil, o setor deve levá-lo ao governo e consultá-lo sobre a possibilidade de abertura de um painel contra a UE. Zerbini, que esteve há cerca de uma semana em Bruxelas para discutir o regulamento, disse que há outros pontos no documento que podem ser contestados pelo Brasil, mas não entrou em detalhes. O sistema de cotas adotado pela UE e sua revisão é outro tema de constante debate entre o bloco e o Brasil.
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Fonte:
Jornal do Comércio

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