Boas práticas vão qualificar a pecuária de corte brasileira

Publicado em 23/03/2010 16:52 1335 exibições

Aumentar a rentabilidade e a competitividade dos sistemas produtivos agropecuários por meio da indicação e a incorporação, em tempo hábil, das tecnologias adequadas e da adequação a legislações ambientais e trabalhistas, de modo a garantir o acesso a mercados que valorizam alimentos seguros. Esse é o objetivo da geral do Programa Boas Práticas Agropecuárias (BPA) - Bovinos de Corte, lançado em 2005 pela Embrapa. A coordenação em nível nacional do Programa é da Embrapa Gado de Corte, sendo a Embrapa Pecuária Sul coordenadora na região Sul do País.

As chamadas Boas Práticas Agropecuárias são um conjunto de normas e procedimentos que devem ser observados pelos produtores rurais para tornar os sistemas de produção mais rentáveis e eficientes, assegurando a oferta de alimentos seguros e produzidos de modo sustentável. As BPA seguem os princípios da Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (Sistema APPCC), internacionalmente conhecido como HACCP.

Para a implantação das BPA, três princípios são fundamentais: a capacitação de profissionais da área de ciências agrárias que prestam assistência técnica às propriedades, para que se tornem multiplicadores; a conscientização dos produtores e de seus funcionários, promovida pelos técnicos multiplicadores, sobre a importância da adoção de processos de controle de qualidade na fazenda; e a implantação das normas e procedimentos nas propriedades que aderirem ao Programa.

Essas normas e procedimentos se referem aos 11 principais pontos de controle do sistema de produção da carne bovina que constituem a lista de verificação do Protocolo BPA. São eles: gestão da propriedade rural; função social do imóvel rural; responsabilidade social; gestão ambiental; instalações rurais; manejo pré-abate e bons tratos na produção animal; formação e manejo de pastagens; suplementação alimentar; identificação animal; controle sanitário e manejo produtivo.

BPA no Sul

No Sul do Brasil, o Programa começou a ser implantado como projeto-piloto em 2008, envolvendo 14 propriedades rurais localizadas em sete municípios da região dos Campos de Cima da Serra, no norte do Rio Grande do Sul. O trabalho é realizado em parceria com a Emater/RS, a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/RS), o Sebrae/RS e universidades, como a UFRGS.

Na primeira etapa do trabalho, técnicos da Emater visitaram, em julho de 2009, os estabelecimentos rurais para realizar um diagnóstico a partir da avaliação dos 11 aspectos que constituem o Protocolo BPA. O levantamento apontou que os principais problemas se referem à gestão econômica e financeira da propriedade (falta de planejamento e registro de dados de indicadores econômicos e desempenho zootécnico), à responsabilidade social (registro em carteira do empregado e existência do controle formal de trabalho, orientações aos empregados e suas famílias quanto às noções básicas de higiene e saúde), à gestão ambiental (normas e procedimentos exigidos pela legislação) e às instalações rurais. O ponto de controle "manejo e formação de pastagens" foi o que apresentou maior percentual de conformidade com as BPA.

Em março de 2010, pesquisadores e analistas da Embrapa Pecuária Sul estiveram reunidos em Vacaria (RS) com o pesquisador da Embrapa Gado de Corte e coordenador nacional do Programa, Ezequiel do Valle, e com produtores da região e representantes dos Ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e do Meio Ambiente (MMA). Eles discutiram as ações do BPA-Bovinos de Corte no Sul do Brasil e o andamento da elaboração de uma Portaria Interministerial envolvendo MAPA, MMA e o Ministério do Trabalho, que criará o Programa Pró-BPA. O grupo ainda visitou duas propriedades participantes do projeto-piloto do BPA-Bovinos de corte.

Para alcançar o nível de certificação proposto pelo Programa, os produtores deverão, nos próximos meses, realizar uma série de ajustes nas rotinas dos estabelecimentos. O Sebrae e o Senar deverão promover treinamentos e consultorias em gestão, planejamento, bem-estar animal e outros temas, para que os proprietários e os empregados das fazendas possam aperfeiçoar habilidades e competências e adequarem os procedimentos. O ajuste será acompanhado pelo Comitê Gestor do Programa, coordenado no Sul do País pela Embrapa Pecuária Sul. Além da capacitação, essas instituições vão promover a sensibilização e a divulgação do BPA para ampliar a adesão de produtores.

 

Boas Práticas Agropecuárias - Bovinos de Corte

É a adoção de práticas corretas que colaboram para melhorar o desempenho do sistema produtivo de uma propriedade rural.

Como funciona o Programa BPA

Em cada região do Brasil, uma unidade da Embrapa coordena o Programa para:

- Atender o produtor interessado em aderir ao BPA;

- Habilitar multiplicadores para implantação do Programa;

- Acompanhar/monitorar a propriedade participante.

O Programa mantém um cadastro de propriedades rurais cujos proprietários têm interesse em aderir ao BPA e outro de interessados nos cursos para multiplicadores.

A propriedade cadastrada será visitada por um multiplicador, que vai aplicar o Protocolo BPA (Lista de Verificação).

 

O que é verificado na propriedade

São 11 pontos de controle observados:

1. Gestão da propriedade rural

2. Função social do imóvel rural

3. Responsabilidade social

4. Gestão ambiental

5. Instalações rurais

6. Manejo pré-abate e bons tratos na produção animal

7. Formação e manejo de pastagens

8. Suplementação alimentar

9. Identificação animal

10. Controle sanitário

11. Manejo reprodutivo

 

Como o produtor pode participar

A adesão é voluntária, bastando:

- Cadastrar a propriedade na unidade da Embrapa que coordena o BPA na região brasileira onde ela está localizada;

- Indicar o profissional que já atua na propriedade para ser o multiplicador (caso não haja profissional, a Embrapa poderá indicar um);

- Permitir a aplicação da Lista de Verificação na propriedade cadastrada.

 

Como se tornar um multiplicador

O profissional de ciências agrárias deve:

- Cadastrar-se na unidade da Embrapa que coordena o BPA na região onde está seu município;

- Atender ao perfil exigido pelo programa

-Após o curso de capacitação, realizar o diagnóstico e acompanhar a propriedade rural onde presta assistência ou em outra de seu interesse.

 

Passo a passo do Programa

1. Conscientização dos produtores rurais quanto à importância e necessidade da implantação das BPA nas propriedades;

2. Atualização técnica em BPA do profissional que realiza assistência técnica rural, para participar do processo de conscientização dos produtores e da implantação do Protocolo BPA;

3. Realização do diagnóstico da propriedade pelo profissional multiplicador, para identificar o atendimento ao Protocolo BPA;

4. Análise do diagnóstico da propriedade rural;

5. Correção das não-conformidades detectadas, com o auxílio do profissional multiplicador;

6. Emissão do Laudo de Implantação das Boas Práticas Agropecuárias.

 

 

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Fonte:
Embrapa- Pecuária Sul

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